Trabalhadores da fábrica da BYD em Camaçari (BA). Foto: Divulgação/BYD.
A China não está investindo apenas na venda de carros elétricos no Brasil. O gigante asiático ampliou sua presença em terras tupiniquins em 2025 também em setores considerados estratégicos para a transição energética, como geração de energia, mineração de minerais críticos e produção industrial ligada à mobilidade elétrica.
Segundo um relatório divulgado pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), os investimentos chineses no Brasil chegaram a US$ 6,1 bilhões em 2025, alta de 45% em relação ao ano anterior. O volume colocou o Brasil como o principal destino global dos investimentos chineses no período, concentrando 10,9% de todos os aportes realizados pela China no exterior.
O relatório mostra ainda uma mudança importante no perfil desses investimentos: a lógica deixa de ser apenas comercial e passa a envolver a construção de uma cadeia completa ligada à eletrificação e à transição energética.

China avança na cadeia dos carros elétricos no Brasil
O setor automotivo apareceu entre os principais destinos do capital chinês em 2025, com US$ 965 milhões em investimentos e crescimento de 66% sobre o ano anterior.
O relatório inclui movimentos estratégicos de empresas chinesas no Brasil, como o início das operações produtivas da BYD, em Camaçari (BA) e da GWM Brasil, em Iracemápolis (SP), além da formalização da aliança entre Geely Auto e Renault do Brasil, anunciada no segundo semestre de 2025.
Com isso, a China ampliou sua presença não apenas nas importações, mas também na produção local de veículos eletrificados. O relatório destaca que “o carro elétrico virou sinônimo de carro chinês no Brasil”, reflexo do crescimento acelerado das montadoras chinesas no mercado nacional.
Hoje, a BYD domina boa parte do mercado brasileiro de carros eletrificados e já disputa posições entre as marcas mais vendidas no varejo nacional.

Energia e mineração entram no centro da estratégia
O principal destino dos investimentos chineses no Brasil em 2025 foi o setor elétrico, que recebeu US$ 1,79 bilhão em aportes. Os investimentos envolvem projetos de geração renovável, transmissão de energia e infraestrutura considerada essencial para sustentar o avanço da eletrificação no país.
Ao mesmo tempo, o relatório mostra crescimento dos investimentos em mineração, principalmente por causa dos minerais críticos utilizados em baterias, motores elétricos e sistemas de armazenamento de energia.
O documento destaca que veículos elétricos demandam uma quantidade significativamente maior desses materiais em comparação aos modelos a combustão.
“Os carros elétricos utilizam cerca de seis vezes mais minerais críticos do que os veículos convencionais”, aponta o relatório.
A combinação entre energia limpa, minerais estratégicos e produção industrial ajuda a explicar por que o Brasil ganhou importância dentro da estratégia chinesa de expansão global da eletromobilidade.

Brasil ganha posição estratégica na transição energética
Outro fator destacado pelo estudo é a matriz elétrica brasileira, considerada uma das mais limpas do mundo. Segundo o CEBC, o Brasil possui atualmente a matriz elétrica mais limpa entre os países do G20.
Esse cenário transforma o país em uma plataforma relevante para produção industrial ligada à transição energética, principalmente em um momento em que Europa e Estados Unidos ampliam restrições comerciais e disputas tecnológicas envolvendo a indústria chinesa.
Além do mercado consumidor em expansão, o Brasil reúne características consideradas estratégicas para a nova economia de baixo carbono, como energia renovável, minerais críticos, capacidade industrial, mercado automotivo relevante e potencial de expansão da infraestrutura elétrica.
Por fim, o relatório demonstra que a China já enxerga o Brasil não apenas como um mercado para vender carros elétricos, mas como parte importante da cadeia global da transição energética. “A capacidade do Brasil de articular esses diferentes vetores, combinando a disponibilidade de recursos naturais, matriz elétrica limpa, base industrial e demanda interna, será fundamental para continuar atraindo o interesse de empresas chinesas”, conclui o relatório.
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Jornalista graduado pela PUC-Campinas. Atuou como repórter, redator e editor em veículos de comunicação de grande circulação, como Grupo Folha, Grupo RAC e emissoras de TV e rádio. Acompanha o setor de veículos elétricos e outras energias renováveis para o desenvolvimento sustentável.