Setor muda em paralelo ao avanço da eletrificação. Foto: Divulgação / Freepik
Os setores de pós-vendas e autopeças, dentro do mercado automotivo, vêm passando por transformações em virtude da ampliação da frota de eletrificados no Brasil. Os mercados passam a operar com maior sofisticação, trabalhando com dados, tecnologia e processos especializados, à medida que os veículos se tornam mais conectados e tecnológicos.
Essa transformação já pode ser observada com estatísticas dos últimos anos. Em 2024, a indústria de autopeças no Brasil faturou R$ 256,7 bilhões. De acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), o faturamento do setor deve crescer 6,5% com os resultados totais de 2025 – ainda não divulgados oficialmente -, alcançando R$ 275,8 bilhões. Para 2026, a projeção é de crescer mais 3%, chegando a R$ 284,1 bilhões entre as empresas associadas.
Crescimento do setor atrelado ao avanço da eletrificação
Paralelamente, a eletromobilidade avançou exponencialmente no cenário nacional. Para se ter ideia do avanço nos últimos dois anos, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), em 2025 foram emplacados 223.912 veículos eletrificados no Brasil, volume 138,4% superior ao total registrado em 2023, quando foram vendidas 93.927 unidades. Tal fator evidencia a consolidação dos modelos elétricos e híbridos no período. Junto com isso, um processo de digitalização automotiva vem redesenhando o mercado de mobilidade, com veículos mais conectados, presença de sistemas avançados de assistência ao motorista (ADAS), eletrificação e expansão de softwares. Essas características ampliam a estrutura tecnológica dos modelos e as oportunidades e demandas para o pós-vendas.
Complexidade tecnológica da frota e novo padrão do setor
De acordo com o Instituto de Qualidade Automotiva (IQA), estudos de mercado indicam que a tecnologia eletrônica dos veículos continua aumentando, ampliando a demanda por diagnósticos digitais, atualizações de software, calibração de sensores e manutenção especializada.
Nesse novo cenário, o pós-venda deixa de ser predominantemente mecânico para assumir um perfil mais tecnológico, no qual a qualificação contínua de profissionais e a adequada estruturação das oficinas tornam-se fundamentais para a sustentabilidade do ecossistema diário da eletromobilidade.
A tendência é que as oficinas lidem com um volume crescente de informações veiculares, exigindo investimentos em ferramentas de diagnóstico avançado, conectividade e gestão de dados.
“O avanço da digitalização e da eletrificação dos veículos impõe um novo patamar de exigência técnica ao aftermarket. Qualidade, padronização e capacitação deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos essenciais para a competitividade e a segurança do setor”, destaca Alexandre Xavier, Superintendente do IQA.

Estudante de jornalismo na PUC-Campinas. Atuou como redator, repórter, social media e assessor de imprensa na área de esportes. Estagiário no Canal VE.