O Imposto de Importação para carros elétricos totalmente montados e produzidos no exterior passou de 25% para 35% nesta quarta-feira (1º). A mudança já estava prevista pelo governo federal desde 2023 e marca a última etapa do cronograma de recomposição das tarifas para veículos eletrificados importados.
Na prática, a nova alíquota vale para os veículos que chegam ao Brasil prontos para venda, sem qualquer etapa de montagem no país.
O que muda para os carros importados
Com a nova regra, os carros elétricos importados no modelo conhecido como CBU (Completely Built Unit), ou seja, totalmente montados, passam a pagar 35% de Imposto de Importação.
O objetivo do governo é incentivar que as montadoras ampliem a produção nacional, reduzindo a dependência de veículos prontos fabricados no exterior.
A elevação da tarifa já fazia parte de um calendário anunciado em novembro de 2023. Desde então, o imposto vinha sendo aumentado gradualmente até alcançar o percentual atual.
Montagem no Brasil continua com benefício temporário
Apesar do aumento para os veículos prontos, o governo decidiu manter uma cota de importação com alíquota zero para carros que chegam desmontados ou parcialmente desmontados e são montados em fábricas brasileiras.
Esse sistema funciona por meio dos modelos CKD (Completely Knocked Down), quando o veículo chega totalmente desmontado, e SKD (Semi Knocked Down), quando parte da montagem já foi realizada no exterior.
A isenção vale para importações de até US$ 463 milhões até 31 de dezembro de 2026.
Após esse limite, os kits SKD passam a pagar 35% de imposto, enquanto os kits CKD terão alíquota de 14% até o fim deste ano. A partir de 1º de janeiro de 2027, ambos passarão a recolher 35%.
Medida beneficia fábricas em instalação
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a manutenção da cota busca apoiar montadoras que estão implantando ou ampliando fábricas no Brasil.
Entre elas está a fabricante chinesa BYD, que iniciou a produção em sua unidade de Camaçari (BA) utilizando o sistema SKD e vem ampliando gradualmente as operações com kits CKD.
A estratégia do governo é estimular que empresas estrangeiras produzam parte dos veículos em território brasileiro, gerando empregos e fortalecendo a cadeia automotiva nacional.
Setor automotivo tem posições diferentes
O governo afirma que a medida contribui para a industrialização do país e para a expansão da produção de veículos eletrificados.
Já associações que representam fabricantes instalados no Brasil avaliam que a manutenção da isenção para kits importados pode gerar desequilíbrio na concorrência e reduzir a previsibilidade para novos investimentos na indústria e no setor de autopeças.
O que muda para o consumidor?
A nova alíquota pode aumentar os custos para montadoras que importam carros elétricos totalmente prontos, embora o impacto no preço final dependa da estratégia comercial de cada empresa.
Já os modelos montados no Brasil por meio dos sistemas CKD e SKD tendem a sofrer menor impacto durante o período de vigência da cota de importação com imposto reduzido.
Com o encerramento do cronograma de recomposição das tarifas, o governo conclui a política iniciada em 2023 para equiparar a tributação dos carros elétricos importados à dos demais veículos vindos do exterior, mantendo um período de transição para fabricantes que estão estruturando sua produção no país.