Bateria do GWM Ora 03 GT, disponível no Brasil, é da CATL. Foto: Rubens Morelli/Canal VE.
As empresas chinesas ampliaram sua presença no mercado global de baterias para carros elétricos, consolidando uma liderança que já influencia diretamente a indústria automotiva mundial.
Dados recentes mostram que a CATL mantém a liderança global com 42,1% de participação, seguida pela BYD, com 13,8%. As informações, divulgadas pelo portal CnEVPost, têm como base levantamento da SNE Research, que acompanha o mercado global de baterias para veículos elétricos.
O avanço das empresas chinesas ocorre mesmo em um cenário de crescimento mais moderado da demanda global no início de 2026. Ainda assim, fabricantes da China ampliaram sua fatia de mercado, enquanto concorrentes de outras regiões, como Coreia do Sul e Japão, perderam espaço relativo.
Bateria está no centro da disputa
Mais do que um componente, a bateria se tornou o principal elemento estratégico dos carros elétricos. Ela representa uma parcela significativa do custo do veículo e define fatores como autonomia, desempenho e preço final ao consumidor.
Na prática, empresas que dominam essa tecnologia ganham vantagem competitiva em toda a cadeia da mobilidade elétrica — do desenvolvimento dos veículos à capacidade de expansão global. Esse cenário ajuda a explicar o avanço das montadoras chinesas em diferentes mercados.
No Brasil, por exemplo, a BYD vem ampliando rapidamente sua participação, enquanto outras marcas, como GWM, Geely, GAC e, mais recentemente, Leapmotor, avançam com planos de produção local.
Impacto global e reflexos no Brasil
O domínio na produção de baterias permite reduzir custos, acelerar lançamentos e ampliar a competitividade das montadoras chinesas fora do país de origem. Isso tem impacto direto na expansão da mobilidade elétrica em mercados emergentes, incluindo o brasileiro.
Ao mesmo tempo, o cenário global segue em transformação. Fabricantes de outras regiões continuam investindo em novas tecnologias para tentar reduzir a dependência e recuperar espaço, enquanto a China amplia sua capacidade produtiva e reforça sua posição na cadeia.
O resultado é uma disputa que vai além das montadoras e coloca as baterias no centro da corrida pela mobilidade elétrica. Quem controla essa tecnologia, na prática, também define o ritmo de crescimento do setor nos próximos anos.

Jornalista graduado pela PUC-Campinas. Atuou como repórter, redator e editor em veículos de comunicação de grande circulação, como Grupo Folha, Grupo RAC e emissoras de TV e rádio. Acompanha o setor de veículos elétricos e outras energias renováveis para o desenvolvimento sustentável.