Canal VE

18 de maio de 2024

Startups aceleram avanço da infraestrutura de recarga no Brasil

Mãos de uma mulher manuseiam celular enquanto carro elétrico está sendo carregado ao fundo

Crescimento de infraestrutura de recarga no Brasil tem participação de startups de tecnologia. Foto: Divulgação/Freepik.

As startups brasileiras de tecnologia têm desempenhado um papel fundamental para a evolução da infraestrutura de recarga dos veículos elétricos no Brasil, e que muitas vezes passa despercebido pelo grande público. No entanto, grandes corporações já estão aproveitando o conhecimento e as novas tecnologias desenvolvidas por essas pequenas empresas para adequar os equipamentos de recarga à realidade brasileira ou mesmo aprimorar a experiência dos usuários nesse processo.

Segundo a consultoria Bright Consulting, o Brasil contava, em março de 2024, com aproximadamente 4.230 carregadores públicos e semipúblicos espalhados pelo território nacional. Um número ainda considerado pequeno diante de um cenário cada vez maior de veículos elétricos em circulação — segundo a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), só no primeiro trimestre de 2024 foram vendidos mais de 14 mil veículos 100% elétricos no país, um aumento de 612% em relação ao mesmo período do ano passado. 

Para Rafael Levy, co-fundador da 100 Open Startups e diretor do Centro de Open Innovation Brasil, o crescimento da infraestrutura de recarga passa pela inovação desenvolvida pelas pequenas empresas de tecnologia.

“Estamos tendo um crescimento muito grande de startups do setor de recargas de veículos elétricos. Mas mais do que isso, estamos vendo o crescimento tanto da quantidade de empresas como da qualidade delas e também da intensidade de investimentos nessas startups”, afirmou Levy, em entrevista exclusiva ao Canal VE

“Para citar alguns exemplos, temos as parcerias de Raízen Power e Tupinambá, Vibra Energia e EZVolt, EDP e WeCharge, Copel e MovE, entre outras. Ou seja, as startups estão apoiando as empresas que estão montando as estruturas de recarga e que estão fazendo parcerias com as montadoras, como a BYD. O caso da BYD com Raízen e Tupinambá é um exemplo perfeito de Open Innovation, de conectar uma corporação com outra corporação e essa com uma startup e resolver um problema que a gente tem no Brasil, que é a infraestrutura de recarga”, disse.

 

Exemplo de outros mercados

Em recente artigo, Rafael Levy levantou o questionamento sobre a obrigatoriedade ou não das montadoras de veículos elétricos liderarem o movimento de ampliação da rede de recarga no Brasil. No texto, o empresário afirma que montadoras de veículos a combustão nunca se responsabilizaram pela instalação de postos de combustíveis, mas que o investimento em infraestrutura pode ser uma alternativa para montadoras que vendem carros elétricos. 

Para isso, ele cita o exemplo da Tesla, nos Estados Unidos. Como a empresa vendia apenas carros elétricos, não tinha outra alternativa a não ser prover uma rede de recarga de qualidade. A experiência foi tão boa que outras montadoras decidiram adaptar os novos veículos para as recargas nos Superchargers da Tesla.

“As montadoras devem investir em redes de recarga? A experiência da Tesla sugere que sim, especialmente para empresas cujo foco é exclusivamente em veículos elétricos. Para essas empresas, o investimento em redes de recarga não é apenas uma melhoria no serviço ao cliente, mas também uma estratégia essencial para garantir sua viabilidade e sucesso no mercado”, aponta Levy.

Rafael Levy é um homem branco e usa paletó cinza
Rafael Levy, co-fundador da 100 Open Startups. Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal.

Apoio governamental

Quando questionado sobre o que falta para a infraestrutura de recarga deslanchar no Brasil, Levy afirma que regras mais claras para as instalações poderiam ajudar. “Seria excelente ter incentivos para a instalação de eletropostos, não só do ponto de vista fiscal, com menor tributação, por exemplo, mas também com a aprovação de normas. A gente vê que uma grande dificuldade que as próprias marcas têm é que depois de instalar o carregador não conseguir plugar na rede elétrica. A concessionária demora meses, às vezes até mais de ano para conectar um carregador. Então criar regras e demandas para o próprio setor elétrico seria importante”, afirma.

“O que a gente vê é que só com a iniciativa privada, a infraestrutura de recarga está crescendo bastante no Brasil. Mas acho que só de o governo não atrapalhar, já está bom também”, completou.

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