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Infraestrutura de recarga no Brasil se prepara à nova geração de VEs

Carregador elétrico no meio de alguns carros

Tensão elétrica de novos modelos demanda atualizações na infraestrutura. Foto: Divulgação/E-Wolf

A E-Wolf projeta um crescimento de 40% nas vendas de carregadores em 2026. O motivo para a maior demanda, segundo a empresa, é a necessidade de adaptação da infraestrutura a modelos elétricos de 800 V.

Com o avanço desse tipo de arquitetura — com mais tensão elétrica — parte das estações de recarga podem ter de atualizar seus sistemas de operação, uma vez que são mais voltados para abranger veículos de 400 V. Essa diferença acarreta em uma limitação do tempo de carregamento de carros mais modernos.

“A discussão deixou de ser apenas quantidade de carregadores. Agora, o mercado começa a entrar numa nova fase, em que a capacidade tecnológica da infraestrutura passa a ser decisiva. Em pouco tempo teremos uma frota mista circulando no Brasil, com veículos de 400 V e 800 V compartilhando os mesmos pontos de recarga”, prevê Thiago Castilha, diretor de marketing da E-Wolf.

 

Ampliação da frota exige mais da infraestrutura

A mudança descrita ocorre em meio ao avanço da eletromobilidade no Brasil. De acordo com dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), no primeiro quadrimestre de 2026 (janeiro a abril), foram emplacados 90.887 modelos elétricos (BEV) ou híbridos plug-in (PHEV), eletrificados que necessitam de recarga externa. O número representa um crescimento de 101,3% em relação aos emplacamentos de veículos plug-in no mesmo período do ano anterior, em que foram comercializadas 45.141 unidades.

O avanço da frota, portanto, amplia a pressão sobre a infraestrutura de recarga pública, podendo gerar mais filas e reduzir a eficiência caso as adaptações necessárias não aconteçam.

Segundo Castilha, a transição tecnológica exigirá uma atualização gradual da infraestrutura brasileira. “Muitos carregadores atuais conseguem atender os novos veículos, mas sem entregar toda a capacidade de recarga ultrarrápida que a arquitetura 800 V permite. O motorista pode até carregar o veículo, mas nem sempre aproveitará a velocidade máxima de carregamento”, explica.

“Ao elevar a tensão para 800 V, é possível aumentar significativamente a potência sem elevar proporcionalmente a corrente elétrica. Isso reduz perdas, melhora a eficiência térmica e acelera a recarga”, detalha Castilha.

 

Coexistência das arquiteturas de 400 V e 800 V

Para a E-Wolf, a expectativa é que o mercado consiga englobar simultaneamente os carros de 400 V e 800 V, com adoção gradual das plataformas de maior tensão. Isso cria uma outra adaptação necessária para operadores de recarga: garantir compatibilidade ampla e automática entre carros de diferentes perfis.

Em um relatório recente monitorado pela companhia, das 638 recargas realizadas em uma estação, 18 ocorreram acima de 500 V — indicativo da presença crescente de veículos com arquiteturas mais elevadas utilizando a rede pública.

“Essa transformação já começou. O mercado brasileiro ainda está construindo sua infraestrutura de mobilidade elétrica, e existe uma oportunidade importante para preparar os eletropostos para a próxima geração de veículos, evitando gargalos tecnológicos nos próximos anos”, conclui o executivo.

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