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Baterias de carros elétricos têm degradação de 2,3% ao ano

Bateria CATL em bancada de manutenção

Bateria de carro elétrico tem degradação normal por tempo de uso. Foto: Rubens Morelli/Canal VE.

As baterias de carros elétricos apresentam degradação média de 2,3% ao ano. É o que mostra um estudo recente da Geotab, empresa especializada em telemetria veicular, após analisar dados reais de 22,7 mil veículos elétricos, de 21 modelos diferentes, ao longo de múltiplos ciclos de uso em 2025.

O índice representa um aumento em relação aos 1,8% observados em levantamento anterior, divulgado em 2024, mas ainda indica que a vida útil das baterias supera, na maioria dos casos, o período médio de permanência do veículo com o mesmo proprietário. E o detalhe: mesmo com o uso crescente de recarga rápida em corrente contínua (DC), a degradação das baterias permanece relativamente baixa ao longo do tempo, o que confirma a robustez e a durabilidade das baterias atuais.

 

Uso frequente de recarga rápida aumenta degradação

Segundo a análise, o principal fator associado ao aumento da taxa de degradação é o uso frequente de recarga rápida (DC) acima de 100 kW. Veículos que recorrem com maior regularidade a esse tipo de carregamento apresentaram desgaste médio de até 3,0% ao ano. Já aqueles que carregam predominantemente em corrente alternada (AC), ou em potências mais baixas, registraram degradação próxima de 1,5% ao ano.

No cenário brasileiro, a estatística ajuda a explicar o comportamento de degradação. Uma parcela significativa dos usuários ainda não dispõe de carregador em casa ou infraestrutura nos condomínios residenciais. Com a dependência da rede pública, a recarga em corrente contínua (DC) costuma ser a opção mais escolhida para otimizar tempo e deslocamento.

Apesar disso, o estudo indica que o impacto da recarga rápida na degradação acontece de forma gradativa — em ritmo pequeno de crescimento —, e não de uma vez só. Mesmo em situações de maior exigência, a degradação observada segue dentro de parâmetros considerados normais para a tecnologia atual.

Muitos brasileiros dependem de pontos de recarga pública para veículos elétricos. Foto: Divulgação/Freepik

Clima e intensidade de uso também influenciam

O levantamento aponta que fatores climáticos exercem influência adicional. Em regiões mais quentes, a degradação anual foi, em média, 0,4 ponto percentual superior à registrada em áreas de clima mais ameno. Em um país de dimensões continentais como o Brasil, com variações climáticas relevantes entre regiões, esse aspecto contribui para diferenças de desempenho entre veículos de Norte a Sul.

A intensidade de uso também aparece como variável relevante. Veículos com maior quilometragem anual apresentaram degradação cerca de 0,8% maior ao ano, em comparação com modelos de uso mais leve. Mesmo assim, o efeito é considerado moderado e, em muitos casos, compensado por ganhos operacionais e econômicos ao longo da vida útil do veículo.

 

Uso cotidiano não exige regras rígidas de recarga

Outro ponto destacado pelo estudo é que a degradação não está associada a variações normais no nível de carga ao longo do tempo. A análise não identificou aumento significativo de desgaste em veículos que operam com ciclos regulares de recarga.

O envelhecimento da bateria tende a ser mais acelerado quando o veículo permanece por longos períodos com carga próxima de 100% ou constantemente próximo do nível mínimo. A melhor faixa de uso dos veículos elétricos é entre 20% e 80% do nível da bateria. Fora desses extremos, o uso cotidiano — mesmo com recargas frequentes — não mostrou impacto relevante sobre a saúde da bateria, de acordo com o levantamento.

 

O que significa degradação da bateria?

A degradação é um processo natural, que reduz gradualmente a capacidade máxima de armazenamento de energia. Esse parâmetro é medido pelo estado de saúde da bateria (State of Health – SOH). Uma bateria nova parte de 100% de SOH e perde capacidade ao longo do tempo.

Os dados analisados indicam que, mesmo após anos de uso, a maioria das baterias permanece adequada para atender às demandas diárias dos usuários. A degradação existe, mas ocorre de forma gradual, previsível e cada vez mais ligada aos hábitos de recarga e operação — e não a falhas prematuras da tecnologia.

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