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Anfavea ganha apoio de centrais sindicais contra kits pré-montados

Mobilização foi anunciada pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores. Foto: Divulgação/BYD

Centrais sindicais e sindicatos de metalúrgicos de diferentes regiões do país, incluindo CUT, Força Sindical e CTB, intensificaram nos últimos dias a pressão sobre o governo federal para a não renovação das cotas de isenção do Imposto de Importação para veículos desmontados (CKD) e semidesmontados (SKD). A mobilização foi anunciada pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que defende o encerramento definitivo do benefício.

O regime temporário, que permitiu a importação de kits de veículos elétricos e híbridos com alíquota zero dentro de um limite global, expirou em 31 de janeiro de 2026. O tema poderá voltar à pauta nas próximas reuniões da Câmara de Comércio Exterior (Camex), responsável por deliberar sobre a política tarifária.

Para a Anfavea, a eventual renovação das cotas de importação de CKD e SKD pode estimular um modelo de industrialização de menor complexidade, baseado na montagem de kits importados, com impacto sobre a cadeia produtiva nacional e a geração de empregos.

 

O que significa CDK e SKD?

CKD (Completely Knocked Down) e SKD (Semi Knocked Down) são modalidades de importação em que veículos chegam desmontados ou parcialmente desmontados ao país para posterior montagem local. Em julho de 2025, o governo federal publicou no Siscomex a lista de 16 montadoras autorizadas a importar veículos híbridos, híbridos plug-in e elétricos nesses formatos com alíquota zero de Imposto de Importação, dentro de um teto de US$ 463 milhões.

A medida, regulamentada pela Portaria Secex nº 420/2025, teve validade de seis meses e antecipou em 18 meses o cronograma de recomposição tarifária. A alíquota integral de 35% para veículos eletrificados desmontados está prevista para janeiro de 2027.

Entre as empresas habilitadas estavam Audi, BMW, BYD, Caoa Chery, GAC, GWM, Honda, Hyundai, Jaguar Land Rover, Kia, Mercedes-Benz, Omoda-Jaecoo, Porsche, Renault, Toyota e Volvo. Parte delas já possui operação industrial no Brasil ou anunciou planos de produção local. 

 

Apoio sindical e argumentos da indústria

Segundo levantamento citado pela Anfavea, o setor automotivo responde por 2,5% do PIB brasileiro e 20% do PIB industrial de transformação, além de empregar cerca de 1,3 milhão de pessoas. A entidade afirma que a indústria automotiva remunera, em média, o dobro do restante da indústria da transformação e demanda maior grau de qualificação.

“Todas essas características se perderiam num modelo de fabricação que envolvesse apenas a montagem de kits em larga escala”, afirmou o presidente da Anfavea, Igor Calvet.

Em carta encaminhada ao presidente da República e a ministérios, centrais como CUT, Força Sindical e CTB, além de sindicatos de metalúrgicos de diferentes estados, defenderam que a renovação das cotas pode gerar “impactos negativos ao processo de reindustrialização do país, ameaçando empregos qualificados em toda a cadeia automotiva e reduzindo os efeitos do programa Nova Indústria Brasil (NIB)”.

 

Embate entre montadoras

A discussão sobre a importação de veículos CKD e SKD já havia provocado divergências no setor em agosto do ano passado. Volkswagen, Toyota, Stellantis e General Motors enviaram carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pedindo a revisão do incentivo.

No documento, as montadoras destacaram que o setor planeja investir R$180 bilhões nos próximos anos e defenderam “igualdade de condições na competição pelo mercado”, argumentando que a importação de conjuntos desmontados poderia reduzir o valor agregado da produção nacional e afetar a cadeia de autopeças. 

Vale ressaltar que a General Motors se beneficiaria com a isenção pouco depois, com a inauguração do Polo Automotivo do Ceará, em Horizonte, onde a Chevrolet faz a montagem do SUV elétrico Spark EUV.

A carta foi respondida publicamente pela BYD, uma das empresas habilitadas a utilizar a cota. Em nota, a companhia afirmou que a redução temporária de impostos segue regime autorizado pelo governo e que a prática já foi adotada por outras fabricantes antes da nacionalização completa da produção. “Não faz sentido aplicar o mesmo nível de tributação sobre veículos 100% prontos trazidos do exterior e sobre veículos que são montados no Brasil, com geração de empregos locais”, declarou a empresa.

A greentech chinesa ainda chegou a classificar as fabricantes tradicionais de “dinossauros” por não aceitar as mudanças no setor. “Porque se os dinossauros estão gritando, é sinal de que o meteoro está funcionando”, finalizou. 

 

Próximos passos

A eventual retomada das cotas de importação para veículos CKD e SKD dependerá de decisão da Camex. Até o momento, o governo federal não anunciou posicionamento definitivo sobre o tema.

Enquanto isso, o debate sobre imposto de importação, política industrial e competitividade da indústria automotiva brasileira segue mobilizando fabricantes, sindicatos e governo, em um embate que envolve empregos, investimentos e o ritmo da transição para veículos eletrificados no país.

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