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Eficiência de eletroposto aumenta com análise inteligente de dados

Imagem mostra vagas demarcadas e estação de recarga de eletroposto

Conjunto de fatores define sucesso da operação de eletropostos. Foto: Divulgação/Spott.

A viabilidade econômica de um ponto de recarga para veículos elétricos no Brasil depende menos da expectativa de crescimento da frota e mais da inteligência na análise de dados da operação para adaptar o modelo de negócio conforme a demanda. Um exemplo é a taxa de uso da estação, que deve estar dentro de faixas bem definidas para que o projeto se sustente financeiramente.

Segundo a Spott, empresa especializada em inteligência para redes de recarga, carregadores em corrente alternada (AC) tendem a apresentar viabilidade quando operam de forma recorrente entre 2 e 4 sessões por dia, o que corresponde a uma taxa média de uso entre 20% e 30%. Já os carregadores rápidos em corrente contínua (DC) exigem um volume maior, entre 6 e 12 sessões diárias, com taxas de utilização na faixa de 25% a 40%.

Abaixo desses patamares, o risco financeiro do projeto aumenta de forma significativa. Acima deles, o carregador pode entrar em zona de saturação, afetando a experiência do usuário e indicando a necessidade de expansão da infraestrutura.

Para a empresa, o CPO (Charging Point Operator, ou Operador do Ponto de Recarga) deve tomar decisões baseadas em dados confiáveis, desde o planejamento da infraestrutura até a operação no dia a dia.

“A eletrificação por si só não garante eficiência. Sem dados estruturados, visibilidade operacional e inteligência analítica, o risco é criar sistemas caros, pouco eficientes e difíceis de escalar. Nosso papel é justamente ajudar empresas e operadores a entenderem melhor as suas operações e tomarem decisões mais assertivas em um cenário cada vez mais complexo”, afirma Thiago Moreno, CEO da Spott.

 

Modelo errado pesa mais que falta de demanda

Um dos pontos centrais da análise é que a previsibilidade de uso não significa acertar o número exato de veículos atendidos, mas trabalhar com faixas operacionais realistas. De acordo com a análise da Spott, se o eletroposto não se paga mesmo operando dentro dessas margens, o problema tende a estar no modelo de negócio, no CAPEX, na localização ou na estratégia de preços, e não necessariamente na ausência de veículos elétricos.

Esse dado é especialmente relevante em um mercado que avança rapidamente em número de pontos instalados, mas ainda enfrenta dificuldades para transformar infraestrutura em operação rentável.

 

Operação de eletropostos envolve múltiplos fatores

Embora a taxa de uso seja um indicador-chave, a Spott destaca que ela é apenas uma das variáveis críticas na operação de um ponto de recarga. Planejamento de infraestrutura, gestão de ativos, eficiência energética, previsibilidade de demanda, controle de custos e qualidade da experiência do usuário formam um conjunto de fatores que define o sucesso — ou o fracasso — do projeto.

Na prática, decisões como potência instalada, perfil do carregador (AC ou DC), tempo médio de permanência do veículo, integração com o sistema elétrico local e uso inteligente dos dados operacionais influenciam diretamente a taxa de utilização e o retorno do investimento.

 

Mercado sai da fase experimental

Com o crescimento da frota eletrificada no país, a operação de eletropostos entra em uma fase mais orientada à eficiência, como avalia Rica Legname, sócio fundador da Spott. “O mercado está deixando a fase experimental e entrando em uma realidade operacional. Quem não trata dados como um ativo estratégico tende a enfrentar desperdícios, falhas de planejamento e dificuldades de escala”, afirma o executivo.

Para os operadores de pontos de recarga (CPOs), o desafio deixa de ser apenas “instalar carregadores” e passa a ser operar ativos de forma economicamente sustentável, com métricas claras de desempenho.

Nesse contexto, dados de uso real ganham peso estratégico. Eles ajudam a calibrar expectativas, a evitar exageros de infraestrutura e a orientar decisões mais racionais em um setor que ainda convive com margens apertadas e altos custos iniciais.

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