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20 de julho de 2024

‘Entre céu e inferno, depende de nós’, diz presidente da Anfavea

Vestido todo de preto, Márcio Lima Leite fala com microfone em palco de evento

Márcio Lima Leite, presidente da Anfavea, fala sobre os rumos da eletrificação no Brasil. Foto: Reprodução/Electric Days.

O presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Márcio Lima Leite, considera o momento atual, em que se discute a transição tecnológica do setor automotivo, como o mais desafiador da indústria brasileira em todos os tempos, e que o país pode ir do céu ao inferno dependendo da forma como conduzir o processo.

A fala aconteceu durante o evento Electric Days, realizado em São Paulo, em 26 de junho de 2023.

“Sem dúvidas, este é o momento mais desafiador da nossa história do setor automotivo, desde quando a primeira montadora se estabeleceu no Brasil”, disse Leite a um público formado por empresários e entusiastas do segmento. 

“A transição tecnológica coloca limites, perspectivas de investimentos, oportunidades e riscos, com impacto em toda a cadeia de valor. Podemos ir para o céu ou para o inferno dependendo de como vamos conduzir esse processo”, avaliou.

De acordo com o executivo, o Brasil é um país eclético em sua essência, e precisa respeitar as características de mobilidade de cada região, seguindo as necessidades das pessoas de cada região, sem privilegiar uma tecnologia ou outra. 

“Qual é o futuro da mobilidade? Nós temos um país eclético na essência. E a tecnologia será eclética na essência. Nós queremos produzir essa tecnologia, sem defender A, B, C ou D. Queremos todas as tecnologias. E que tenha produção local ou mesmo que estimule a produção local, de forma que se crie um ecossistema favorável à geração de emprego e renda ao país”, falou Leite, lembrando que a indústria automotiva brasileira tem cerca de 1,2 milhão de trabalhadores diretos. 

Vestido com roupa preta, Márcio lima Leite fala em palco de evento
Márcio Lima Leite, presidente da Anfavea, durante apresentação no evento Electric Days, em São Paulo. Foto: Divulgação/Anfavea.

Consumidor é mandatório

Ao comentar sobre a eletrificação da frota no Brasil, o executivo disse que o desafio da indústria automotiva brasileira passa primeiro pelo desejo do consumidor.

“A figura mais importante desse processo é o consumidor. Se o consumidor quiser o carro elétrico puro, ele vai ter o carro elétrico puro independente da vontade do governo, das montadoras, ou dos importadores. Ele vai ter esse carro elétrico”, afirmou. 

“Nós ouvimos montadoras, nós ouvimos fabricantes, nós ouvimos o governo, mas muitas vezes esquecemos de ouvir o principal: o consumidor. E o consumidor quer.”

Para o presidente da Anfavea, o Brasil tem a responsabilidade de fortalecer a indústria. “Nosso ecossistema automotivo está pronto a produzir localmente veículos com propulsão elétrica, híbrida e a combustão, com uso de bicombustíveis, gás, diesel verde, célula combustível e outras tecnologias em fase de desenvolvimento. É hora de criarmos ambientes de inovação, investimentos em startups, investimentos na academia. Nosso desafio, nesse momento, não é manter a indústria, e sim aumentar a indústria”, completou.

 

Descarbonização brasileira

Márcio Lima Leite defendeu ainda que a descarbonização já é uma realidade no país, graças às políticas ambientais adotadas na mobilidade urbana há décadas. Mas que o Brasil tem vantagem na comparação com outros países. 

“Nós temos uma frota de mais de 40 milhões de veículos no Brasil. E mesmo sendo uma frota envelhecida, temos o equivalente a 8 milhões de veículos elétricos rodando no Brasil em termos de descarbonização. E isso se deve ao papel do biocombustível”, alertou Leite.

“Agora, quando se fala em carros elétricos no Brasil, é diferente. O Brasil tem quase 90% de fonte de energia limpa. Então a tecnologia do elétrico no Brasil tem sim um grande benefício ambiental”, completou.

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