Amsterdam busca neutralidade de carbono até 2050. Foto: Divulgação/Amsterdam.
Uma nova lei aprovada na cidade de Amsterdam, na Holanda, proíbe a publicidade de produtos considerados de alta emissão de carbono em espaços públicos. A decisão inclui anúncios de carros a combustão, combustíveis fósseis, companhias aéreas, cruzeiros e até mesmo produtos à base de carne.
A regra vale para outdoors, pontos de ônibus, estações de metrô e outros espaços administrados pela prefeitura da capital holandesa. A medida faz parte das metas climáticas da cidade, que busca reduzir emissões e acelerar a neutralidade de carbono nos próximos anos.
“A crise climática é urgente. Nós queremos liderar as políticas climáticas, mas, ao mesmo tempo, alugamos nossos prédios para veicular propaganda de produtos que vão contra isso. Então, o que estamos fazendo?”, questiona a vereadora Anneke Veenhoff.
Com a nova lei, Amsterdam passa a limitar a promoção pública de produtos associados às maiores taxas de emissões de gases do efeito estufa — movimento que amplia a pressão ambiental sobre diferentes setores da economia, incluindo a indústria automotiva.

Uso de combustíveis no debate climático
A inclusão dos carros a combustão na lista chama atenção porque mostra uma mudança importante na forma como governos locais europeus começam a tratar produtos ligados às emissões de carbono.
Até pouco tempo, as restrições ambientais estavam concentradas principalmente em políticas de circulação, zonas de baixas emissões e incentivos à eletrificação. Agora, o debate avança também para a publicidade desses produtos em espaços públicos.
Segundo a vereadora Melanie van der Horst, responsável pela área de trânsito e transporte de Amsterdam, a medida está alinhada às metas ambientais da cidade.
“Não faz sentido querermos reduzir emissões e incentivar escolhas sustentáveis, enquanto, ao mesmo tempo, continuamos promovendo produtos fósseis em espaços públicos”, afirmou.
A decisão aproxima a lógica regulatória ambiental de medidas já aplicadas anteriormente a produtos como cigarros e apostas, cuja publicidade passou a sofrer restrições em diversos países ao longo das últimas décadas.
Tendência pode avançar na Europa
Amsterdam não é a primeira cidade europeia a restringir publicidade de produtos fósseis, mas o movimento ganha relevância pelo simbolismo da capital holandesa e pelo alcance da medida.
Outras cidades da Holanda e da Europa já vêm adotando limitações semelhantes para campanhas ligadas a combustíveis fósseis e aviação, em meio ao avanço das políticas climáticas no continente.
No setor automotivo, a discussão também acompanha a pressão pela eletrificação da frota e pela redução gradual dos veículos a combustão nos próximos anos.
A medida não proíbe a venda desses produtos nem impede campanhas em canais privados ou digitais. A restrição se limita aos espaços públicos sob gestão da prefeitura.
Ainda assim, a decisão reforça uma mudança cultural importante: produtos associados a maiores emissões de carbono começam a enfrentar restrições não apenas regulatórias, mas também de comunicação e exposição pública.

Jornalista graduado pela PUC-Campinas. Atuou como repórter, redator e editor em veículos de comunicação de grande circulação, como Grupo Folha, Grupo RAC e emissoras de TV e rádio. Acompanha o setor de veículos elétricos e outras energias renováveis para o desenvolvimento sustentável.