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Aumento nas taxas de importação pode encarecer VEs no Brasil

Carros da Geely desembarcando no Brasil

Carros da Geely desembarcando no porto de Paranaguá (PR) após importação. Foto: Rodolfo Buhrer/Geely

O Governo Federal segue dando continuidade ao plano escalonado de retomada gradual dos impostos de importação para carros 100% elétricos, híbridos plug-in e híbridos convencionais vindos do exterior. O aumento da alíquota acontece desde janeiro de 2024, definido pelo Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex). 

As taxas começaram mais baixas, mas aumentaram em etapas, se igualando a partir de julho de 2026 em 35% para todas as categorias.

Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), responsável pela solicitação de aumento gradual, a justificativa para essa política é estimular a produção nacional e proteger a indústria local no segmento da eletromobilidade, diante dos grandes volumes de importação de modelos estrangeiros, especialmente chineses. 

Com essa retomada, todas as versões eletrificadas importadas terão a mesma alíquota de 35%, sem diferenciação entre elétricos (BEV) – momentaneamente correspondendo a 25% –, híbridos plug-in (PHEV) – 28% – ou híbridos convencionais (HEV) – 30%

Essa equiparação simboliza uma taxação alinhada à que já é cobrada de carros a combustão, criando um ambiente tributário mais uniforme, porém menos vantajoso para importadores de elétricos.

Há ainda uma quarta categoria, a de “automóveis elétricos para transporte de carga”, ou caminhões elétricos, que começaram com taxação de 20% e chegaram aos 35% já em julho de 2024. Nesse caso, a retomada da alíquota cheia é mais rápida porque existe uma produção nacional suficiente.

 

O que isso significa para os preços no Brasil?

Com o reajuste de valores, há uma possibilidade real de que modelos importados fiquem mais caros no varejo, caso as marcas repassem o aumento ao consumidor final. Por outro lado, algumas montadoras podem optar por segurar os preços por mais tempo, absorvendo parte da taxa enquanto ajustam suas estratégias comerciais no país.

 

Taxas menores

Nem todas as montadoras estão sujeitas às mesmas alíquotas cheias. Marcas que produzem ou montam veículos em território nacional, ou sob regimes de montagem parcial (SKD) ou completa (CKD), podem pagar impostos menores, de no máximo 18%.

Essa vantagem é um dos motivos pelos quais várias fabricantes aceleram seus planos de industrialização local, além de ser uma resposta direta à política tributária em vigor.

 

Cotas

Antes do encerramento total em julho de 2026, os valores das cotas seguiram até alguns limites acumulados para o período final.

Para híbridos, as cotas se mantiveram de US$ 130 milhões até junho de 2024; de US$ 97 milhões até julho de 2025; e devem ficar em US$ 43 milhões até 30 de junho de 2026.

 

Para híbridos plug-in, US$ 226 milhões até julho de 2024, US$ 169 milhões até julho de 2025 e de US$ 75 milhões até 30 de junho de 2026.

Para elétricos, nas mesmas datas, respectivamente US$ 283 milhões, US$ 226 milhões e US$ 141 milhões.

Para os caminhões elétricos, US$ 20 milhões, US$ 13 milhões e US$ 6 milhões.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, declarou no momento da decisão do plano que a deliberação representava um real incentivo para que novas indústrias se instalem ou iniciem produção de veículos eletrificados, gerando emprego e renda. “A sustentabilidade é garantida pelo privilégio às tecnologias de baixo carbono”, concluiu.

Desde 2024, o Brasil consolidou a atração de montadoras estrangeiras com projetos de fabricação nacional de veículos elétricos e híbridos. Até o início de 2026, a BYD e GWM foram as duas novas montadoras que iniciaram novas operações fabris no país. GAC, Geely e Leapmotor têm planos para iniciar a fabricação de seus veículos no país ainda em 2026.

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