Incentivo à mobilidade elétrica pode influenciar voto de motoristas

Incentivo à mobilidade elétrica pode influenciar voto de motoristas
Mobilidade elétrica avança rápido no país. Foto: Gustavo Cabral / Canal VE

O carro elétrico pode despontar como assunto com potencial eleitoral às vésperas do segundo turno da eleição presidencial. Um levantamento do Instituto Locomotiva indica que 65% dos motoristas brasileiros concordam, total ou parcialmente, que propostas para tornar esses veículos mais acessíveis podem influenciar o voto. Entre eles, 37% concordam totalmente e 28% concordam em parte. Apenas 17% dos entrevistados pelo instituto discordam, e 18% não concordam nem discordam.

Os números sugerem que o candidato que adotar a pauta e demonstrar intenção efetiva de democratizar o acesso ao carro elétrico pode atrair novos eleitores.

 

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Preferência por candidatos que incentivem o uso

Outra pergunta aponta na mesma direção. Para 59% dos entrevistados, a eletrificação da frota é uma bandeira atrativa: eles afirmam preferir votar em um candidato que incentive o uso de carros elétricos. São 30% que concordam totalmente e 29% que concordam em parte. Outros 27% não têm posição definida, e 14% discordam. Na prática, para quase 6 em cada 10 motoristas, a eletrificação da frota é uma bandeira bastante atrativa para estas eleições.

 

Consenso entre diferentes visões políticas

A baixa polarização chama atenção. Quando o tema é o papel do governo, as respostas ficam praticamente iguais entre os grupos ideológicos: Incentivos para atrair montadoras e ampliar a concorrência, protegendo o cidadão da alta do petróleo: 93% na esquerda, 91% no centro e 90% na direita. Mais investimento em infraestrutura, como pontos de recarga: 87% na esquerda, 84% no centro e 88% na direita.

Mais veículos elétricos nas ruas significam melhor qualidade de vida nas cidades: 79% na esquerda, 74% no centro e 79% na direita.

Ou seja, em um cenário de alta no petróleo, a defesa de incentivos públicos à eletromobilidade encontra apoio expressivo tanto entre eleitores que se posicionam à esquerda quanto à direita, o que torna o tema pouco arriscado do ponto de vista eleitoral.

“A pesquisa mostra que a mobilidade elétrica reúne uma agenda comum entre eleitores de diferentes espectros políticos. Há níveis elevados de concordância sobre ampliar a infraestrutura, estimular a concorrência e tornar os veículos mais acessíveis. Isso mostra que a eletrificação pode entrar no debate público por diferentes frentes, envolvendo preço e acesso, custo de mobilidade, qualidade de vida nas cidades, infraestrutura e desenvolvimento da indústria. E, quando 65% dos motoristas dizem que propostas nessa área podem influenciar seu voto, fica claro que o tema já está relacionado às expectativas do eleitor”, afirma Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.

 

Como foi feita a pesquisa

O estudo ouviu, por entrevista digital de autopreenchimento, mil motoristas com 18 anos ou mais em todo o país, com margem de erro de 3,1 pontos percentuais. Também foram ouvidos 300 motoristas de carros elétricos ou híbridos, com margem de erro de 5,2 pontos percentuais. O campo ocorreu de 1 a 10 de julho de 2026

Gustavo Cabral
Gustavo Cabral

Estudante de jornalismo na PUC-Campinas. Atuou como redator, repórter, social media e assessor de imprensa na área de esportes. Estagiário no Canal VE.