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25 de fevereiro de 2024

ABVE: Brasil está preparado para demanda de ônibus elétricos

Ônibus elétrico da Eletra utilizado no transporte coletivo de São Paulo tem a cor cinza

Transwolff terá mais ônibus elétricos em sua frota a partir de 2023. Foto: Divulgação/Transwolff.

A Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) entrou na polêmica envolvendo a proibição da compra de novos ônibus movidos a diesel para o transporte público na cidade de São Paulo (SP) e emitiu nota afirmando que a indústria brasileira é capaz de atender a demanda por ônibus elétricos.

“A ABVE reafirma a plena capacidade da cadeia produtiva nacional de responder com rapidez e eficiência a todas as exigências da Lei Municipal 16.802/2018, que fixou metas anuais de transição da frota de ônibus a diesel para veículos de baixa emissão”, diz o texto assinado pelo presidente da Associação, Adalberto Maluf.

“Empresas instaladas no País, como BYD, Eletra, WEG, Scania, Mercedes-Benz, Moura, Caio, Marcopolo e outras estão plenamente qualificadas e aptas a produzir mais de 2 mil ônibus elétricos por ano”, afirma a nota.

De acordo com a entidade, as empresas pagam impostos e geram empregos em território nacional, além de assegurar assistência técnica e reposição aos operadores de transporte público em todo o país.

A nota da entidade serve como resposta ao secretário executivo de Mudanças Climáticas da própria Prefeitura de São Paulo, Antonio Fernando Pinheiro Pedro, que afirmou ter se surpreendido com o anúncio da SPTrans, empresa responsável pelo transporte coletivo de passageiros da capital paulista. 

Em entrevista ao programa “Olhar de Repórter”, da Band, o secretário colocou em dúvida se as indústrias instaladas no Brasil conseguiriam suprir a necessidade das concessionárias de transporte público da cidade.

“Essa capacidade tem sido reiterada a cada dia, com novos modelos de ônibus elétricos apresentados ao público, novas empresas brasileiras entrando no mercado de transporte público e novos desafios tecnológicos sendo superados”, concluiu a nota.

Ônibus elétrico que atua em São Paulo sai de garagem
Ônibus elétricos na capital paulista são minoria. Foto: Divulgação.

Entenda a polêmica

A decisão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), que passou a valer em 17 de outubro de 2022, visa fortalecer a transição energética da mobilidade urbana, mas gerou críticas por parte de concessionárias do transporte coletivo da capital paulista.

Atualmente, São Paulo tem cerca de 14 mil ônibus atuando no sistema de transporte municipal. Desses, 219 são elétricos, mas somente 18 são movidos com baterias recarregáveis, enquanto a maioria é de trólebus, que utilizam linhas aéreas como fonte de energia.

De acordo com o artigo 50 da Lei de Municipal de Mudanças Climáticas, em 2028, a capital paulista deverá atingir redução de 50% das emissões totais de dióxido de carbono (CO2) em relação aos índices de 2016. 

Para conseguir esse número, o prefeito Ricardo Nunes espera contar com 2,6 mil veículos elétricos, o que equivale a 20% da frota, atuando no transporte da cidade em 2024, no fim de seu mandato.

Ônibus elétricos circulam por avenida de São Paulo
Prefeitura de São Paulo quer contar com 2,6 mil ônibus elétricos até 2024. Foto: Divulgação.

Leia a nota na íntegra:

Indústria brasileira está preparada para atender a demanda por ônibus elétricos

Cadeia produtiva nacional pode produzir mais de 2 mil veículos/ano

A Associação Brasileira do Veículo Elétrico vem a público reiterar o compromisso da indústria brasileira de ônibus elétricos de atender às demandas por transporte público sustentável no Município de São Paulo e em qualquer outra cidade do Brasil.

A propósito de manifestações recentes sobre o tema do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, e do secretário executivo de Mudanças Climáticas da Prefeitura paulistana, Antonio Fernando Pinheiro Pedro, a ABVE reafirma a plena capacidade da cadeia produtiva nacional de responder com rapidez e eficiência a todas as exigências da Lei Municipal 16.802/2018, que fixou metas anuais de transição da frota de ônibus a diesel para veículos de baixa emissão.

Empresas instaladas no País, como BYD, Eletra, WEG, Scania, Mercedes-Benz, Moura, Caio, Marcopolo e outras estão plenamente qualificadas e aptas a produzir mais de 2 mil ônibus elétricos por ano.

São empresas que pagam impostos e geram milhares de empregos em território nacional, além de assegurar assistência técnica e reposição aos operadores de transporte público em todas as regiões do Brasil. 

A ABVE entende que as declarações do prefeito e a recente circular divulgada pela SPTrans, proibindo a contratação de novos ônibus a diesel na cidade de São Paulo, limitam-se a reiterar os termos da Lei 16.802 e as regras da atual licitação para renovar os contratos de concessão com as operadoras de transporte.

Por isso mesmo, apoia sem reservas a manifestação do prefeito Ricardo Nunes e seu compromisso de eletrificar até 20% da frota paulistana de ônibus até 2024.

A ABVE lembra que já em 2017 – portanto, antes do anúncio da Lei 16.802 – havia enviado ao Ministério Público do Estado de São Paulo documento assegurando a plena capacidade da indústria brasileira de produzir até 2 mil ônibus elétricos/ano e, assim, responder às metas de descarbonização da frota paulistana de transporte público.

Essa capacidade tem sido reiterada a cada dia, com novos modelos de ônibus elétricos apresentados ao público, novas empresas brasileiras entrando no mercado de transporte público e novos desafios tecnológicos sendo superados.

O mais recente desses desafios, aliás, foi alcançado pela WEG, uma empresa 100% brasileira, que anunciou a capacidade de fornecer baterias elétricas produzidas no País para ônibus elétricos fabricados em território nacional.

Cabe destacar, ademais, que outras empresas, como BYD e Moura, também se posicionam para assegurar o fornecimento das baterias elétricas requeridas pelo mercado nacional de ônibus de baixa emissão.

Para a ABVE, o Brasil já tem todas as condições de posicionar-se como um importante ator no mercado global de transporte urbano sustentável, com solidez, experiência e tecnologia comprovada.

Cabe agora ao Poder Público pôr em prática as leis já em vigor e dar as garantias mínimas para que a indústria já instalada no País possa fazer a sua parte na grande tarefa de assegurar transporte público limpo e sustentável para as cidades brasileiras.

São Paulo, 25 de outubro de 2022

Adalberto Maluf

Presidente da ABVE

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