Canal VE

9 de dezembro de 2023

Como carregar um carro elétrico? Canal VE explica o passo a passo

Sinalização no chão indica ponto de recarga de VEs

Estação de recarga para veículos elétricos. Foto: Envato/Elements

À medida em que aumenta o interesse pelo mercado de veículos elétricos no Brasil, muitas dúvidas surgem sobre como carregar o veículo. Nesse passo a passo, vamos explicar como fazer isso em casa ou na rua.

Entendendo o básico

Como qualquer equipamento que usa bateria elétrica como fonte de energia, um VE também precisa de carregador, com exceção dos HEV e FCEV, que utilizam o próprio motor para recarregar as baterias internas.

O carregador faz a conexão entre o veículo e a rede de energia, numa estação de recarga, que pode ser um eletroposto, pontos comerciais e até a tomada de casa. Os carregadores estão disponíveis em modelos portáteis, fixados na parede, em totens ou instalados diretamente no solo. 

Diferentemente dos abastecimentos em postos de combustíveis tradicionais (etanol, gasolina, diesel), em que o processo leva poucos minutos, o carregamento de um VE pode levar horas. Tudo depende da potência do aparelho, da capacidade de armazenamento da bateria do veículo e do tempo disponível para a recarga.

Para carregar um VE, é necessário entender que a bateria precisa da carga em corrente contínua (CC). Mas, na maioria das vezes, o veículo recebe energia em corrente alternada (CA) da rede elétrica. Por isso, os veículos possuem um inversor interno para fazer a conversão. 

No caso dos carregadores de carga rápida, ou Fast Charge DC, o tempo de carregamento diminui, já que eles fornecem energia com maior potência e em corrente contínua. Para isso, utilizam seu próprio inversor interno e de maior porte, garantindo a conversão da energia da rede elétrica de CA em CC, permitindo maior potência e, consequentemente, maior velocidade de recarga.

Como carregar um VE em casa?

É possível carregar o carro em casa, seja em tomadas de 110V, 220V ou em um Wallbox, carregador disponível para venda. Mas é preciso alguns cuidados para evitar choques elétricos ou desperdício de energia.

No Brasil, a recomendação é que as instalações elétricas sigam as padronizações para as tomadas de uso em geral: na de 110V, a capacidade da corrente pode ser de 10A ou 20A, e na de 220V, a corrente tem de ser de 20A. 

Para calcular o gasto do consumidor residencial, é necessário multiplicar a potência do aparelho, em Watt (W), pela quantidade de horas que o carro fica ligado na tomada. O resultado é o consumo em kWh.

Usando como exemplo a tomada de 110V, de 20A, a potência disponível é de 2.200W. Se o veículo ficar conectado por 10 horas, o consumo final no período será de 22kWh. Já para uma tomada de 220V, e 20A, a potência máxima é de 4.400W, o dobro. Em 10 horas de uso, o consumo de energia será de 44kWh (e, consequentemente, um carregamento mais rápido). Já para a tomada de 110V, de 10A, a potência máxima é de 1.100W, o que resultaria em um consumo de 11kWh em 10 horas de uso, mas o carregamento de um veículo seria mais lento.

Importante ressaltar que cada veículo elétrico tem capacidade de armazenamento diferente, seja pelo tamanho do conjunto de baterias ou pela tecnologia empregada. Assim, o tempo de carregamento de cada carro é variável — e o consumo de energia também.

Para calcular o valor gasto com o carregamento de um VE, é preciso fazer a seguinte conta: multiplicar o consumo de energia pelo valor do kWh cobrado pela concessionária fornecedora, que é regulada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Vale lembrar que a tarifa varia de estado para estado e pode sofrer reajustes de acordo com a bandeira tarifária vigente: verde (sem cobrança adicional), amarela, vermelha patamar 1 ou vermelha patamar 2.

Carregador portátil ou fixo?

Todo carro elétrico é vendido com um carregador portátil, mas nem sempre essa é a melhor opção. Para recargas frequentes, em casa, o ideal é instalar um carregador fixo, do tipo Wallbox. O aparelho deve ser instalado em rede trifásica, para aumentar a carga de potência. 

Ponto de recarga instalado na parede alimenta bateria de carro
Estação de recarga fixo na parede. Foto: Envato/Elements

As redes elétricas residenciais são, na maioria, monofásicas (110V) ou bifásicas (220V) por não precisarem de tanta energia. Já uma tomada de 220V trifásica com 20A de corrente máxima é capaz de produzir média de 13.200W de potência. Assim, o tempo de recarga do veículo será mais curto, e o consumo de energia não vai aumentar. O maior gasto será o de instalação do aparelho, que tem valor médio de R$ 7 mil.

Assim, no dia a dia, o consumidor deve optar pelo carregador residencial em vez do portátil, deixando este último para usos emergenciais, onde não há outra forma de recarga. Além disso, o carregador residencial possui mais proteções e não precisa ser conectado à tomada comum toda vez, reduzindo o risco de acidentes para as pessoas, para os veículos e para os imóveis.

Carregadores externos

Para o caso de necessidade de recarga longe de casa, o motorista pode procurar uma estação de carregadores comerciais. Eles são parecidos com os residenciais, mas com recursos adicionais, como gestão de energia, monitoramento e histórico de consumo e cobrança, entre outros. A carga do veículo acontece em corrente alternada, e eles podem ser instalados em paredes, totens ou fixos no solo. 

Além disso, muitos desses carregadores podem ser compartilhados por dois ou mais carros ao mesmo tempo, sem qualquer prejuízo. 

Já os carregadores de carga rápida, ou Fast Charge DC, foram desenvolvidos para situações em que o veículo tem um período curto para recarga. Por isso, geralmente são instalados em rodovias, postos de abastecimento e frotas. Eles fornecem uma potência mais alta que os demais carregadores, alcançando 80% da capacidade das baterias dos veículos em poucos minutos.

Mas, atenção: embora usar um eletroposto ou um aparelho de carga rápida seja mais cômodo para os motoristas, os fabricantes de veículos elétricos destacam que é preferível fazer a recarga caseira, sem pressa. Isso porque a potência mais alta dos carregadores ajuda a elevar a temperatura durante a recarga, aumentando o estresse da bateria. Em longo prazo, pode reduzir a vida útil dela.

 

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