A instrutora Priscila Correia, de 38 anos, foi a primeira mulher da MobiBrasil a dirigir o novo ônibus superarticulado elétrico da BYD pelas ruas de São Paulo, segundo ela. O trajeto saiu da zona sul e terminou na garagem da empresa, no Varginha, na Avenida Teotônio Vilela, no extremo sul da cidade.
“Fiquei impactada com a tecnologia, o conforto e a qualidade que a marca entrega”, conta.
De cobradora a instrutora
Priscila tem mais de dez anos de carreira no transporte público. Começou como cobradora e, no ano seguinte, passou por um treinamento interno e foi promovida a motorista. Em São Paulo, dirigiu linhas que ligam a zona sul à região central e passou por terminais como Bandeira, Parque Dom Pedro II, Princesa Isabel e Jabaquara. Hoje, atua como instrutora.

Foto: Arquivo Pessoal
Ela conta que se tornou motorista muito jovem, quando era mãe solo. “Eu carregava um desejo muito grande de ter independência financeira, poder dar um sustento digno para o meu filho e melhores condições de vida. O transporte me deu o suporte necessário para que eu pudesse me desenvolver em muitas áreas da minha vida.”
Para ela, a profissão exige mais do que coragem. “Dirigir um ônibus vai muito além da coragem. Ela se torna um detalhe diante de tantos outros fatores que a profissão exige.”
O ônibus
O modelo adquirido pela MobiBrasil tem 23 metros de comprimento, chassi BYD BC22LE41.820LR e carroceria Caio e-Millennium, e é conhecido como superarticulado elétrico. Segundo Priscila, com a bateria em 100%, ele tem autonomia de até 350 km.

Foto: Arquivo Pessoal
Os veículos vão atender linhas operadas pela empresa nos grandes corredores da cidade, ligando bairros da zona sul à região central. A prioridade para o início da operação é a linha 607C-10.
Como é dirigir um ônibus elétrico
Para Priscila, a principal diferença em relação aos ônibus a diesel é a condução. “O desempenho do veículo é fora do comum. É muito macio, a sensação é de que estou dirigindo um carro de passeio”, diz.
Como o elétrico não tem troca de marchas, o motorista não precisa esperar a transição para o veículo ganhar velocidade. Ela também destaca o silêncio: segundo a instrutora, o ruído dos ônibus antigos chegava a causar perda auditiva em motoristas, considerada uma doença ocupacional da profissão.
No lugar dos retrovisores, o veículo tem câmeras, que reduzem os pontos cegos. Há ainda câmeras voltadas para trás na articulação, a parte que une os dois módulos do ônibus. Esse foi o recurso que mais chamou a atenção dela. “Nos ônibus convencionais, a gente perde totalmente essa visão da sanfona para trás. Isso ajuda principalmente quando precisamos fazer uma conversão”, explica.
No interior, ela destaca a iluminação de LED, que se estende por todo o teto do veículo.
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Um treinamento para cada tecnologia
A MobiBrasil opera hoje ônibus elétricos de três fabricantes: BYD, Mercedes-Benz e Eletra. Segundo Priscila, cada tecnologia tem um treinamento específico, com aulas teóricas e práticas, porque a forma de operar os veículos é diferente.
Um dos pontos centrais é o uso do freio regenerativo, que gera energia durante a frenagem. Usado da forma correta, ajuda a conservar o nível da bateria.
Adaptação
De acordo com a instrutora, os motoristas mais experientes estranham o elétrico apenas no primeiro contato. “Como tudo o que é novo, logo eles ficam familiarizados e até preferem e pedem os ônibus elétricos no dia a dia.”
Ela afirma que o conforto também aparece na avaliação dos passageiros. Sem a troca de marchas, a velocidade aumenta de forma gradual e pouco perceptível para quem está a bordo.
Para Priscila, acompanhar a chegada dos novos ônibus tem também um significado pessoal. “Ver de perto a evolução tecnológica do transporte coletivo é a certeza de que cada quilômetro rodado na minha história valeu a pena”, escreveu em suas redes sociais.
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