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14 de junho de 2024

Quanto maior a autonomia dos carros elétricos, maior é o desafio

Visão aérea do Volvo EX90 em um cenário de pedras de um lado e areia do outro, próximo ao litoral

Participação de veículos elétricos no mercado mundial é cada vez maior. Foto: Divulgação/Volvo.

O mercado de veículos elétricos tem ganhado destaque em todo o mundo nos últimos anos, e grande parte desse sucesso está relacionado ao desenvolvimento da tecnologia das baterias e o substancial aumento da autonomia desses veículos. No entanto, um estudo recente da BloombergNEF, publicado pelo EV Markets Reports, alerta para os possíveis desafios que a cadeia de suprimentos de baterias pode vir a enfrentar caso o alcance médio dos VEs continue em crescimento.

Ainda é comum ver que os potenciais consumidores de carros elétricos coloquem em xeque a autonomia desses veículos para tomar a decisão de compra. Não por acaso, entre 2018 e 2022, período em que a participação dos VEs nas vendas globais registrou crescimento, o alcance médio global dos VEs também teve um aumento significativo de 47%, passando de 230 quilômetros para 337 quilômetros, considerando o ciclo EPA, mais comum nos Estados Unidos.

Para atingir essas faixas maiores de alcance, as baterias de íons de lítio que equipam os carros também estão aumentando suas capacidades (e o uso do mineral). Se antes um veículo de porte médio possuía uma bateria de 40 kWh, hoje tem uma bateria de 60 kWh, por exemplo. 

Segundo o estudo da BloombergNEF, essa tendência contínua parece promissora do ponto de vista de uma montadora, à medida em que os consumidores expressam seu desejo por mais alcance. No entanto, se não for controlado, esse aumento no alcance e nos tamanhos das baterias pode representar um desafio substancial para a cadeia de suprimentos dessas baterias.

Gráfico mostra evolução da autonomia dos carros elétricos
Autonomia dos veículos elétricos cresce conforme o desenvolvimento das baterias. Arte: EVMarketsReports.com.

Desafios dos fabricantes

A BloombergNEF destaca três cenários possíveis para o segmento de veículos elétricos no mundo, em relação às baterias. No cenário base, as autonomias médias de VEs vão se estabilizar entre 400 e 500 quilômetros (ciclo EPA) nos próximos anos, dependendo do segmento dos veículos — carros urbanos menores para mercados como da China, do Japão e da Índia devem permanecer com alcances menores.

Já no cenário de crescimento apontado pelo estudo, as autonomias dos VEs podem aumentar aproximadamente 5% ao ano até 2030. Isso representaria um crescimento mais lento que o dos últimos anos, mas ainda assim significativo, especialmente no impacto causado pela mineração do lítio e um consequente aumento nos preços desses veículos.

Outro cenário possível é o de declínio, com uma redução anual de 2% nos alcances médios a partir de 2025, o que seria possível diante de uma melhoria da infraestrutura de carregamento público e pelo aumento da competitividade de preços, de acordo com o estudo.

A BloombergNEF destaca o impacto direto desses cenários na demanda por baterias e matérias-primas como lítio e níquel. No cenário de crescimento, a demanda de bateria em 2030 pode ser quase 50% maior do que no cenário base e 70% maior do que no cenário de declínio. Esse aumento na demanda pode levar a um potencial déficit no mercado de lítio e aumentos acentuados de preços, semelhantes aos observados em 2021 e 2022.

Linha de montagem de veículos em fábrica da Ford nos Estados Unidos
Investimentos na produção de veículos elétricos está alavancando a indústria americana. Foto: Divulgação/Ford.

Desafios dos governantes

O estudo da BloombergNEF oferece sugestões aos formuladores de políticas públicas para que a escalada dos veículos elétricos não se torne um problema maior que a atual necessidade da descarbonização da mobilidade.

Em primeiro lugar, o relatório sugere que os países devem se concentrar em fornecer incentivos de compra para VEs menores e com preços mais baixos, idealmente com um limite de preço vinculado ao custo médio de transação em um determinado mercado. 

Depois, os governos devem investir em infraestrutura pública de carregamento, com mais pontos de recarga em diferentes localidades (como acontece com os postos de combustíveis) para demonstrar aos consumidores que não precisam de alcance excessivo e baterias superdimensionadas. 

Segundo o relatório, opções de carregamento público amplas e confiáveis ​​podem ajudar a eliminar as ineficiências da faixa de compra excessiva, reduzindo assim a pressão na cadeia de fornecimento de baterias.

estacionamento tem diversos pontos de recarga para veículos elétricos
Segundo relatório da BloombergNEF, países devem fortalecer a infraestrutura de recarga. Foto: Divulgação/Freepik.

Sustentabilidade nas ações

Por fim, o estudo da BloombergNEF avalia que, embora o crescimento do alcance médio dos VEs seja uma prova do progresso da mobilidade elétrica, esse desenvolvimento também representa desafios para a cadeia de suprimentos das baterias. 

Assim, é preciso haver um equilíbrio entre os governos, as montadoras e os fornecedores da cadeia de suprimentos, baterias e infraestrutura de recarga para atrair mais consumidores e garantir a viabilidade econômica da transição energética da mobilidade, de forma sustentável para o meio ambiente.

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