Os carros elétricos e híbridos representaram 21,24% das vendas do mercado brasileiro de veículos leves na primeira quinzena de julho de 2026. Na prática, mais de um a cada cinco veículos vendidos tinham alguma tecnologia de eletrificação embarcada.
De acordo com os dados divulgados pela plataforma AutoDash, da Bright Consulting, o mercado de veículos leves somou 106.158 emplacamentos na primeira quinzena de julho de 2026, queda de 1,6% sobre a mesma janela de junho (107.902) e avanço de 13,0% sobre a primeira quinzena de julho de 2025 (93.912).
Desse total, foram 22.552 veículos eletrificados comercializados no período, sendo 10.397 modelos 100% elétricos (BEV), 8.106 híbridos plug-in (PHEV), 3.830 híbridos convencionais (HEV) e 219 elétricos com extensor de autonomia (REEV), tecnologia em que o motor a combustão funciona apenas como gerador para recarregar a bateria. Juntas, essas categorias responderam por 21,24% dos emplacamentos de veículos leves no período, um recorde. A participação é maior que a registrada no primeiro semestre de 2026, que registrou 16% de marketshare.
Vale destacar que a plataforma AutoDash também contabiliza a tecnologia MHEV (Mild Hybrid Electric Vehicle), com mais 2.500 unidades, como uma tecnologia de eletrificação. Assim, a participação dos eletrificados subiria para 23,59%. No entanto, o Canal VE adota a mesma metodologia da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), que desde 2025 considera como eletrificados os modelos com tração elétrica autônoma e motorização acima de 60V (BEV, PHEV, HEV e HEV Flex), excluindo os híbridos leves de 12V e 48V.

Venda direta perde força
Segundo a análise da Bright Consulting, a venda direta representou 43,7% do total de emplacamentos na primeira quinzena de julho, queda relevante frente aos 45,7% de junho e aos 47,3% da mesma quinzena de julho de 2025. É o menor patamar do canal direto no ano, o que, segundo a empresa, é um indicativo de mudança na dinâmica do mercado.
“A queda de 10,5% na média diária frente a junho é o dado mais relevante do mês. Ela confirma que o forte volume observado em maio (13.213 unid./dia) e junho (12.356) refletia o esforço concentrado de frotistas, locadoras e órgãos governamentais no fechamento do 2º trimestre — movimento que era esperado e que agora começa a se dissipar. O mercado segue robusto na comparação anual, mas o pico de curto prazo ficou para trás”, diz a análise.
Enquanto a venda direta perdeu participação, o varejo — formado pelas vendas realizadas diretamente nas concessionárias para consumidores finais — continuou em expansão. O segmento cresceu 1,9% em relação a junho e 20,8% na comparação anual.
“No acumulado do ano, o showroom soma 748.077 unidades (+22,9%) e a venda direta chega a 714.586 (+16,3%). Com isso, a participação da venda direta no acumulado cai para 48,9%, contra 50,2% em 2025”, diz a empresa.

BYD ultrapassa Chevrolet
O principal destaque do período foi a BYD, que ultrapassou a Chevrolet e assumiu a terceira posição no ranking geral de vendas. A montadora chinesa registrou 9.855 emplacamentos, contra 9.027 da concorrente.
A Fiat manteve a liderança de vendas na primeira quinzena de julho, com 19.040 emplacamentos, seguida pela Volkswagen, com 17.122 unidades.
O veículo mais vendido do período foi a Fiat Strada, com 6.817 unidades. Já o BYD Dolphin Mini foi o modelo elétrico mais vendido, com 3.075 emplacamentos, na sexta posição do ranking geral. O BYD Dolphin aparece na sétima posição, com 2.472 unidades, e o Geely EX2, com 2.408 emplacamentos, é o oitavo do ranking.