Micromobilidade elétrica é eficiente em deslocamentos curtos no ambiente urbano. Foto: Freepik
Em meio à situações de alta no combustível no Brasil, bicicletas elétricas (e-bikes) surgem como alternativa mais barata na micromobilidade urbana. Segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA) e da Federação Europeia de Ciclistas (ECF), o custo estimado de recarga e manutenção básica destes equipamentos varia entre R$ 0,05 e R$ 0,10 por km rodado.
Por outro lado, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o litro da gasolina comum no Brasil variou entre R$ 5,50 a R$ 6,10 em média, entre 2024 e o início de 2026. Neste ano, alguns estados registraram preços acima dos R$ 7,00 no combustível, alta motivada por fatores como o conflito entre Estados Unidos e Irã.
Impacto ambiental é profundamente mais sustentável
Além da variável econômica, as e-bikes são ambientalmente mais sustentáveis. Enquanto veículos a combustão, em ambiente urbano, emitem entre 120 e 180 gramas de CO₂ por km, as bicicletas elétricas apresentam emissões indiretas estimadas em valores até 95% menores, dependendo da matriz energética local.
As análises partem de fatores de emissão consolidados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e de dados de intensidade de carbono do sistema elétrico brasileiro do Ministério de Minas e Energia (MME) e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
Bicicletas elétricas avançam conforme a lógica nacional
Para Rodrigo Affonso, co-fundador do Grupo Lev, do ramo de mobilidade elétrica leve no Brasil, o avanço das e-bikes está diretamente ligado à combinação entre baixo custo e eficiência urbana. “O que estamos vendo em 2026 é uma mudança de racionalidade. O consumidor não está apenas olhando para sustentabilidade, mas para previsibilidade de custo. Quando o transporte a combustão fica mais caro e instável no dia a dia, a e-bike deixa de ser alternativa e passa a ser solução lógica para a cidade”, afirma.
O executivo ainda destaca o bom desempenho de e-bikes em cidades com congestionamentos urbanos. “A expansão das e-bikes não representa apenas uma alternativa ao transporte tradicional, mas um vetor adicional na transformação estrutural da forma como deslocamentos são planejados e utilizados nos centros urbanos”, conclui Affonso, salientando a maior demanda por padronização, integração com sistemas urbanos, ciclovias, pontos de recarga e políticas de incentivo ao uso diário.

Estudante de jornalismo na PUC-Campinas. Atuou como redator, repórter, social media e assessor de imprensa na área de esportes. Estagiário no Canal VE.