Linha 17-Ouro do metrô passa a funcionar em São Paulo. Foto: Divulgação/Kayke Guimarães/Governo Estado SP.
Após mais de uma década de atrasos, a Linha 17-Ouro do metrô de São Paulo entrou em operação, em 31 de março de 2026, conectando o aeroporto de Congonhas à rede metroferroviária da capital. A obra, originalmente prevista para a Copa do Mundo de 2014, foi marcada por paralisações, mudanças de projeto e entraves contratuais ao longo dos anos.
Agora em funcionamento, o monotrilho passa a operar inicialmente em trecho parcial, atendendo o aeroporto de Congonhas e integrando-se a outras linhas do sistema. A expectativa é que a nova conexão deve ampliar as opções de deslocamento na zona sul da cidade, além de fortalecer o uso de transporte limpo na região, o que reduz as emissões.
Segundo o governo estadual, a operação elétrica do sistema garantirá uma redução anual de 25.937 toneladas de emissões de poluentes e gases de efeito estufa, e uma economia estimada de 11,7 milhões de litros de combustíveis por ano, diminuindo congestionamentos e incentivando deslocamentos sustentáveis.
Na prática, a nova ligação com o aeroporto tende a substituir o tipo de deslocamento da população na região, evitando o uso de ônibus, táxis, carros de aplicativo e até mesmo veículos particulares em um dos corredores mais movimentados da cidade, contribuindo para a redução de emissões de gases tóxicos e ruídos no transporte urbano.

Tecnologia BYD nos trens
A fase final da obra contou com a entrada da BYD, que assumiu o fornecimento dos trens e sistemas após problemas com fornecedores anteriores. A empresa passou a ser responsável por concluir uma etapa crítica do projeto, incluindo material rodante, sinalização e sistemas operacionais.
Os trens da linha utilizam a plataforma SkyRail, com operação totalmente automatizada e tecnologia de tração elétrica. As composições têm cinco carros e capacidade para 616 passageiros, com recursos como ar-condicionado, monitoramento por câmeras e passagem livre entre os vagões.
Outro diferencial está na presença de baterias embarcadas, que permitem a movimentação mesmo em situações de falha no fornecimento de energia externa, além de reduzir ruído e aumentar a eficiência operacional.
A participação da BYD também marca a entrada mais direta da empresa chinesa no setor de transporte sobre trilhos no Brasil, ampliando sua atuação além dos carros elétricos e ônibus. A linha terá 14 trens ao todo. Desse total, 11 já foram entregues, sendo que oito já comissionados, ou seja, já cumpriram os protocolos de testes de segurança para o início das operações. O investimento foi de R$ 989 milhões.

Jornalista graduado pela PUC-Campinas. Atuou como repórter, redator e editor em veículos de comunicação de grande circulação, como Grupo Folha, Grupo RAC e emissoras de TV e rádio. Acompanha o setor de veículos elétricos e outras energias renováveis para o desenvolvimento sustentável.