A Alliance for Automotive Innovation, associação que representa montadoras como General Motors, Toyota e Volkswagen, fez um novo apelo ao Congresso americano: quer que os parlamentares transformem em lei o veto a carros conectados de origem chinesa, impedindo que esses modelos sejam vendidos, importados ou produzidos no país, segundo a CNN Brasil.
O novo pedido foi feito nesta segunda-feira (2), antes de os parlamentares voltarem para uma sessão curta na semana seguinte, de acordo com o site americano CBT News, que cita a agência Reuters. A entidade espera que o tema seja votado na volta dos trabalhos no Congresso, depois das eleições de meio de mandato.
O pedido reforça uma carta enviada pela associação em 3 de setembro aos líderes da Câmara e do Senado. No documento, a entidade pede a aprovação da proibição antes do fim do mandato do atual Congresso.
Dados e subsídios
John Bozzella, presidente da associação, aponta dois problemas no avanço das montadoras chinesas fora da China, segundo a CNN Brasil: a possibilidade de os carros coletarem e enviarem dados sensíveis e a disputa com empresas que, na avaliação dele, recebem subsídios chineses.
Na carta de setembro, a associação afirma que montadoras chinesas vêm vendendo veículos com software e hardware conectados a preços subsidiados e ganhando participação de mercado na Europa, na Austrália, no Sudeste Asiático, no México e na América do Sul. Para a entidade, esses carros poderiam coletar, processar e transmitir dados de veículos e consumidores ao Partido Comunista Chinês. A associação reconhece que isso ainda não ocorreu nos EUA, mas defende agir agora.
“Diante da escala e da urgência dessa ameaça, pedimos que aprovem a proibição de veículos, software e hardware chineses”, escreveu Bozzella.
O projeto de lei
A associação defende a aprovação de um projeto apresentado pelos senadores Elissa Slotkin, democrata de Michigan, e Bernie Moreno, republicano de Ohio. Em julho, a proposta passou sem votos contrários por uma comissão do Senado, mas ainda precisa do aval do Congresso, segundo a CNN Brasil. Além dos carros, o texto atinge programas e peças usados para conectar o veículo a redes externas ou para a condução automatizada.
O projeto se chama Connected Vehicle Security Act of 2026 (Lei de Segurança de Veículos Conectados). A versão da Câmara tem mais de 100 coautores, e os sindicatos UAW, dos trabalhadores da indústria automotiva, e Teamsters também apoiam a proposta. O prazo para aprovação é dezembro, quando termina a sessão atual, segundo o CBT News.
Regra já em vigor
Hoje, o tema já é tratado por uma regra do Departamento de Comércio americano. De acordo com a CNN Brasil, a partir dos modelos 2027 ficam restritas as vendas de carros conectados de empresas com determinados vínculos com a China ou a Rússia, inclusive os montados em território americano. No caso das peças de conectividade importadas, a restrição vale a partir dos modelos 2030.
O projeto de lei transformaria essas restrições em uma proibição permanente, segundo o CBT News.
Trump e as montadoras chinesas
Em setembro, o presidente Donald Trump sinalizou que aceitaria montadoras chinesas fabricando carros nos EUA, o que se tornou um ponto de tensão com a indústria, segundo a CNN Brasil. Em 17 de setembro, seis associações da indústria, entre elas a NADA, que representa as concessionárias, pediram por carta que o presidente mantivesse essas montadoras fora do país.
O que diz a China
O governo chinês já se opôs a propostas anteriores dos EUA contra empresas chinesas e defende a concorrência justa. Quando os EUA anunciaram a regra contra a tecnologia chinesa em carros conectados, em janeiro de 2025, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, disse que Pequim “se opõe firmemente” à medida. Ele classificou as restrições como “protecionismo típico e coerção econômica”, afirmou que foram impostas “sem nenhuma base factual” e disse que a China tomaria “as medidas necessárias” para proteger seus direitos e interesses.
LEIA TAMBÉM: China projeta 30% de veículos elétricos na frota até 2030
