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Motorista de app lucra até 70% mais com carro elétrico, diz estudo

Motorista manuseia aplicativo em smartphone enquanto dirige

Motoristas de aplicativo podem ter até 70% a mais de lucro com carros elétricos. Foto: Divulgação/Freepik.

Motoristas de aplicativo podem ter até 70% a mais de lucro no serviço com carros elétricos, na comparação com veículos com outras fontes energéticas. É o que mostra o novo levantamento da GigU, com base em mais de 56 mil motoristas em 22 estados brasileiros. Os carros elétricos operam com margem líquida mediana de 57%, enquanto veículos a gasolina registram 36,8%. Na prática, isso representa um ganho médio de R$ 21,86 por hora com elétricos, contra R$ 12,85 nos modelos tradicionais.

Durante anos, o rendimento de motoristas de aplicativo esteve associado principalmente a fatores como cidade, categoria e volume de corridas. Hoje, com as margens mais apertadas e maior concorrência, o custo operacional passa a ser o maior fator de lucratividade — e, nesse ponto, os carros elétricos levam vantagem sobre os modelos a combustão.

Os dados também chamam a atenção pela consistência: a vantagem dos elétricos aparece em todos os estados analisados, independentemente da categoria ou perfil de operação.

Dois carros elétricos BYD D1 com adesivos da 99 nas laterais
Carros elétricos em operação pelo aplicativo da 99. Foto: Rubens Morelli/Canal VE.

Carro elétrico vale a pena para motorista de app? Entenda

O levantamento aponta uma mudança importante na dinâmica do setor. Se antes o foco estava no faturamento bruto, agora o que define a rentabilidade é a estrutura de custos.

“Combustível, manutenção e variação de preços passam a definir a rentabilidade real da atividade. É nesse conjunto que o elétrico se destaca, ao reduzir o custo por quilômetro e trazer maior previsibilidade ao longo do mês”, afirma Luiz Gustavo Neves, CEO e cofundador da GigU.

Na prática, isso ajuda a explicar por que alternativas mais baratas na bomba nem sempre garantem maior lucro. Muitos motoristas optam pelo etanol, por exemplo, buscando economia imediata, mas o menor rendimento energético e os custos de manutenção continuam pressionando o resultado final. 

Já os veículos elétricos combinam dois fatores decisivos: energia mais barata e menor custo de manutenção

O custo por quilômetro de um carro elétrico pode ser até cinco vezes menor que o de um modelo a gasolina — em alguns casos, próximo de R$ 0,10 por km. Já a manutenção pode ser de 30% a 50% mais barata, devido à menor quantidade de peças e ao menor desgaste mecânico.

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Diferença aparece na prática

A comparação direta dentro de uma mesma cidade ajuda a dimensionar o impacto. Em Fortaleza (CE), por exemplo, motoristas da categoria UberX com veículo elétrico lucram R$ 16,05 por hora, praticamente o dobro dos R$ 8,91 registrados por motoristas que utilizam gasolina, sem mudança de jornada ou demanda.

Em cenários específicos, a diferença é ainda maior. Em Manaus (AM), motoristas com carro elétrico chegam a R$ 27,64 por hora, enquanto aqueles que utilizam gasolina ficam em R$ 8,92.

Detalhe de uma recarga rápida em carro branco
Infraestrutura de recarga rápida está em crescimento no Brasil. Foto: Canal VE.

Alternativas existem, mas com limitações

Para quem não tem acesso imediato a um veículo elétrico, o gás natural veicular (GNV) aparece como alternativa intermediária, segundo a GigU, com margem mediana de 52,7%. Ainda assim, o desempenho permanece abaixo dos elétricos.

Já o etanol apresenta resultados variáveis, dependendo da relação de preços em cada estado, o que reduz sua previsibilidade como estratégia de redução de custos.

Mudança estrutural no modelo de negócio

No conjunto, os dados indicam uma mudança silenciosa no transporte por aplicativo. Se antes a renda estava diretamente ligada à quantidade de corridas, agora as decisões operacionais ganham peso estratégico — e o tipo de energia passa a influenciar diretamente o resultado financeiro.

A eletrificação, nesse contexto, deixa de ser apenas uma alternativa tecnológica ou ambiental e passa a ocupar um papel econômico na atividade — oferecendo maior lucratividade, sem exigir mudanças na rotina de trabalho.

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