Qualificação em eletropostos abre oportunidades de negócios para engenheiro no RS

Qualificação em eletropostos abre oportunidades de negócios para engenheiro no RS
Infraestrutura de recarga para veículos elétricos exige avaliação da capacidade elétrica e das condições de segurança antes da instalação dos equipamentos. Foto: José Cruz/Agência Brasil.

A expansão da infraestrutura de recarga para veículos elétricos tem criado novas demandas para profissionais do setor elétrico, especialmente na adaptação de garagens de condomínios residenciais e comerciais. Em Porto Alegre (RS), o engenheiro eletricista Enilso Marques, proprietário da Engecali, identificou nesse segmento uma oportunidade de ampliar sua atuação profissional após buscar capacitação em projetos e viabilidade de eletropostos.

Enilso Marques, engenheiro eletricista e proprietário da Engecali, ampliou sua atuação profissional para o mercado de infraestrutura de recarga.
Enilso Marques, engenheiro eletricista e proprietário da Engecali, ampliou sua atuação profissional para o mercado de infraestrutura de recarga. Foto: Divulgação/Engecali.

Após concluir o Curso de Projetos e Viabilidade de Eletropostos e Estações de Carregamento do Canal Solar Educacional, realizado em agosto deste ano, o engenheiro comercializou nove análises de viabilidade para instalação de carregadores em condomínios e possui outras oito propostas em negociação, que aguardam aprovação em assembleias condominiais.

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Com 22 anos de experiência na elaboração de projetos elétricos, Marques começou a se interessar pelo mercado de recarga no ano passado, mas encontrou dificuldades para reunir os conhecimentos necessários sobre normas técnicas, exigências das concessionárias de energia e diretrizes dos Corpos de Bombeiros.

Esses aspectos são importantes para avaliar as condições de instalação de carregadores em edifícios e orientar a implantação segura da infraestrutura de recarga.

Segundo ele, a busca por qualificação o levou ao curso de projetos e viabilidade de eletropostos do Canal Solar Educacional. O engenheiro já havia realizado uma formação em armazenamento de energia pela instituição e decidiu se matricular na primeira turma do novo curso.

“Eu já atuo há 22 anos como engenheiro eletricista fazendo projetos, mas, antes de iniciar a oferta desses serviços ao mercado, fui me atualizar com relação às normas e melhores práticas para atuar com os projetos de carregadores”, relatou.

Segundo Marques, a formação contribuiu para aprofundar o conhecimento sobre as normas aplicáveis e forneceu materiais de apoio, como modelos de análises e relatórios técnicos, que passaram a integrar sua atuação no segmento.

“O curso foi essencial para conhecer as normas que tratam deste tema, as diretrizes de bombeiros e, principalmente, toda esta questão de como a instalação de carregadores está sendo tratada no restante do Brasil”, afirmou.

O profissional também destacou a troca de experiências com professores e outros participantes, que permitiu conhecer diferentes situações enfrentadas por profissionais do setor em outras regiões do país.

Primeiros contratos após capacitação

Na semana seguinte à conclusão do curso, Marques começou a entrar em contato com empresas de síndicos profissionais para apresentar seus serviços de análise de viabilidade.

Em uma dessas primeiras aproximações, foi convidado por uma administradora de condomínios para realizar uma palestra sobre infraestrutura de recarga. 

O encontro resultou na contratação de duas análises de viabilidade para instalação de carregadores em edifícios residenciais. “Nessa palestra eu já saí com duas análises de viabilidade contratadas”, relatou.

Desde então, o engenheiro ampliou sua carteira de clientes. Ao todo, já comercializou nove análises e possui outras oito propostas em negociação, que dependem de aprovação dos moradores em assembleias.

Segundo o profissional, a procura pelos serviços fez com que o analisador de energia utilizado nas avaliações passasse a ser levado de um empreendimento para outro desde meados de agosto.

De acordo com Marques, os primeiros contratos também foram suficientes para recuperar o valor investido na capacitação.

