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Carros elétricos seminovos têm a revenda mais rápida do Brasil

Dolphin GS estacionado com mar ao fundo

BYD Dolphin tem o giro mais rápido do mercado de seminovos no Brasil. Foto: Rubens Morelli/Canal VE.

Os carros elétricos seminovos já apresentam o giro mais rápido do mercado brasileiro. É o que confirma o novo relatório do Market Watch Brasil, da Indicata, que mostra que alguns modelos elétricos são revendidos em menos tempo do que veículos a combustão amplamente consolidados no país. 

No recorte de veículos com até quatro anos de uso, o BYD Dolphin registra Market Days Supply (MDS) de 19 dias, enquanto o Dolphin Mini aparece com 24,9 dias. O Song Plus completa o grupo com 31,7 dias. Na prática, isso significa que esses elétricos permanecem menos tempo anunciados antes da venda do que os principais hatches flex do mercado.

Para efeito de comparação, modelos líderes em volume no segmento de seminovos, como Chevrolet Onix, Hyundai HB20 e Volkswagen Polo, apresentam MDS entre 46,9 e 54,8 dias. De acordo com o estudo, o dado indica que, quando a proposta de produto e o preço estão alinhados, o carro elétrico já encontra liquidez superior à de modelos tradicionais.

 

Elétricos ainda são nicho, mas com aceitação clara

Apesar do alto desempenho do índice de rotação, o relatório ressalta que os veículos 100% elétricos ainda representam uma parcela reduzida do mercado de seminovos. O volume é pequeno, mas o comportamento do giro revela uma característica importante dessa nova fase de vendas: o mercado não rejeita o elétrico, ele seleciona as melhores ofertas.

Segundo a Indicata, propostas bem posicionadas em preço, autonomia e garantia conseguem rápida aceitação. Já modelos com posicionamento desalinhado enfrentam maior tempo de estoque e ajustes de preço.

Concessionária da BYD em Belém (PA)
Concessionária da BYD em Belém-PA. Foto: Paulo Bergamini/BYD.

Um mercado em duas velocidades

O bom desempenho de alguns elétricos ocorre dentro de um mercado mais amplo que opera em duas velocidades, de acordo com o Market Watch Brasil. De um lado, uma base sólida sustentada por veículos flex e modelos mais antigos, que seguem como o principal pilar de liquidez do setor. De outro, apostas tecnológicas que ainda são minoritárias em volume, mas já visíveis no comportamento de giro.

Os dados mostram que veículos com cinco anos ou mais concentram mais da metade das transações, refletindo escolhas racionais diante de preços elevados e crédito restrito. Já os seminovos mais novos, com até dois anos, continuam perdendo espaço.

O relatório também aponta que os preços se ajustam de forma desigual entre as motorizações. Os modelos flex seguem como um “porto seguro”, com valores mais resilientes. Já gasolina, diesel e eletrificados concentram correções mais evidentes.

No caso dos elétricos, a queda de preços não indica rejeição à tecnologia, mas o fim de um período de sobrevalorização inicial. O realinhamento entre expectativa e capacidade de absorção do mercado tem sido determinante para a liquidez.

 

Marcas chinesas influenciam mais do que dominam

O impacto direto das marcas chinesas no mercado de usados ainda é limitado em volume, mas já perceptível na mudança de percepção do consumidor. A maior presença de marcas chinesas no Brasil, como BYD, GWM, Omoda, GAC, Leapmotor e MG, elevaram o padrão esperado em tecnologia, equipamentos e garantia.

Segundo o relatório, o verdadeiro teste ocorrerá a partir de 2026, quando volumes mais relevantes de veículos oriundos de contratos de leasing começarem a abastecer o mercado de seminovos. Por ora, o papel dessas marcas é o de sinalizar uma transição, não de dominar o setor.

Visão lateral do Dolphin Mini, com árvores altas ao fundo
BYD Dolphin Mini tem atributos para convencer o motorista a migrar para os carros elétricos. Foto: Rubens Morelli/Canal VE.

Um mercado mais racional

O estudo conclui que o mercado brasileiro de seminovos entra em uma fase mais madura. A liquidez passa a depender menos da motorização e mais da coerência da oferta como um todo.

Enquanto os veículos flex e mais antigos seguem como base do mercado, os elétricos mostram que já podem competir em condições reais — desde que entreguem preço, proposta de uso e confiança percebida.

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