Canal VE

18 de maio de 2024

Eletroposto precisa dar lucro para sair do papel, diz especialista

Thiago Castilha, de barba grisalha e boné, posa para foto ao lado de estação de recarga

Thiago Castilha, CMO da E-Wolf, diz que responsabilidade por infraestrutura de recarga é de todos. Foto: Divulgação/E-Wolf.

A infraestrutura de recarga de veículos elétricos só vai crescer no Brasil quando houver viabilidade financeira para todos os envolvidos. Pelo menos essa é a opinião de Thiago Castilha, CMO e cofundador da E-Wolf, empresa especializada em soluções de recarga de carros híbridos e elétricos. 

O especialista diz que o segmento de veículos eletrificados tem grande potencial de crescimento no Brasil, haja vista o maior interesse dos consumidores registrado no último ano: um aumento de 41% nas vendas de carros híbridos e elétricos em relação a 2021, de acordo com os dados da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico)

Mas, na opinião do empresário, não basta apenas a vontade do consumidor. É preciso que todos os envolvidos na transição energética assumam responsabilidades, desde o governo até as empresas, especialmente no que diz respeito à infraestrutura de recarga.

“Essa é uma responsabilidade de todos, ou seja, o governo tem que dar incentivos, e a iniciativa privada tem de realizar”, afirma Castilha. “Acima de tudo tem que ter viabilidade econômica. Tem que ter facilidade pra ter eletroposto nas ruas, para fazer a cobrança e ter lucro em cima. Se não tiver viabilidade econômica, a coisa toda não vai pra lugar nenhum”, avalia.

Castilha afirma que o Brasil pode ocupar uma posição de destaque na transição energética da mobilidade, uma vez que é rico em fontes renováveis de energia, como hídrica, eólica e solar, por exemplo, sem contar tecnologias avançadas de combustíveis com origem vegetal, beneficiando a mobilidade sustentável. “Tanto o carro híbrido como o elétrico, no momento em que usa energia limpa, o impacto no meio ambiente é muito menor”, diz.

Carro elétrico está conectado a estação de recarga com o logotipo da E-Wolf
E-Wolf fornece soluções para estações de recarga rápida. Foto: E-Wolf.

 

Confira a entrevista completa  

Canal VE: O Fórum Econômico Mundial, realizado recentemente em Davos, trouxe a perspectiva de crescimento na geração e no uso de energia limpa no mundo. Segundo a Agência Internacional de Energia Renovável (Irena), até 2050, 90% da eletricidade mundial será originária de fontes limpas. O Brasil larga na frente nesse processo, pois as principais fontes de energia já são limpas. Como aproveitar essa vantagem no que diz respeito à mobilidade elétrica?

Thiago Castilha: O Brasil já vem sendo protagonista na questão do meio ambiente. É só olhar os programas de etanol e biodiesel e o que vem sendo construído. E quando a gente fala de energia limpa, como a solar, tem ganhado um protagonismo muito grande, mesmo que às vezes o governo possa incluir taxas novas, dificultar. 

Os painéis solares têm ganhado destaque não só para negócios, mas para os consumidores gerarem sua própria energia. Nesse cenário de energia limpa, olhando para as hidrelétricas, com certeza o Brasil terá destaque mundial. Já é. E vai ser destaque mundial na mobilidade elétrica. Por quê? Tanto o carro híbrido como o elétrico, no momento em que usa energia limpa, o impacto dele no meio ambiente é muito menor. 

Se a gente analisar e comparar um carro flex com um carro elétrico, o elétrico obviamente tem um impacto grande na extração (dos minérios para a fabricação) da bateria, que gera impacto no meio ambiente, mas não emite gases. Se a energia vier de fonte limpa, ou seja, solar, eólico, hidrelétricas, o ciclo de vida do carro elétrico vai emitir muito menos carbono. 

E esse é o grande termo que todo mundo tem que entender: qual é a pegada de carbono. Nós temos o desafio, enquanto indústria, de acompanhar essa evolução e também no nosso ciclo total, diminuir o máximo possível de carbono emitido.

Países da Europa, além de China e Estados Unidos, tiveram incentivos para a transição energética da mobilidade, principalmente por causa do alto nível de emissão de poluentes. De que maneira a pauta do meio ambiente deve ser tratada para gerar ganhos econômicos ao Brasil na eletromobilidade?

