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20 de julho de 2024

Voadeira elétrica vira opção de transporte sustentável no Xingu

Voadeira elétrica em funcionamento no Rio Xingu

Projeto da Norte Energia e da UFPA planeja reduzir significativamente as emissões de poluentes no Rio Xingu. Foto: Divulgação/Norte Energia)

A região do Rio Xingu está recebendo testes de duas voadeiras elétricas para transporte de pessoas. As voadeiras são embarcações bastante comuns na região, utilizadas há décadas para deslocamentos de famílias e pescadores na região Amazônica, e agora contam com um motor elétrico para a propulsão. 

O projeto é uma iniciativa da Norte Energia, concessionária da Usina Hidrelétrica Belo Monte, em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA) e está em fase final de teste. 

São duas embarcações da Norte Energia, batizadas de Poraquê I e II, em alusão ao peixe elétrico. Uma tem oito metros de comprimento e capacidade para transportar até seis pessoas, e outra de 10 metros para conduzir até oito pessoas

O objetivo é contribuir para a descarbonização do Xingu, a partir do desenvolvimento de baterias nacionais para propulsão elétrica, e substituir combustíveis fósseis, como gasolina e óleo diesel, por fonte de energia limpa.

Com a iniciativa, ao final de um mês, a estimativa é que tenham deixado de ser consumidos cerca de 1.400 litros de combustíveis fósseis.

Transporte de funcionários

As embarcações ainda estão em fase de testes e, a princípio, serão utilizadas apenas para o transporte de funcionários da Norte Energia. O Poraquê I é o protótipo que se encontra em fase final de testes, enquanto o Poraquê II, mais pesado e com maior capacidade de carga, está em fase final de testes do motor

“Estamos satisfeitos de ver, na prática, o resultado de um projeto inovador para a região Amazônica a partir de uma fonte limpa e renovável, assim como é a energia produzida por Belo Monte. Estamos às vésperas da COP 30 e o nosso objetivo é deixar esse projeto como herança. Ele tem capacidade para revolucionar o transporte aquaviário de pequeno porte na região, com índices infinitamente menores de emissão de gases poluentes”, avalia o presidente da Norte Energia, Paulo Roberto Pinto.

Para o projeto, a empresa investiu R$ 550 mil nos protótipos, incluindo estudos especializados em conjunto com a UFPA, a aquisição dos equipamentos chineses, um conjunto de baterias de fornecedores nacionais e o desenvolvimento de projeto e construção dos cascos das embarcações.

Voadeira elétrica em funcionamento no Rio Xingu
Embarcação já passou pelos primeiros testes, com viagens de 40 km no Rio Xingu. Foto: Divulgação/Norte Energia

Características da voadeira e recarga

As voadeiras são movidas por um conjunto de dois motores, que, combinados, garantem uma potência de 40,4 cv. Cada protótipo utiliza um conjunto que varia de três a quatro baterias, o que, de acordo com os primeiros testes, pode garantir uma autonomia de até 40 km.

O principal objeto de estudo do projeto atualmente é conciliar maior autonomia de viagem com baterias menores, mais leves e com menos tempo de recarga. Isso porque cada conjunto pesa em torno de 60 kg, o que ainda é considerado alto para uma voadeira, que é classificada como uma pequena embarcação.

“Nesse primeiro momento estamos usando baterias adquiridas no mercado chinês, porém, a Norte Energia decidiu que a tecnologia utilizada precisa ser nacional. Assim, já negociamos com empresa local para o fornecimento de baterias 100% nacionais e a próxima etapa é testá-las, no âmbito do projeto, quanto à eficiência e à autonomia. Esta voadeira elétrica é um marco para o transporte da região e continuaremos trabalhando para aperfeiçoar com tecnologia brasileira”, explica José Hilário Farina Portes, consultor de Assuntos Socioambientais da Norte Energia.

Com relação à recarga, ela será feita em dois pontos, um no Porto dos Areeiros, em Altamira (PA), e o outro junto ao Sistema de Transposição de Embarcações (STE), em Pimental (PA). O tempo para carregar está estimado entre duas e três horas e a energia será fornecida pela Usina Fotovoltaica de Altamira.

Voadeira elétrica em funcionamento no Rio Xingu
A Norte Energia investiu R$ 550 mil nos dois protótipos. Foto: Divulgação/Norte Energia

Impactos futuros

Apesar de ser um projeto para uso privado, ele pode render bons frutos para o sistema de transporte nos rios espalhados pelo Brasil, não só na região Norte. 

De acordo com a Confederação Nacional dos Transportes (CNT), o país possui aproximadamente 63 mil quilômetros de trechos navegáveis dos rios, sendo 70% para o uso de transporte de pessoas, e o restante é de uso comercial, como transporte de cargas.

Com base nisso e em todo o ecossistema elétrico, a economia não fica apenas na parte financeira, mas também na baixa emissão de poluentes nos rios brasileiros.

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