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24 de abril de 2024

Da ideia à realidade: saiba como um circuito de Fórmula E é criado

carros da Fórmula E aceleram por reta em circuito de rua

Circuito de rua montado na Cidade do Cabo, uma das pistas estreantes da temporada da Fórmula E. Foto: On Board Sports/Fórmula E.

Desde seu nascimento, a Fórmula E é conhecida por quebrar as tradições das principais categorias do automobilismo mundial.  

Diferentemente de outros campeonatos baseados em autódromos, a grande maioria das pistas visitadas pela Fórmula E são temporárias, construídas no coração de algumas das principais cidades do mundo, montadas e homologadas na véspera do evento, graças a uma estreita colaboração entre a FIA, a Fórmula E, a Autoridade Nacional de Esportes (ASN) e o promotor local.

Na atual temporada, São Paulo é a terceira cidade na sequência a receber pela primeira vez a categoria, depois de Hyderabad, na Índia, e Cidade do Cabo, na África do Sul. Antes, a Fórmula E já havia realizado provas na Cidade do México e em Diriyah, na Arábia Saudita, onde foram realizadas duas etapas no mesmo fim de semana. A 9ª temporada reserva 16 etapas ao todo no calendário.

Mas, para sediar uma etapa, muito trabalho precisa ser realizado com antecedência. O processo para se juntar ao Mundial geralmente começa cerca de 18 meses antes da corrida projetada, quando um representante da cidade anuncia seu interesse ao promotor do campeonato, a Fórmula E. 

Oli McCrudden é o Diretor de Desenvolvimento da Cidade na Fórmula E, responsável por gerenciar os relacionamentos com a cidade durante essa fase inicial.

“É um pouco como namorar. Ambos os lados têm uma ideia clara do que querem que o futuro pareça, mas primeiro eles precisam ter certeza de que estão com alguém que compartilha a mesma visão. Requer comunicação aberta, colaboração, compreensão e compromisso. Todas essas qualidades que são vitais para um relacionamento pessoal bem-sucedido realmente se aplicam em grande escala em nosso mundo e estabelecem as bases para uma parceria forte e frutífera”, disse o executivo.

Carro laranja e preto da McLaren passa próximo a muro de proteção de circuito
Jake Hughes, da equipe McLaren, acelera pelas ruas da Cidade do Cabo. Foto: On Board Sports/Divulgação.

 

Planejamento e organização

Um designer de pista é então contratado para elaborar uma proposta de circuito, que é posteriormente revisada pela Fórmula E por meio de um estudo de viabilidade — levando em consideração as condições prévias descritas no Apêndice O do Código Internacional de Esportes da FIA, o grau de trabalho civil necessário e a posição das principais estruturas. Os contratos são trocados assim que todas as questões são claramente respondidas.

Nove meses antes do evento, a ASN envia um pedido formal de homologação ao Departamento de Segurança da FIA, que por sua vez nomeia um Inspetor de Circuito da FIA e realiza simulações com base no desenho fornecido pelo designer para validar as várias características de segurança do circuito, desde barreiras de proteção até áreas de escape, sugerindo quaisquer alterações necessárias.

A Comissão de Circuitos da FIA — uma organização composta por especialistas em segurança de circuitos de ASN em todo o mundo — avalia ainda mais o documento produzido pelo Departamento de Segurança, e com quatro meses restantes até a luz verde, o Inspetor Oficial de Circuito da FIA, especialistas da FIA e funcionários da Fórmula E visitam o local para aprovar o layout do circuito e todas as estruturas periféricas, incluindo as localizações das garagens dos boxes, controle de corrida e o centro médico.

O próximo passo é definir o plano de segurança do evento em conjunto com a ASN local, calculando o número de bandeirinhas e bombeiros necessários para potenciais situações de interrupções e segurança. O Departamento Técnico da FIA, então, realiza simulações com o último layout do circuito cerca de um mês e meio antes do E-Prix para determinar o comprimento da corrida; caso não haja zonas de frenagem suficientes para regeneração de energia, modificações adicionais podem ser solicitadas.

carro da Maserati está parado em frente aos boxes da equipe
Equipe Maserati trabalha nos boxes. Foto: On Board Sports/Fórmula E.

 

Preparação das equipes

Depois que o layout final é validado por todas as partes, o Departamento Esportivo da FIA o compartilha — um mês antes do evento — com as equipes do campeonato, que subsequentemente começam suas próprias preparações em simuladores e têm a oportunidade de relatar quaisquer preocupações significativas.

Duas semanas antes da corrida e com supervisão da Fórmula E, a construção da pista começa, com especialistas da FIA se juntando para a fase final para aprovar as características de segurança do circuito e fazer quaisquer mudanças práticas de última hora, como adicionar barreiras de segurança ou modificar o acesso de veículos de resgate.

Lucas di Grassi, com roupa branca, e Sérgio Sette Câmara, de roupa azul marinho, conversam animadamente com o sambódromo do Anhembi ao fundo
Lucas di Grassi (à esq.) e Sérgio Sette Câmara são os representantes do Brasil na Fórmula E. Foto: Divulgação/On Board Sports.

 

Últimos ajustes

Na quinta-feira de manhã da semana da corrida, é realizada uma caminhada na pista com todas as partes interessadas relevantes — o Diretor de Corrida da FIA, o Motorista do Carro de Segurança, o Delegado Esportivo e o Delegado de Segurança Eletrônica, bem como os construtores do circuito e a equipe da Fórmula E — para garantir que todos estejam familiarizados com o layout e permitir quaisquer correções de última hora.

No dia seguinte, o Inspetor de Circuito da FIA, Scot Elkins — que também desempenha o papel de Diretor de Corrida da FIA Fórmula E — confirma que a pista foi construída de acordo com o plano de referência final que foi aprovado em princípio pela Comissão de Circuitos da FIA. Ele produz um relatório de inspeção exaustivo e, desde que todos os critérios sejam atendidos, solicita a liberação da licença do circuito, assinada pelo Presidente da FIA, antes do Shakedown. A ação na pista pode, então, ocorrer.

Em meio a fogos, piloto estoura champanhe para celebrar vitória
Antonio Felix da Costa, da equipe TAG Heuer Porsche, comemora vitória na Cidade do Cabo. Foto: On Board Sports/Fórmula E.

 

Trabalho até depois da prova

Vários meses depois, um grupo de revisão de pista, composto por membros da FIA, Fórmula E e três representantes de pilotos, se reúne para discutir melhorias potenciais no circuito para edições futuras.

“A Fórmula E é única no mundo do esporte motorizado a correr predominantemente em pistas temporárias dentro das cidades. Isso exige uma abordagem completamente diferente para a construção e aprovação da pista, que ocorre em um período comparativamente curto de tempo”, explica Elkins.

“Durante esse período, muito precisa ser feito para garantir que o circuito em questão seja acima de tudo seguro e construído em conformidade com os padrões gerais esperados em um Campeonato Mundial da FIA. Durante todo o processo, a FIA trabalha em estreita colaboração com a Fórmula E, bem como o promotor local e ASN, e o sucesso das novas corridas recentes em Hyderabad e Cidade do Cabo é um testemunho da eficiência dessa colaboração.”

Resta a torcida para que São Paulo também repita o sucesso das outras novatas do calendário.

Mapa do circuito de rua que será montado no entorno do Sambódromo do Anhembi. Foto: Divulgação/Fórmula E.
Mapa do circuito de rua montado no entorno do Sambódromo do Anhembi. Foto: Divulgação/Fórmula E.

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