Canal VE

24 de abril de 2024

Nova regra para autonomia de carros elétricos gera polêmica

Imagem mostra carro elétrico conectado a carregador em eletroposto

Brasil tem novo padrão de informação de autonomia para carros elétricos. Foto: Divulgação/Volvo.

Um olhar mais atento aos sites das montadoras de carros elétricos nota que, desde o início do ano, as informações sobre as autonomias desses veículos diminuíram. Mas isso não quer dizer que os carros passaram por alguma atualização que os fizeram perder a eficiência, e sim uma nova regra do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), que passa a instituir um desconto de 30% em relação ao valor atestado em laboratório. A medida serviria para divulgar, na hora da compra, o pior cenário possível de condução do motorista e evitar reclamações futuras dos consumidores.

A nova metodologia também serve para unificar as informações sobre o alcance em um padrão único e nacional, a partir do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV). Até então, as montadoras utilizavam os métodos que fossem mais convenientes (como os ciclos europeus WLTP e NEDC, ou o americano EPA, por exemplo). 

A decisão, portanto, tem o objetivo de se adequar não só ao programa Rota 2030, mas também ao Código de Defesa do Consumidor, já que nem sempre o motorista consegue o alcance informado pela fabricante em condições normais de uso.

 

Forma de condução

A “lógica” adotada é que, por ser uma tecnologia nova no mercado, nem sempre o motorista consegue tirar o máximo proveito do carro elétrico, otimizando o alcance. Com isso, o pior cenário apresentado (o desconto de 30% do resultado) estaria relacionado a essa “forma de condução ineficiente” dos motoristas brasileiros.

Vale ressaltar que os testes em laboratório seguem padrões específicos, com o propósito de comparação entre os veículos nas mesmas condições. E isso não se aplica, necessariamente, às condições de trânsito encontradas nas cidades ao redor do mundo, já que cada uma tem características próprias, nem mesmo à forma de condução, já que um motorista é diferente do outro nas acelerações e frenagens, entre outros detalhes.

Assim, o Volvo XC40 Single Motor, que antes tinha como autonomia anunciada 420 quilômetros no Ciclo WLTP, passa a informar o alcance de 231 quilômetros no ciclo PBEV, já considerando a oscilação para baixo dos resultados obtidos entre os testes europeu e brasileiro, e incluindo o desconto de 30% do alcançado no laboratório do Inmetro.

Volvo XC40 estacionado em pátio está conectado a carregador por meio de cabo
Volvo XC40 Single Motor teve redução no valor divulgado de autonomia com novas regras. Foto: Divulgação/Volvo.

 

Como funcionam os testes do Inmetro

A última atualização do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), que classifica os modelos de automóveis quanto à eficiência energética na sua categoria, incluiu 22 modelos elétricos e 78 híbridos (entre automóveis e comerciais leves).

Segundo o Inmetro, a exemplo do que ocorre para refrigeradores, aparelhos de ar condicionado, fogões e fornos a gás, televisores, lâmpadas e outros produtos, os veículos recebem etiqueta com faixas coloridas de ‘A’ (mais eficiente) até ‘E’ (menos eficiente), tanto na comparação relativa dentro de suas categorias quanto na comparação absoluta geral com todos os demais modelos participantes.

Os ensaios com os carros acontecem em dois momentos. No primeiro, realizado em pista, é possível levantar os dados aerodinâmicos dos veículos. No segundo, a medição de consumo é realizada em laboratório, conforme norma ABNT NBR 7024, com ciclos de condução padrão urbano e rodoviário, e combustíveis de referência.

O próprio Inmetro informa que “o consumo efetivo do veículo na ‘vida real’ pode diferir um pouco do valor encontrado na tabela, pois depende de fatores como condições das vias, condições de carga, calibração dos pneus e modo de condução do motorista”. 

Apesar disso, como todos os carros são avaliados nas mesmas condições, a tabela permite comparação precisa entre diferentes modelos. 

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One Comment

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