Avanço da eletrificação nos últimos anos configura uma mudança no mercado global. Foto: Divulgação / FreePik
Comprar um carro elétrico sem pagar os juros elevados do financiamento tradicional virou um dos principais argumentos do mercado de consórcios no Brasil. Em meio ao crescimento acelerado dos veículos eletrificados no país, empresas do setor passaram a apresentar a modalidade como alternativa para consumidores que buscam planejamento financeiro e parcelas mais baixas.
Uma simulação divulgada pelo Mycon, administradora de consórcios regulada pelo Banco Central do Brasil, aponta que a compra de um veículo eletrificado de R$ 120 mil por meio de consórcio pode gerar economia superior a R$ 60 mil em comparação ao financiamento. No exemplo, o consumidor utilizaria um carro usado de R$ 40 mil como entrada e contrataria uma carta de crédito de R$ 80 mil.
Nesse cenário, as parcelas seriam de R$ 1.089,06 em um prazo de 83 meses, considerando taxa de administração de 0,16% ao mês. O custo total da operação ficaria em aproximadamente R$ 90 mil ao longo do período.
Já no financiamento tradicional, utilizando as mesmas condições e uma taxa média de 1,8% ao mês, as parcelas poderiam chegar a cerca de R$ 1.850 mensais, elevando o custo final para aproximadamente R$ 154 mil.
Mercado em expansão
O avanço dos consórcios acompanha o crescimento dos carros elétricos e híbridos no Brasil. Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) mostram que o mercado brasileiro fechou 2025 com 223.912 veículos eletrificados vendidos, alta de 26% em relação ao ano anterior.
Somente em março, foram 35.356 unidades comercializadas no país, crescimento de 42% sobre fevereiro e de 146% na comparação anual.
A chegada de novas montadoras, a expansão da infraestrutura de recarga e a redução gradual nos preços dos modelos ajudaram a ampliar o interesse dos consumidores pelos eletrificados, que começam a disputar espaço até mesmo com veículos populares e seminovos.
“Estamos diante de uma mudança estrutural na mobilidade. O carro elétrico deixa de ser um nicho e passa a fazer parte do radar do consumidor. O consórcio entra como um facilitador dessa transição, permitindo que o cliente se planeje e acesse um veículo mais eficiente, moderno e sustentável sem o peso dos juros”, afirma Bruno Borges, CPO e CMO da empresa.
Tempo de espera
Apesar do custo final menor, o consórcio ainda gera dúvidas por conta do prazo de contemplação, tendo uma espera maior enquanto novos modelos mais tecnológicos vão sendo lançados.
Ao contrário do financiamento, em que o veículo é liberado imediatamente após aprovação do crédito, o consórcio depende de sorteios ou lances, o que pode fazer o consumidor esperar meses para acessar a carta de crédito.
Por outro lado, consumidores que já possuem um veículo usado, não têm urgência na troca e querem evitar juros elevados, podem encontrar na modalidade uma forma mais previsível de planejamento financeiro.
“Quando olhamos para a mobilidade hoje, não é só sobre ter um carro, mas sobre como esse ativo se encaixa no dia a dia e no bolso do consumidor. O consórcio permite exatamente isso: planejamento, previsibilidade e acesso a tecnologias mais avançadas”, completa Bruno Borges.

Jornalista graduada pela UNIP desde 2023. Atuou como repórter em veículos de comunicação na região de Campinas com experiência em impresso, digital e TV. Acompanha o mercado de veículos elétricos para o Canal VE.