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Montadoras apontam travas na indústria de elétricos no Brasil

Executivos sentados em palco montado no evento

Executivos debatem a competitividade da indústria brasileira no Latam Mobility 2026. Foto: Rubens Morelli/Canal VE.

Executivos de montadoras que atuam no país afirmam que o avanço da eletromobilidade no Brasil depende de três fatores: ganho de escala, evolução tecnológica e fortalecimento da cadeia produtiva local. Sem essa combinação, o país corre o risco de perder competitividade e se consolidar apenas como mercado consumidor.

O tema foi debatido em um dos painéis mais concorridos do Latam Mobility & Net Zero Brasil 2026, que reuniu representantes da indústria automotiva para discutir a produção regional e a transição para veículos de baixa e zero emissão, com a presença de executivos da BYD, GWM, GAC e Stellantis, além do Instituro PARAR. 

 

Falta de escala limita competitividade

Um dos principais entraves apontados pelos participantes é a baixa escala de produção no Brasil em comparação com mercados mais maduros.

De acordo com Alex Machado, da GAC, o volume atual da indústria nacional ainda é insuficiente para sustentar um ciclo contínuo de desenvolvimento tecnológico.

“O Brasil produz cerca de 2 milhões de veículos por ano, enquanto a China ultrapassa 20 milhões. Sem essa escala, fica muito difícil acompanhar o ritmo de evolução do mercado global”, afirmou.

Segundo ele, a ausência de volume impacta diretamente o custo dos veículos e a capacidade de inovação da indústria. “Enquanto não tivermos escala, não conseguiremos reduzir custos nem sustentar novos ciclos de desenvolvimento.”

Executivos de montadoras com atuação no Brasil participaram de painel no Latam Mobility 2026. Foto Divulgação/Latam Mobility.

Cadeia de fornecedores é fundamental

A necessidade de fortalecer a indústria local de autopeças também foi destacada como essencial para garantir competitividade. Marcio Alfonso, da GWM Brasil, ressaltou a complexidade da cadeia produtiva e o papel das montadoras na sua sustentação.

“Hoje trabalhamos com mais de 60 fornecedores diretos e mais de 1.100 itens envolvidos na produção. A montadora precisa mostrar o caminho, mas também apoiar o ecossistema para que ele continue investindo.”

Segundo o executivo, sem uma cadeia estruturada, a indústria nacional perde capacidade de se manter sustentável no longo prazo.

“Precisamos incentivar o empreendedor da autopeça, porque é isso que sustenta uma indústria forte no país.”

 

Transferência de tecnologia ganha espaço

A entrada de novas fabricantes no Brasil, especialmente as chinesas, foi apontada como um fator que pode impulsionar a modernização do setor. Werner Schaal, da BYD/Denza, destacou que o movimento vai além da comercialização de veículos e inclui investimentos em tecnologia.

“Estamos falando de transferência de tecnologia e desenvolvimento local. A BYD, por exemplo, já anunciou a criação de um centro de pesquisa e desenvolvimento no Brasil.”

Ele também destacou a mudança no comportamento do consumidor brasileiro. “O mercado ainda é instável, mas o consumidor está mais aberto a novas tecnologias, principalmente quando há ganho econômico e benefícios ambientais.”

Executivo fala ao microfone em cima do palco
Werner Schaal, da BYD, defendeu a transferência de tecnologias. Foto: Divulgação/Latam Mobility.

Carro conectado impõe novos desafios

Outro ponto de destaque foi a transformação do automóvel em um produto altamente tecnológico e conectado. João Irineu, da Stellantis, comparou a evolução do setor à revolução dos smartphones.

“Estamos vivendo uma transição semelhante à do BlackBerry para o iPhone. O carro deixou de ser apenas mecânico e passou a ser um sistema digital, conectado e capaz de tomar decisões.” Segundo ele, essa mudança traz novos desafios, especialmente relacionados à segurança. “Hoje o veículo está conectado à nuvem e sujeito a riscos como ataques cibernéticos. Isso exige uma nova abordagem da indústria.”

 

Formação de profissionais é prioridade

A necessidade de mão de obra qualificada foi outro ponto recorrente nas discussões. Para Irineu, o avanço tecnológico exige uma transformação rápida na formação de profissionais.

“Precisamos evoluir em poucos anos o que não evoluímos em décadas. Isso passa pela formação de engenheiros, desenvolvimento de novas competências e adaptação da cadeia produtiva.”

Milad Kalume Neto, do Instituto PARAR, reforçou que o Brasil possui base científica relevante, mas precisa integrá-la melhor à indústria.

“Temos pesquisadores trabalhando com baterias na Unicamp e com hidrogênio na USP. Existe conhecimento no país, mas precisamos conectar isso à cadeia produtiva.”

Para Kalume Neto, o país deve consolidar sua posição regional antes de avançar globalmente. “O Brasil já é o principal polo da América do Sul, mas precisa se fortalecer. Primeiro o mercado interno, depois a região”, disse. 

“Precisamos usar a chegada das empresas chinesas a nosso favor, fortalecendo a indústria local e ampliando nossa competitividade.”

 

Latam Mobility & Net Zero Brasil 2026

Em dois dias de evento, o Latam Mobility & Net Zero Brasil 2026 reuniu executivos, líderes, formadores de opinião e representantes da indústria da mobilidade elétrica no Transamérica Expo Center, em São Paulo, entre 15 e 16 de abril de 2026.

O evento reuniu mais de mil participantes e foi marcado por debates técnicos e networking entre empresas do setor.

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