A pauta do meio ambiente é muito importante, não só porque a gente atua nesse setor, mas porque a gente vive no mesmo planeta. O cuidado com o meio ambiente tem que estar em destaque. Não à toa a gente tem vivido situações climáticas adversas, como enchentes, furacões fora de época e em locais diferentes, como a Europa, que tem enfrentado enxurradas, por exemplo. Cuidado com o meio ambiente é fundamental. 

Falando do Brasil, esse novo governo tem uma pauta muito mais verde. A gente não sabe efetivamente como vai ser o incentivo, como vai ser o fomento, mas, a partir do momento em que se dá destaque ao meio ambiente, muda toda a energia, toda a direção dos cuidados com isso. Na parte do agro, que o Brasil é líder mundial, tem um impacto financeiro muito grande quando você respeita o meio ambiente, pois existem selos e qualificações de países que remuneram melhor o alimento, que se você não atende, não vai vender pra eles. Então, de maneira geral, a perspectiva para esse ano é muito boa, uma vez que a gente tem um governo mais alinhado às questões ambientais.

Estação de recarga em primeiro plano, com carro elétrico vermelho ao fundo
Estrutura de recarga no Brasil ainda é um entrave para a mobilidade elétrica. Foto: Divulgação/E-Wolf.

 

No último ano, o Brasil teve um aumento de 41% na venda de veículos eletrificados em relação ao ano anterior, segundo a ABVE, o que demonstra maior interesse dos consumidores. Porém, a falta de infraestrutura de recarga ainda é um entrave para que a participação de veículos eletrificados seja ainda maior. Quem deve ser o responsável pela maior oferta de pontos de recarga: governo ou iniciativa privada? Por quê?

Essa pergunta é muito importante. A gente teve um crescimento expressivo na venda de veículos eletrificados, tanto plug-in como não plug-in no ano passado, e a tendência é aumentar. Eu arrisco dizer que não vendeu mais porque a indústria ainda está descompassada e não teve capacidade de entregar mais carros. O carro elétrico tem um nicho de mercado importante, tanto por consumidores alinhados à questão ambiental como alinhado à redução de custos, e também consumidores que gostam de inovação e tecnologia. Os carros elétricos e híbridos são muito legais. Eles têm desempenho, segurança e um monte de gadgets que incentivam o consumo. 

Sobre a infraestrutura de recarga, esse é um grande entrave na questão de deslocamento. A pessoa que vai fazer uma viagem maior, além da parada, depende de o carregador estar funcionando. Na nossa opinião, essa é uma responsabilidade de todos, ou seja, o governo tem que dar incentivos, e a iniciativa privada tem de realizar. 

Algumas montadoras como a Volvo, a BYD, A Renault, etc, estão incentivando a entrada e realização desses hubs de recarga. A visão é essa: o governo tem que asfaltar e a iniciativa privada tem de rechear essas estradas com eletropostos para atender. Pode e deve ter fomento das montadoras, afinal de contas é importante para o negócio delas, mas acima de tudo tem que ter viabilidade econômica. Tem que ter facilidade pra ter eletroposto nas ruas, para fazer a cobrança e ter lucro em cima. Se não tiver viabilidade econômica, a coisa toda não vai pra lugar nenhum.

Como a E-Wolf tem trabalhado para fomentar o conhecimento e os benefícios da mobilidade elétrica no Brasil?

A gente tem feito o nosso trabalho ponto a ponto, participando de fóruns, lives, orientando consumidores. Hoje nossa força comercial tem um tempo significativo durante o atendimento para explicar para o consumidor que comprou um carro elétrico como que ele vai carregar na casa dele, como ele pode carregar no comércio, como faz para viajar. 

As maiores dúvidas hoje não são sobre o equipamento, mas sim como fazer para carregar o carro, que tipo de carregador atende melhor o carro, e na rua como funciona. Nós temos como compromisso contribuir para essa geração de conhecimento, sempre com muita transparência. A E-Wolf acredita que o carro elétrico pode ajudar e muito a reduzir as emissões de carbono, desde que se use energia limpa. 

Nós acreditamos que o Brasil já está tendo um grande crescimento no setor de eletrificados, com híbridos e elétricos, e para isso entregamos o nosso melhor, sempre comprometido com o consumidor. Aqui a gente tem como lema conectar o Brasil com o futuro. É o que fizemos nos últimos anos e vamos continuar.

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