O interesse pelo tema levou o engenheiro a realizar uma segunda palestra, desta vez para aproximadamente 60 síndicos. Ao final do encontro, recebeu convites para apresentar o assunto em outras duas cidades próximas a Porto Alegre.

Como funcionam as análises de viabilidade?

O trabalho realizado por Marques consiste em avaliar se a infraestrutura elétrica dos condomínios possui capacidade para receber carregadores de veículos elétricos e identificar eventuais adequações necessárias.

Analisador de energia utilizado para avaliar a capacidade elétrica de condomínios.
Analisador de energia utilizado para avaliar a capacidade elétrica de condomínios. Foto: Divulgação/Engecali.

Marques explica que a análise considera a capacidade das instalações existentes, seu estado de conservação e as condições de manutenção.

Uma das etapas envolve a utilização de um analisador de energia durante sete dias, período em que são registrados os picos de potência elétrica do empreendimento.

Com os dados coletados, o engenheiro elabora um relatório técnico que reúne os resultados das medições, fotografias das instalações e recomendações de melhorias, quando necessárias.

O documento também indica quantos carregadores podem ser instalados sem alterações na infraestrutura elétrica existente e apresenta alternativas para ampliar essa capacidade caso a demanda ultrapasse os limites identificados.

Segundo Marques, a necessidade de adequações para atender a uma quantidade maior de carregadores ocorre em praticamente todos os condomínios que já avaliou.

Além das análises de viabilidade, a Engecali desenvolve projetos elétricos e realiza a fiscalização da execução dos serviços, mas não atua diretamente na instalação dos equipamentos.

Atualmente, o engenheiro também trabalha no desenvolvimento de dois projetos para condomínios.

Demanda por recarga enfrenta desafios em condomínios

O aumento da presença de veículos eletrificados tem levado moradores a procurar os síndicos para solicitar a instalação de carregadores nas garagens, segundo Marques.

Essa demanda também tem motivado os administradores de condomínios a buscar avaliações técnicas antes de autorizar novas instalações, principalmente para verificar as condições da infraestrutura elétrica e o atendimento às normas de segurança.

“O que tem motivado os síndicos a procurar pelos serviços de análise e projeto é para se certificar que tudo será feito da forma adequada, seguindo as normas técnicas e diretrizes de bombeiros”, explicou.

O engenheiro acrescentou que a maior parte dos contatos recebidos vem de síndicos profissionais ligados a empresas responsáveis pela administração de diversos condomínios.

Apesar do interesse crescente, a aprovação dos investimentos em assembleias ainda representa um dos principais obstáculos para a implantação da infraestrutura de recarga.

Isso porque a instalação de carregadores pode exigir adaptações nas áreas comuns, incluindo eletrocalhas para passagem de cabos nas garagens, painéis de desligamento geral e sistemas de gerenciamento de demanda.

Como o número de moradores que possuem veículos elétricos ainda pode ser pequeno em relação ao total de condôminos, principalmente em edifícios maiores, nem sempre há consenso sobre os investimentos necessários.

“A maior dificuldade é no convencimento de todos os moradores em fazer o investimento para que o condomínio padronize as instalações”, destacou.

Segundo o engenheiro, essa diferença de interesses faz com que algumas propostas não avancem nas assembleias, mesmo quando existe demanda pela instalação de carregadores.

Para Marques, a experiência reforça a importância da atualização profissional para atender às novas necessidades do setor elétrico. Com nove análises comercializadas, oito propostas em negociação e dois projetos em andamento, o engenheiro pretende continuar explorando as oportunidades relacionadas à infraestrutura de recarga em condomínios.

Valentina Sclauser
Valentina Sclauser

Estudante de Jornalismo na PUC-Campinas, com experiência como redatora e produtora na Rádio Brasil Campinas. Atua na criação de conteúdos jornalísticos, com ênfase em produção de texto e gravação de vídeos.