Furto de cabos em eletropostos leva setor a reforçar segurança

Furto de cabos em eletropostos leva setor a reforçar segurança
Câmera de segurança registrando estelionato em eletroposto em Curitiba (PR). Foto: Reprodução

O aumento dos furtos de cabos, que já cresceram 9% em 2026 na área de concessão da Enel São Paulo, tem levado operadoras de eletropostos a reforçar a segurança da infraestrutura de recarga. Além de prejuízos de cerca de R$ 5 mil por cabo furtado, o crime provoca interrupções no serviço e afeta motoristas de veículos elétricos.

Capitais como Curitiba, Brasília e Florianópolis registraram crescimento desse tipo de ocorrência, impulsionado pelo alto valor de revenda do cobre no mercado ilegal. Imagens de sistemas de monitoramento mostram que, em alguns casos, os criminosos conseguem cortar os cabos utilizando serras manuais em menos de 30 segundos.

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Além da perda do equipamento, cada cabo furtado pode representar um custo aproximado de R$ 5 mil para as empresas responsáveis pela operação dos eletropostos. O impacto também recai sobre os motoristas de veículos elétricos, que frequentemente encontram carregadores indisponíveis durante viagens ou deslocamentos urbanos. 

 

Setor amplia medidas de proteção 

Diante do avanço das ocorrências, fabricantes, operadoras e concessionárias passaram a adotar novas estratégias para dificultar a ação criminosa e reduzir os prejuízos causados pelos furtos de cabos. 

Uma das principais mudanças é a substituição gradual de componentes de cobre por alumínio em determinadas aplicações. Embora apresente menor condutividade elétrica em comparação ao cobre, o alumínio possui valor comercial significativamente inferior no mercado de sucatas, reduzindo o interesse dos criminosos.

Outra medida consiste na utilização de cabos revestidos por malhas de aço, que aumentam a resistência ao corte com ferramentas convencionais e elevam o tempo necessário para a remoção da fiação.

Empresas também ampliaram investimentos em sistemas de videomonitoramento, melhoria da iluminação dos pontos de recarga e monitoramento remoto da infraestrutura.

 

Tecnologia busca identificar criminosos 

Fabricantes internacionais também desenvolveram soluções específicas para combater esse tipo de crime. Um dos exemplos é a finlandesa Kempower, empresa especializada em infraestrutura de recarga para veículos elétricos.

Em parceria com a empresa britânica Formula Space, a Kempower desenvolveu um sistema que incorpora um marcador forense aos cabos de carregamento. Quando o cabo é cortado, o mecanismo libera automaticamente um líquido transparente que adere à pele, roupas e ferramentas do criminoso. Invisível a olho nu, o composto brilha sob luz ultravioleta (UV) e contém um código químico exclusivo, permitindo que as autoridades relacionem o suspeito ao local do crime mesmo dias após o furto.

A tecnologia foi criada para aumentar a capacidade de identificação dos autores e atuar como elemento de dissuasão, reduzindo a atratividade desse tipo de delito.

Funcionário instala capa antifurto em cabo de carregador de veículos elétricos. Foto: Divulgação/Kempower.
Funcionário instala capa antifurto em cabo de carregador de veículos elétricos. Foto: Divulgação/Kempower.

ABVE defende combate ao mercado ilegal

A ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico) defende que o enfrentamento ao problema deve incluir ações voltadas aos receptadores de cobre furtado.

Segundo a entidade, o combate exclusivamente aos autores dos furtos não é suficiente enquanto o mercado clandestino continuar adquirindo materiais provenientes de crimes. A associação também destaca a importância da fiscalização sobre estabelecimentos que comercializam sucatas metálicas.

 

Legislação endurece punições

A legislação brasileira foi atualizada para ampliar as penalidades relacionadas ao furto, roubo e receptação de cabos utilizados em serviços essenciais.

Além do aumento das penas para os responsáveis pela subtração dos materiais, empresas flagradas comercializando cobre de origem ilícita podem sofrer sanções administrativas, incluindo multas e até a cassação do alvará de funcionamento.

As medidas buscam reduzir a comercialização ilegal do metal e desestimular a atuação das organizações criminosas envolvidas nesse tipo de delito.

Raphael Guerra
Raphael Guerra

Jornalista formado na PUC Campinas. Atuou na Futpress, TV Século 21 e ENM. Possui experiência em podcast, televisão, rádio e assessoria de imprensa.