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Avanço de carros elétricos desafia qualificação de oficinas

Manutenção de carros elétricos exige qualificação de mais profissionais. Foto: Rubens Morelli/Arquivo/Canal VE.

O avanço dos carros elétricos no Brasil começa a gerar reflexos em dois dos setores mais importantes da cadeia automotiva: o pós-venda e a manutenção. Com o aumento da frota de veículos eletrificados em circulação, cresce também a necessidade de profissionais capacitados para lidar com tecnologias que vão além da mecânica tradicional.

Somente em 2025, 223.912 veículos eletrificados foram emplacados no país, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). O crescimento da frota amplia a demanda por serviços especializados em áreas como eletrônica de potência, sistemas de alta tensão, diagnósticos digitais e softwares embarcados. O desafio é que grande parte das oficinas ainda não está preparada para a manutenção de carros elétricos e híbridos.

Segundo entidades do setor de reparação automotiva, o Brasil possui mais de 100 mil oficinas independentes, responsáveis por atender cerca de 80% da frota circulante no país. O segmento emprega aproximadamente 750 mil profissionais e movimenta mais de R$ 130 bilhões por ano, de acordo com dados de entidades como Sindirepa e Sindipeças.

Mesmo com essa dimensão, a formação de mão de obra especializada para os veículos eletrificados já é apontada como um dos gargalos do setor. De acordo com levantamento das entidades, uma em cada três oficinas enfrenta dificuldades para contratar profissionais qualificados, especialmente para as novas tecnologias desses veículos.

Manutenção de veículos elétricos na Renault
Oficinas precisam de mais qualificação e segurança para atender carros elétricos. Foto: Divulgação/Renault

Manutenção de carros elétricos

A chegada de carros elétricos e híbridos tem alterado o perfil técnico da manutenção automotiva. Diferentemente dos veículos a combustão, que exigem intervenções mecânicas frequentes — como trocas de óleo, manutenção de sistemas de combustão e transmissões complexas — os veículos eletrificados demandam conhecimento em sistemas eletrônicos e elétricos avançados.

Entre os componentes que exigem qualificação específica estão o BMS (Battery Management System), os inversores de potência, os sistemas de gerenciamento térmico das baterias e diversas unidades de controle eletrônico (ECUs).

Além disso, o trabalho em sistemas de alta tensão requer protocolos rigorosos de segurança para evitar riscos aos profissionais e danos aos componentes.

“O desafio não está apenas na adoção da tecnologia pelos fabricantes e consumidores, mas na capacidade do mercado de manutenção acompanhar essa transformação”, afirma Alexandre Xavier, superintendente do IQA, entidade que atua no desenvolvimento e disseminação da qualidade no setor automotivo. “A operação em sistemas de alta voltagem, por exemplo, demanda protocolos específicos de segurança e certificação técnica adequada para evitar riscos operacionais e danos aos componentes eletrônicos”, completa.

Mecânico sentado no banco do motorista analisa dados em notebook
Mecânico analisa scanner em manutenção de carro elétrico. Foto: Divulgação/Freepik.

Formação profissional precisa acompanhar o mercado

Para especialistas do setor, o crescimento da eletrificação torna urgente a ampliação de programas de capacitação voltados às novas tecnologias automotivas. Instituições como o próprio IQA e centros de formação técnica têm ampliado cursos voltados à eletroeletrônica automotiva, diagnósticos digitais e segurança em sistemas de alta tensão.

Ainda assim, a velocidade de crescimento da frota eletrificada pode superar a capacidade atual de qualificação profissional. Esse cenário levanta um alerta para o mercado automotivo: garantir que a evolução tecnológica dos veículos seja acompanhada pela preparação adequada de técnicos e reparadores.

Caso contrário, especialistas apontam que a falta de mão de obra qualificada pode impactar custos de manutenção, tempo de atendimento e até a confiança do consumidor na adoção da mobilidade elétrica.

Com a eletrificação avançando rapidamente no Brasil, o desafio do setor passa a ser estruturar um ecossistema de serviços capaz de acompanhar a transformação tecnológica que já está em curso nas ruas.

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