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Cinco pontos para ficar de olho nos veículos elétricos em 2026

Setor passa a ser moldado por crescimento orgânico. Foto: Freepik

O mercado global de veículos elétricos e baterias entra em uma fase decisiva de amadurecimento. Depois de anos impulsionado por subsídios, expansão acelerada e disputas por escala, o setor passa a ser moldado por crescimento orgânico, maior regulação e pela chegada comercial de tecnologias de próxima geração.

Segundo um novo relatório da Wood Mackenzie, cinco fatores devem concentrar a atenção do setor em 2026: a expansão global das montadoras chinesas, a mudança de estratégia dos fabricantes de baterias, o endurecimento regulatório na China, a chegada comercial de tecnologias de próxima geração e o surgimento de novos vetores de demanda além do setor automotivo.

 

Veículos elétricos chineses devem impulsionar a eletrificação global

Com o recuo do apoio governamental à eletrificação em mercados como Estados Unidos, União Europeia e Reino Unido, 2026 deve funcionar como um teste definitivo do crescimento orgânico dos veículos elétricos. Nesse cenário, as montadoras chinesas tendem a ganhar ainda mais protagonismo.

De acordo com o relatório, empresas como BYD, SAIC, Chery, Great Wall e Changan seguem ampliando sua presença internacional mesmo diante de tarifas e restrições comerciais. 

A estratégia se apoia em escala produtiva, ciclos rápidos de desenvolvimento, custos competitivos e forte foco em tecnologia embarcada. No curto prazo, o relatório aponta que esses fatores devem sustentar a demanda, especialmente em mercados emergentes e na Europa.

 

Fabricantes de baterias devem priorizar eficiência em vez de expansão

O relatório indica que 2026 será marcado por uma mudança clara de estratégia entre fabricantes de baterias. Em vez de acelerar novos projetos, o foco deve estar na maximização do uso da capacidade já instalada e na busca por rentabilidade.

Na Europa, diversas fábricas iniciaram operações no fim de 2025, tornando o desempenho operacional ao longo de 2026 decisivo para a viabilidade desses investimentos. Já na América do Norte, a desaceleração da demanda por veículos elétricos leva empresas a redirecionar recursos para sistemas de armazenamento de energia, que passam a funcionar como um importante amortecedor para o setor.

 

Mais regulação na China deve elevar padrões de qualidade e segurança

Outro ponto central do relatório é a mudança de postura regulatória da China. Após consolidar liderança global em volume, o país passa a priorizar qualidade, segurança e sustentabilidade financeira da indústria.

A Wood Mackenzie destaca que novos padrões de segurança para baterias entram em vigor em julho de 2026, elevando os requisitos para permanência no mercado. Ao mesmo tempo, autoridades e associações do setor atuam para conter guerras de preços, criando um ambiente de “sobrevivência dos mais fortes”, no qual empresas menos eficientes tendem a ser forçadas à consolidação ou saída do mercado.

 

Tecnologias de próxima geração começam a ganhar escala

Segundo o relatório, 2026 marca um ponto de virada para tecnologias que há anos prometem transformar o setor. As baterias de íon-sódio devem alcançar aplicações em larga escala, especialmente na China, como alternativa de menor custo e menor exposição à volatilidade do lítio.

O estudo também aponta para as primeiras entregas mais amplas de veículos equipados com baterias semi-estado sólido. Embora ainda em volumes limitados, essas tecnologias devem validar novos caminhos para ganhos de autonomia, segurança e desempenho, além de preparar o terreno para soluções mais avançadas nos próximos anos.

 

Novos segmentos devem ampliar a demanda por baterias

Além do setor automotivo, o relatório chama atenção para o crescimento de novos vetores de demanda. Robôs humanoides, eletrodomésticos sem fio, ferramentas elétricas e equipamentos de jardinagem passam a consumir volumes crescentes de baterias, impulsionados pelo avanço da densidade energética das células.

Embora o impacto ainda seja modesto no curto prazo, o estudo avalia que esses segmentos funcionam como uma proteção estratégica contra a maturação do mercado de veículos elétricos. A eletrificação de veículos de duas e três rodas também segue avançando, com o íon-sódio despontando como alternativa viável em mercados sensíveis a custo e segurança.

 

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