Abastecer o carro a combustão pode custar mais caro. Foto: Divulgação/Marcelo Camargo/Agência Brasil.
A escalada das tensões no Oriente Médio fez disparar o preço do petróleo no mercado internacional. O barril do tipo Brent, referência global para os preços de combustíveis, saltou de cerca de US$ 70 para quase US$ 100 em março de 2026, ampliando a pressão sobre gasolina e diesel e reforçando o interesse por alternativas como carros elétricos e híbridos.
No Brasil, essa vantagem é ainda mais evidente devido ao custo relativamente baixo da eletricidade e à alta participação de fontes renováveis na matriz elétrica. Como a gasolina acompanha as oscilações do petróleo no mercado internacional, períodos de alta costumam ampliar a diferença de custo entre veículos a combustão e elétricos.
“Uma alternativa ao preço alto dos combustíveis é a eletromobilidade, que diminui a demanda por petróleo e gás e aumenta a utilização de fontes energéticas mais baratas e sustentáveis”, afirma o CEO do Energy Summit, Hudson Mendonça.
O diretor geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), Sandoval Feitosa, também destaca que a eletrificação da mobilidade pode contribuir para reduzir vulnerabilidades energéticas.
“A escalada de tensões envolvendo conflitos no Oriente Médio coloca em risco o abastecimento a partir do Estreito de Ormuz, onde circula 20% do petróleo comercializado no planeta. Quando esta rota é ameaçada, o mundo inteiro sente. A inflação aumenta e as economias ficam inteiramente vulneráveis. Portanto, eletrificar a mobilidade é também fortalecer a segurança energética do país”, disse Feitosa, durante reunião pública da ANEEL.
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Impacto na mobilidade elétrica brasileira
Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), somente em 2025, foram 224 mil novas unidades de VEs emplacadas, o que mostra o avanço contínuo da eletrificação no país.
No mundo, a expectativa também é de expansão. Segundo a BloombergNEF, a projeção para 2026 é que os veículos elétricos (VEs) atinjam 24,3 milhões de unidades vendidas globalmente, o que representaria um crescimento de 12% sobre o resultado de 2025.
Outro fator que favorece o mercado brasileiro de veículos elétricos é a maior concorrência de marcas e modelos. Isso tem provocado uma guerra silenciosa de preços, muitas vezes se aproximando dos preços praticados por modelos similares a combustão.
Eficiência energética pesa na decisão
Além do custo da eletricidade, a eficiência energética também favorece os veículos elétricos. Enquanto motores a combustão convertem cerca de 20% a 30% da energia do combustível em movimento, os motores elétricos podem ultrapassar 90% de eficiência energética.
“O motor elétrico é muito mais eficiente. A maior parte da energia vira movimento, enquanto nos motores a combustão há perdas térmicas significativas”, explica Mendonça.
Energia solar amplia economia
Para quem possui um sistema de energia fotovoltaica na própria residência, o custo de carregar um carro elétrico se torna significativamente menor, haja vista que a energia solar gerada fornece grande parte da carga necessária para suprir a autonomia de um VE.
“Se você tiver um painel solar em casa, o custo para recarregar o motor elétrico, depois que você amortiza o investimento, é literalmente zero. Você roda com o veículo, o painel gera energia e, quando você volta, ele recarrega o carro. Esse é o ciclo”, conclui Hudson.

Estudante de jornalismo na PUC-Campinas. Atuou como redator, repórter, social media e assessor de imprensa na área de esportes. Estagiário no Canal VE.