Crescimento da mobilidade elétrica atrai novos modelos de negócio. Foto: Divulgação/Aldo Solar.
O avanço da eletromobilidade no Brasil começa a transformar não apenas o mercado automotivo, mas também os modelos de negócio ligados à infraestrutura de recarga. A tradicional venda de carregadores já não é o único caminho para empresas interessadas em atuar no setor.
Com o crescimento acelerado da frota de veículos eletrificados e da rede de carregamento, surgem formatos baseados em serviços recorrentes, locação de equipamentos e compartilhamento de receitas.
Os números ajudam a explicar esse movimento. Segundo a última atualização de dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), divulgada em março de 2026, a infraestrutura pública de recarga rápida no Brasil havia crescido 167% em um ano, refletindo o amadurecimento do setor e o aumento da demanda por carregamento.
Ao mesmo tempo, os veículos eletrificados já representam 16% das vendas de automóveis leves no país, de acordo com o ranking de vendas de veículos em abril de 2026. Na prática, um em cada seis carros vendidos no Brasil no último mês já possuía algum tipo de eletrificação.
Com a eletromobilidade deixando de ser nicho, o mercado de recarga começa a migrar da simples venda de equipamentos para modelos baseados em serviços e receitas recorrentes.
Charging as a Service ganha espaço
Entre os formatos que mais crescem está o chamado Charging as a Service (CaaS). Nesse modelo, a empresa contratante não precisa realizar o investimento inicial na infraestrutura de recarga.
O fornecedor entrega a solução completa como serviço, incluindo equipamentos, instalação, software de gestão, monitoramento e manutenção. Em vez de adquirir os carregadores, o cliente paga uma mensalidade ou taxa operacional.
O modelo vem atraindo empresas que desejam oferecer recarga elétrica sem imobilizar capital, especialmente estacionamentos, redes comerciais, condomínios e operações corporativas.
Além de reduzir barreiras de entrada, o formato permite atualização tecnológica mais rápida e simplifica a operação da infraestrutura.
Recarga passa a gerar receita recorrente
Outro modelo que ganha força no setor é o revenue share, baseado no compartilhamento das receitas geradas pelas estações de recarga.
Nesse formato, diferentes parceiros podem dividir investimentos e receitas da operação, incluindo proprietários de imóveis, operadores de recarga, investidores, integradores e redes comerciais.
A lógica transforma a recarga elétrica em um novo serviço agregado para empreendimentos urbanos, além de criar oportunidades de monetização recorrente em locais com fluxo de veículos.
A locação de carregadores também começa a ganhar espaço como alternativa para empresas que desejam testar o mercado ou ampliar operações de forma gradual, reduzindo o investimento inicial.
Integradores ampliam atuação na eletromobilidade
Com o crescimento da demanda, empresas ligadas ao setor solar também passam a enxergar novas oportunidades dentro da eletromobilidade.
A Aldo Solar, uma das líderes no fornecimento de equipamentos para o setor de energia no Brasil, vem ampliando o suporte para integradores interessados em atuar no segmento de recarga veicular, oferecendo desde carregadores AC e DC até apoio técnico e comercial para desenvolvimento de projetos.
Segundo a empresa, a integração entre energia solar, armazenamento e carregamento veicular deve ganhar espaço nos próximos anos, principalmente em projetos comerciais e corporativos.
“A eletromobilidade abre um novo horizonte para os integradores. É um mercado em plena expansão, com alto potencial de crescimento e geração de receita recorrente”, destaca Patrick von Schaaffhausen, CEO da Aldo Solar.
Mais do que vender energia, o setor começa a criar novos serviços ligados à conveniência, conectividade e recorrência financeira. E, à medida que a frota eletrificada cresce no Brasil, a tendência é que os modelos de negócio ligados à recarga acompanhem essa transformação.

Jornalista graduado pela PUC-Campinas. Atuou como repórter, redator e editor em veículos de comunicação de grande circulação, como Grupo Folha, Grupo RAC e emissoras de TV e rádio. Acompanha o setor de veículos elétricos e outras energias renováveis para o desenvolvimento sustentável.
