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Recarga rápida pública cresce 167% em um ano no Brasil

dolphin carregando

Avanço dessa infraestrutura é essencial para a expansão da eletromobilidade. Foto: Gustavo Cabral / Canal VE

A recarga rápida pública de veículos eletrificados cresceu 167% em um ano no Brasil, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e da Tupi Mobilidade. Atualmente, o país já conta com 21.061 estações de recarga, das quais 31% oferecem carregamento rápido.

O número total de eletropostos – lentos, rápidos e ultrarrápidos – registrou um crescimento de 25% sobre o total de agosto de 2025, mês do último levantamento divulgado pela ABVE, que contabilizava 16.880 unidades. Comparando com fevereiro de 2025 (14.827), quando haviam 14.827 estações, o salto é de 42%.

Com a atualização, a relação entre o total de veículos de motorização elétrica que dispõem de recarga externa em circulação no Brasil até fevereiro de 2026 (411.869) e o total de eletropostos (21.061) chega a 19,6/1.

“É uma boa proporção para a realidade atual do mercado brasileiro, porém ainda distante da meta ideal de 10/1, que exigiria o dobro de pontos de recarga. Os números, no entanto, mostram que a rede pública de eletropostos continua em pleno crescimento, melhorando em qualidade e se espalhando gradativamente pelas diferentes regiões do país”, avalia Davi Bertoncello, diretor de Comunicação da ABVE e sócio fundador da Tupi Mobilidade, enfatizando a importância dessa infraestrutura crescer ainda mais.

 

Recarga rápida

O avanço de carregadores rápidos e ultrarrápidos, de corrente contínua (DC), se destaca nesse cenário. Em fevereiro de 2025, eram 2.430 pontos. 12 meses depois, já são 6.479.

A estatística indica que os carregadores DC, portanto, já abrangem 31% do total da base nacional de eletropostos públicos e semipúblicos. Em relação ao mesmo mês do ano passado, essa infraestrutura representava apenas 16% do total da época. Em 2024, o percentual estava abaixo de um dígito, segundo a ABVE.

O levantamento aponta ainda que os carregadores lentos compõem a maioria da base nacional – com 14.582, ou 69% do total –, mas a evolução desse tipo de equipamento nos últimos 12 meses foi mais devagar do que a dos eletropostos rápidos e ultrarrápidos.

 

Expansão dos Carregadores Rápidos e Ultrarrápidos (DC) nos últimos 12 meses:

Fevereiro de 2025: 2.430

Fevereiro 2026: 6.479

Crescimento: 166,6%

 

Expansão dos Carregadores Lentos (AC) no mesmo período:

Fevereiro de 2025: 12.397

Fevereiro de 2026: 14.582

Crescimento: 17,6%

 

Mudança no perfil dos eletropostos

A entidade ainda indica que o salto das estruturas rápidas de recarga mostra como esses equipamentos estão mudando: As empresas focam em atender a demanda dos consumidores, que buscam cada vez mais praticidade e rapidez nas operações de carregamento dos VEs.

Além disso, a redução nos custos dos equipamentos, que tem mais tecnologia, amplia a confiança do consumidor nacional, ao passo que cresce também a escala dos operadores, a demanda por viagens de média e longa distâncias e a eletrificação de frotas corporativas e de logística.

Outro benefício para o setor é o aumento das redes nacionais interoperáveis, que dizem respeito à integração com softwares avançados e novos modelos de negócio. Além disso, a matriz elétrica é mais de 90% renovável e os consumidores, em geral, estão abertos às tecnologias de eletrificação.

“O crescimento de 167% da carga rápida nos últimos 12 meses mostra que o Brasil não está mais testando a mobilidade elétrica — já estamos construindo uma nova infraestrutura energética. Se mantivermos esse ritmo, o país pode não apenas acompanhar, mas liderar a eletrificação entre os mercados emergentes”, finaliza Bertoncello.

 

Expansão geográfica

A atualização da rede nacional de recarga pública e semipública mostra que, em fevereiro de 2026, 1.649 municípios brasileiros já tinham eletropostos públicos e/ou semipúblicos disponíveis. A estatística reflete um crescimento de 10% sobre agosto de 2025 (1.499 municípios) e de 21% sobre fevereiro de 2025 (1.363).

A consequência disso, para a ABVE, é “a mobilidade elétrica gradativamente deixar de se concentrar nas capitais e integrar-se ao cotidiano de cidades médias, polos turísticos e corredores logísticos em todo o país. Esse crescimento reduz a ansiedade de autonomia e amplia o uso prático do veículo elétrico”.

Ainda assim, a expansão da infraestrutura de recarga avançou de forma heterogênea entre as regiões brasileiras nos últimos 12 meses, evidenciando diferentes ritmos de interiorização e consolidação da eletromobilidade no território nacional. Enquanto na região Norte a rede cresceu 74,5% – passando de 47 para 82 municípios com infraestrutura instalada –, no Nordeste, o aumento foi de 26,4% – passando de 326 para 412 municípios com eletropostos instalados. O Centro-Oeste também evoluiu, com um salto de 25,6%, de 121 para 152 municípios. Esse dado reforça a tendência de expansão da infraestrutura de recarga para além dos grandes centros.

Nas regiões líderes no quesito, o crescimento foi mais equilibrado. O Sul avançou 16,5%, passando de 363 para 423 municípios, enquanto o Sudeste cresceu 14,6%, de 506 para 580 municípios.

 

Evolução do número de municípios por região com eletropostos instalados:

Região fev/25 fev/26 Evolução
 

Norte

47 82 74,5%
Nordeste 326 412 26,4%
Centro-Oeste 121 152 25,6%
Sul 363 423 16,5%
Sudeste 506 580 14,6%
Total 1.363 1.649 20,9%

Tabela: ABVE

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