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24 de abril de 2024

ABVE contesta governadores de São Paulo e de Minas Gerais

pessoa carrega carro elétrico

ABVE contesta ações de autoridades a respeito da eletromobilidade no Brasil. Foto: Divulgação/Freepik.

Pouco tempo depois de declarações e ações dos governadores de Minas Gerais e São Paulo, nas quais o desenvolvimento da eletromobilidade no Brasil foi colocada em descrédito, a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) divulgou nota à imprensa contestando as alegações de Romeu Zema e Tarcísio de Freitas. Na visão da entidade, as autoridades políticas foram “hostis” em relação à eletrificação da frota brasileira.

Zema afirmou que “os carros elétricos são ameaças aos nossos empregos”, defendeu o etanol como combustível sustentável e disse que a perda de arrecadação com impostos sobre a gasolina é uma preocupação. 

Já Tarcísio vetou projeto de lei aprovado pela Assembleia Legislativa que isentava o pagamento de Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) para carros elétricos, por considerar que a proposta estava em “descompasso com o vigor da produção do etanol e com as perspectivas de utilização do biometano produzido no Estado”. Depois, enviou à Alesp outro projeto de lei em caráter de urgência, propondo a isenção do imposto “exclusivamente para veículos a hidrogênio e híbridos com motor elétrico ou com motor a combustão que utilize alternativa ou exclusivamente etanol”.

De acordo com a nota da ABVE, “a surpresa é ainda maior se considerarmos que os investimentos mais firmes do setor automotivo brasileiro, anunciados nos últimos meses, são justamente de empresas que estão transformando a indústria nacional, investindo em novas tecnologias e renovando suas linhas de produção para fabricar tais veículos no país, inclusive com a aquisição de plantas industriais desativadas”.

Em São Paulo, a empresa chinesa GWM assumiu a antiga fábrica da Mercedes-Benz em Iracemápolis (SP) e deve começar a produzir veículos híbridos na planta a partir de 2024. Já Minas Gerais abriga a maior reserva nacional de lítio, mineral comumente utilizado para a fabricação de baterias para carros elétricos, no Vale do Jequitinhonha.

Os governadores de Minas Gerais e de São Paulo estão sentados lado a lado
Romeu Zema (à esq.) e Tarcísio de Freitas (à dir.). Foto: Arquivo/Governo SP.

Decisões atrapalham investimentos

A ABVE entende que as afirmações do governador de Minas Gerais, segundo quem o veículo elétrico “é uma ameaça” aos empregos, estão em descompasso com a realidade internacional e o desenvolvimento do próprio mercado brasileiro.

Já a decisão do governador de São Paulo de vetar um projeto de lei da Assembleia Legislativa que propunha incentivos à eletromobilidade no Estado, substituindo-o por uma proposta que esquece os veículos elétricos, vai na contramão da via tecnológica mais promissora de combate às mudanças climáticas.

Para o presidente da ABVE, Ricardo Bastos, as falas e ações dos dois governadores causam insegurança no mercado. “Não faz sentido as autoridades dos principais Estados do país criarem insegurança a empresas que já se comprometeram a gerar empregos de qualidade e trazer inovação tecnológica à indústria brasileira”, falou.

“Não nos parece sábio essas autoridades darem um sinal de desconfiança à tendência mais relevante do setor automotivo mundial, e esperamos que essas posições sejam reconsideradas”, disse Bastos.

O executivo lembrou que, em maio, o próprio governador de Minas Gerais lançou na Nasdaq, a bolsa de valores do setor tecnológico de Nova York, o importante projeto do Vale do Lítio. “Esse lítio é só para ser exportado in natura? Não seria mais adequado essa riqueza servir à produção de baterias, automóveis e ônibus elétricos no Brasil?”, questiona Bastos.

Para a ABVE, o crescente número de emplacamentos de veículos leves elétricos e híbridos nos últimos anos prova que o consumidor brasileiro aposta cada vez mais em produtos modernos e sustentáveis, o que gera por si só mais investimentos no setor, juntamente à criação de um conjunto amplo de empresas de veículos, componentes, equipamentos e serviços, com um número crescente de startups surgindo a cada dia.

 

Confira a nota da ABVE na íntegra

A Associação Brasileira do Veículo Elétrico manifesta sua decepção com as declarações recentes dos governadores de São Paulo e Minas Gerais, ambos surpreendentemente hostis ao desenvolvimento do mercado de veículos elétricos e híbridos no Brasil.

A surpresa é ainda maior se considerarmos que os investimentos mais firmes do setor automotivo brasileiro, anunciados nos últimos meses, são justamente de empresas que estão transformando a indústria nacional, investindo em novas tecnologias e renovando suas linhas de produção para fabricar tais veículos no país, inclusive com a aquisição de plantas industriais desativadas.

“Não faz sentido as autoridades dos principais Estados do país criarem insegurança a empresas que já se comprometeram a gerar empregos de qualidade e trazer inovação tecnológica à indústria brasileira” – disse o presidente da ABVE, Ricardo Bastos.

“Não nos parece sábio essas autoridades darem um sinal de desconfiança à tendência mais relevante do setor automotivo mundial, e esperamos que essas posições sejam reconsideradas”.

“A eletromobilidade é um ecossistema completo. Inclui não só automóveis, mas a nova cadeia produtiva de ônibus elétricos, a vibrante indústria de infraestrutura de recarga elétrica e um promissor setor de mineração” – acrescentou Ricardo Bastos.

Ele lembrou que, em maio, o próprio governador de Minas Gerais lançou na Nasdaq, a bolsa de valores do setor tecnológico de Nova York, o importante projeto do Vale do Lítio.

“Esse lítio é só para ser exportado in natura? Não seria mais adequado essa riqueza servir à produção de baterias, automóveis e ônibus elétricos no Brasil”? – pergunta o presidente da ABVE. 

A ABVE entende que as afirmações do governador de Minas Gerais, segundo quem o veículo elétrico “é uma ameaça” aos empregos, estão em descompasso com a realidade internacional e o desenvolvimento do próprio mercado brasileiro.

Já a decisão do governador de São Paulo de vetar um projeto de lei da Assembleia Legislativa que propunha incentivos à eletromobilidade no Estado, substituindo-o por uma proposta que esquece os veículos elétricos, vai na contramão da via tecnológica mais promissora de combate às mudanças climáticas.

Para a ABVE, o crescente número de emplacamentos de veículos leves elétricos e híbridos nos últimos anos prova que o consumidor brasileiro aposta cada vez mais em produtos modernos e sustentáveis – daí os investimentos no setor.

Esses investimentos estão criando um conjunto amplo de empresas de veículos, componentes, equipamentos e serviços, com um número crescente de startups surgindo a cada dia.

Por fim, a ABVE ressalta que a eletromobilidade não é incompatível com o setor de biocombustíveis. Ao contrário, ela se soma a uma vocação já consolidada da indústria brasileira e potencializa os benefícios de uma das matrizes de geração de eletricidade mais sustentáveis do planeta.

 

São Paulo, 20 de outubro de 2023

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