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Surpresa da Copa, Cabo Verde troca petróleo por eletricidade

Praia de Cabo Verde vista de longe

Cabo Verde é formado por um arquipélago no meio do Oceano Atlântico. Foto: Divulgação/Canva.

Cabo Verde entrou para o noticiário mundial após segurar a favorita Espanha na estreia da Copa do Mundo de 2026. Fora dos gramados, porém, o pequeno país africano, lar do carismático goleiro Vozinha, também tenta surpreender o mundo em outra área: a transição para a mobilidade elétrica.

Com cerca de 600 mil habitantes distribuídos em um arquipélago no Oceano Atlântico, Cabo Verde vem adotando uma série de políticas públicas para estimular o uso de veículos elétricos, ampliar a infraestrutura de recarga e reduzir a dependência da importação de combustíveis fósseis.

A estratégia vai além da mobilidade. Para o governo cabo-verdiano, a eletrificação dos transportes faz parte de um plano mais amplo de segurança energética e desenvolvimento sustentável.

carro elétrico recebe recarga em Cabo Verde
Cabo Verde investe em rede de eletropostos. Foto: Reprodução

Menos petróleo importado, mais energia local

Se na estreia da Copa, a seleção de Cabo Verde jogou bem fechada, impedindo os avanços do ataque espanhol, em dias normais o país é bem-receptivo aos turistas, com praias paradisíacas e um povo hospitaleiro. Na economia, porém, Cabo Verde depende quase totalmente da importação de combustíveis fósseis para garantir energia ao país. Pelo menos, ainda.

A substituição gradual da gasolina e do diesel por eletricidade é vista como uma forma de reduzir custos, aumentar a segurança energética e aproveitar melhor os recursos renováveis disponíveis no país.

Nos últimos anos, o governo implementou incentivos fiscais para estimular a compra de veículos elétricos, incluindo isenções tributárias e benefícios para a importação de automóveis e equipamentos de recarga. Ao mesmo tempo, investiu em alternativas renováveis de geração de energia elétrica, como usinas fotovoltaicas, para também diminuir a dependência externa.

A meta é acelerar a adoção da eletromobilidade e diminuir a exposição do país às oscilações dos preços internacionais do petróleo.

Eletroposto de carga rápida em Cabo Verde
Infraestrutura de recarga em Cabo Verde. Foto: Divulgação/TECV.

Rede de recarga começa a ganhar escala

A infraestrutura também avança. Em 2023, a ilha do Sal recebeu o primeiro posto público de carregamento para veículos elétricos do país. Desde então, Cabo Verde vem desenvolvendo projetos para ampliar a rede de recarga e levar a infraestrutura para outras ilhas do arquipélago.

A expansão da eletromobilidade faz parte de uma estratégia nacional que busca integrar transporte limpo e geração renovável de energia.

Outro pilar do plano cabo-verdiano é a ampliação da geração elétrica por fontes renováveis. Recentemente, o governo anunciou a construção de uma nova usina solar fotovoltaica de 5 MW na ilha do Sal. O projeto busca aumentar a participação das energias renováveis na matriz elétrica nacional e criar condições para o crescimento da frota eletrificada.

A lógica é simples: quanto maior a produção local de energia limpa, menor a necessidade de importar combustíveis fósseis para movimentar veículos e gerar eletricidade.

BYD Seagull é um carro elétrico compacto de entrada da marca chinesa
BYD Seagull está presente em diversos países. Foto: Divulgação/BYD.

Mobilidade elétrica como política de Estado

Embora o mercado automotivo cabo-verdiano seja pequeno quando comparado ao de países como Brasil, Estados Unidos ou China, a estratégia adotada pelo arquipélago chama atenção por tratar a mobilidade elétrica como uma política de Estado.

Os incentivos já começam a refletir na frota local. Entre os modelos elétricos presentes no país estão o BYD Seagull, vendido no Brasil como Dolphin Mini, e o Geely EX2, utilizado em diferentes ilhas do arquipélago. 

Enquanto muitos países ainda discutem os primeiros passos da transição energética, Cabo Verde já trabalha para conectar incentivos fiscais, infraestrutura de recarga e geração renovável dentro de um mesmo plano de desenvolvimento.

Agora, além de chamar atenção dentro de campo na Copa do Mundo, o país africano também tenta se destacar em uma disputa menos visível: a corrida pela eletrificação dos transportes e pela redução da dependência do petróleo.

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