Chevrolet Captiva EV passa a ter montagem final no Brasil. Foto: Rubens Morelli/Canal VE.
A General Motors iniciou a produção do Captiva EV na Planta Automotiva do Ceará (PACE), localizada em Horizonte (CE), ampliando a operação de veículos eletrificados da Chevrolet no Brasil e dando mais um passo na estratégia de expansão industrial da marca no estado.
O Captiva EV, SUV 100% elétrico, passa a ser o segundo veículo produzido na unidade, que já monta o Spark EUV desde dezembro de 2025. Com isso, o Brasil se torna o primeiro país fora da China a fabricar os dois modelos elétricos da Chevrolet.
O início da produção do Captiva EV marca também uma nova etapa de crescimento da operação cearense. Segundo a empresa, a fábrica ampliará em aproximadamente 50% o seu quadro de funcionários com o início da montagem do SUV elétrico.
A expansão também deve continuar nos próximos meses. Durante visita de jornalistas à unidade, a GM confirmou que a PACE receberá ainda em 2026 uma nova linha de produção destinada a um terceiro veículo equipado com uma tecnologia inédita para a marca no Brasil, possivelmente um híbrido plug-in (PHEV).
Embora a montadora não tenha revelado qual será o modelo, a iniciativa reforça a estratégia de utilizar a unidade cearense como base para ampliar sua presença no mercado de veículos eletrificados.
“À medida que a demanda evolui, temos condição de ampliar gradualmente a operação no Brasil, incorporar novos produtos e desenvolver novas capacidades. É assim que a GM construiu, ao longo de mais de um século, uma das maiores estruturas do setor automotivo no país, com foco em competitividade, eficiência e visão de longo prazo”, afirmou Thomas Owsianski, presidente da GM América do Sul.

Produção local ganha espaço
O processo adotado na unidade cearense segue um modelo de montagem industrial conhecido no setor automotivo como SKD (Semi Knocked Down). Nesse sistema, a carroceria do veículo chega parcialmente montada ao país e recebe localmente componentes, sistemas e acabamentos antes da validação final e entrega ao mercado.
Parte dos itens é fornecida por empresas brasileiras — cerca de 30% dos componentes do veículo, segundo a GM —, enquanto componentes de maior valor agregado, como bateria, powertrain e inversor, continuam sendo importados.
Atualmente, a unidade opera em um turno diário de oito horas e possui capacidade para produzir cerca de 40 veículos por dia.
Segundo a GM e a PACE, a estrutura foi planejada para crescer gradualmente, acompanhando a evolução da demanda por veículos eletrificados no mercado brasileiro.

Fábrica pode dobrar capacidade
A chegada do Captiva EV também prepara a unidade para uma nova fase de expansão. De acordo com Rodrigo Teixeira, vice-presidente da Comexport e acionista da PACE, a fábrica poderá ampliar significativamente sua capacidade nos próximos anos.
“A produção do Captiva EV marca uma nova etapa da PACE. Além da ampliação do quadro de empregados da unidade, o projeto prepara a fábrica para receber novos veículos e ampliar sua capacidade produtiva. Em uma futura etapa de expansão, a unidade poderá inclusive dobrar sua capacidade produtiva, alcançando até 50 mil veículos por ano”, afirmou.
O movimento reforça uma tendência observada em diferentes mercados: a eletrificação não tem impulsionado apenas a chegada de novos veículos, mas também a expansão da atividade industrial e da geração de empregos ligados à nova cadeia automotiva.


Jornalista graduado pela PUC-Campinas. Atuou como repórter, redator e editor em veículos de comunicação de grande circulação, como Grupo Folha, Grupo RAC e emissoras de TV e rádio. Acompanha o setor de veículos elétricos e outras energias renováveis para o desenvolvimento sustentável.