Trânsito em Shanghai: mobilidade elétrica entra em nova fase na China. Foto: Divulgação/Magnific.
A China deu mais um passo na evolução de sua política para veículos eletrificados. O governo chinês anunciou que, a partir de 1º de janeiro de 2027, os híbridos plug-in (PHEV) e os veículos elétricos comerciais deixarão de contar com a isenção do imposto anual sobre veículos, benefício que continuará valendo para os carros de passeio 100% elétricos (BEV).
A medida foi publicada em conjunto pelo Ministério das Finanças, pela Administração Tributária e pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China. Na prática, ela altera a política tributária para alguns tipos de veículos de nova energia (NEVs), mantendo a vantagem competitiva dos automóveis totalmente elétricos.
Mudança reflete amadurecimento do mercado
A decisão representa mais um capítulo da redução gradual dos incentivos governamentais na China, maior mercado de veículos eletrificados do mundo.
Nos últimos anos, o país reduziu subsídios diretos à compra de automóveis elétricos e reformulou benefícios tributários à medida que o setor ganhou escala e competitividade. Agora, a mudança atinge especificamente os híbridos plug-in e os veículos comerciais elétricos, enquanto os carros de passeio 100% elétricos permanecem isentos desse imposto por não se enquadrarem na base de cálculo da legislação chinesa.
A avaliação do governo é que o mercado chinês de veículos eletrificados atingiu um nível de maturidade suficiente para uma revisão gradual dos incentivos, preservando estímulos às tecnologias consideradas prioritárias para a descarbonização do transporte.
Decisão acompanha avanço dos elétricos
A mudança também ocorre em um momento de forte crescimento dos veículos totalmente elétricos na China, que vêm ampliando participação nas vendas e consolidando sua posição frente aos híbridos plug-in.
A tendência tem reflexos em outros mercados. No Brasil, por exemplo, os modelos 100% elétricos lideraram as vendas de veículos eletrificados no primeiro semestre de 2026, com 90.626 emplacamentos, à frente dos híbridos plug-in, que somaram 76.400 unidades, segundo dados recentes da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).
Foi o quinto mês consecutivo em que os BEVs superaram os PHEVs nas vendas nacionais, indicando uma mudança gradual no perfil da demanda brasileira.
Impactos ainda serão acompanhados
Embora a decisão tenha efeito apenas a partir de 2027 e seja válida para o mercado chinês, ela é acompanhada com atenção pela indústria automotiva global.
A China concentra as maiores fabricantes de veículos eletrificados do mundo e exerce forte influência sobre estratégias de desenvolvimento de produtos, investimentos e exportações para diferentes mercados.
Por isso, mudanças na política industrial e tributária do país costumam servir como um importante indicador das tendências que poderão influenciar o setor nos próximos anos.

Jornalista graduado pela PUC-Campinas. Atuou como repórter, redator e editor em veículos de comunicação de grande circulação, como Grupo Folha, Grupo RAC e emissoras de TV e rádio. Acompanha o setor de veículos elétricos e outras energias renováveis para o desenvolvimento sustentável.