BloombergNEF mostra evolução dos EVs. Foto: Envato/Elements
As vendas globais de carros elétricos devem atingir um número recorde em 2026, conforme previsões da BloombergNEF. De acordo com um levantamento divulgado pela provedora de pesquisa, mais de 23 milhões de novos veículos elétricos de passageiros serão vendidos neste ano, alta de 11% em relação a 2025.
O total estimado representa 27% de todos os carros comercializados no período. Para efeito de comparação, em 2021, esse valor era de 18%. Além disso, até 2035, mais da metade dos veículos de passageiros serão elétricos, segundo o relatório – o que representaria um total de 52%.

Competitividade impulsiona a eletrificação
Para a BloombergNEF, a estatística reflete fatores como a queda contínua no preço das baterias de íon-lítio, lançamento de carros elétricos mais acessíveis e a adoção crescente desse tipo de motorização em mercados emergentes. A guerra entre Estados Unidos e Irã também é apontada como impulso para as vendas de EVs, por ter ocasionado um aumento no preço dos combustíveis fósseis.
A China segue como principal polo da mobilidade elétrica global, seja na exportação de carros movidos a bateria ou nas vendas domésticas, que agora representam 64% do mercado, quase dois terços.
Em determinados países emergentes, a adoção de carros elétricos já supera a dos EUA. Quase metade de todos os carros vendidos em Singapura, por exemplo, eram elétricos em 2025. No mesmo período, Vietnã e Tailândia tiveram participação de 39% e 27% nas vendas totais, respectivamente. No intervalo de um ano, as vendas de veículos elétricos de passageiros na Turquia mais que dobraram, atingindo 22% de todo o mercado local de carros.
A BNEF destaca que a busca pela independência das importações de petróleo, a relativa abertura às montadoras chinesas e as políticas industriais voltadas para veículos elétricos estão por trás desse avanço.

Europa ainda tem margem de evolução nos preços
Na Europa, a BNEF observou mais competitividade nos preços de carros elétricos em relação a carros a combustão. Em 2024, mercados como Itália, Alemanha e Reino Unido tinham EVs em média 34% mais caros que carros a combustão equivalente. Essa diferença foi reduzida para 17%. No entanto, ainda há obstáculos nesse cenário, em razão da competitividade industrial com a China, país onde os custos de produção são menores.

Projeção é animadora, mas mais baixa do que a anterior
Apesar do cenário positivo, a projeção da BNEF de adoção de EVs a curto e longo prazo caiu pelo segundo ano seguido, em razão da desaceleração do mercado chinês – motivada pela maturação e competitividade do mercado – e da queda projetada nos EUA, onde as vendas devem ter queda de 19%, por conta da retirada de incentivos à eletrificação. Com isso, a BloombergNEF prevê que apenas 24% da frota estadunidense seja eletrificada até 2040.
“Embora a adoção de veículos elétricos continue avançando globalmente, o ritmo da transição está se tornando cada vez mais desigual entre os mercados, impulsionado principalmente por mudanças nas políticas dos EUA e pela maturação do mercado chinês. Apesar dessa desigualdade, é animador constatar que a tendência de longo prazo rumo à eletrificação permanece intacta, impulsionada pela melhoria da economia dos veículos, pela queda nos custos das baterias e pela rápida adoção em mercados emergentes”, explica Aleksandra O’Donovan, Diretora de Veículos Elétricos da BloombergNEF.

Pressão na demanda energética
O estudo ainda aponta que a adoção acentuada de veículos elétricos ao redor do mundo impactará diretamente a demanda por eletricidade. Em 2025, segundo a BNEF, a frota elétrica global consumiu 367 TWh, valor que deve saltar para 2.700 TWh em 2040. Para acompanhar esse salto, a rede elétrica deverá receber investimentos estimados em mais de US$ 800 bilhões.

Estudante de jornalismo na PUC-Campinas. Atuou como redator, repórter, social media e assessor de imprensa na área de esportes. Estagiário no Canal VE.