Canal VE

Elétricos usados passam a se valorizar no mercado brasileiro

Na foto, o modelo Dolphin Mini da BYD em uma rua da cidade.

Eletromobilidade avança rápido no Brasil. Foto: Divulgação/BYD

Os veículos elétricos seminovos passaram a registrar valorização no mercado brasileiro pela primeira vez. É o que mostra um levantamento da Indicata, empresa especializada em inteligência de mercado automotivo, que analisou o comportamento dos preços anunciados de veículos usados entre março e maio de 2026.

Segundo o estudo, os modelos 100% elétricos (BEV) foram os únicos a apresentar aumento nos preços anunciados no período, com alta de 0,91 ponto percentual. Todas as demais motorizações registraram desvalorização, incluindo veículos flex, diesel, híbridos e híbridos plug-in.

O movimento chama atenção porque representa uma mudança importante na dinâmica do mercado de veículos eletrificados usados. Até recentemente, uma das principais dúvidas envolvendo os carros elétricos estava relacionada ao comportamento do mercado de seminovos e à capacidade de manter valor ao longo do tempo.

Para Lucio Groch, diretor da Indicata Brasil, a valorização é resultado direto da combinação entre demanda crescente e oferta ainda limitada desses veículos.

“Vemos essa alta demanda nos elétricos de entrada aparecendo desde setembro de 2025, conforme os dados do Indicata Market Watch. Acaba sendo inevitável um produto de alta demanda aumentar de preço em caso de baixa oferta. É o que estamos vendo”, afirmou.

 

Giro rápido ajudou a sustentar os preços

A valorização observada pela Indicata não surgiu de forma isolada. Nos últimos meses, os veículos elétricos vêm registrando um dos menores tempos de permanência nos estoques de seminovos do país.

Levantamentos anteriores da própria Indicata já haviam mostrado que modelos como BYD Dolphin Mini e BYD Dolphin lideravam os indicadores de giro de estoque no mercado brasileiro, sendo revendidos mais rapidamente do que veículos com motorizações convencionais.

Agora, o novo levantamento sugere que a demanda aquecida começa a produzir efeitos também sobre os preços.

Segundo a Indicata, os veículos elétricos alcançaram em abril o menor índice de Market Days Supply (MDS) já registrado para uma motorização no Brasil, indicando que os estoques estão sendo consumidos em ritmo acelerado.

Na prática, a combinação entre procura elevada e oferta reduzida acabou seguindo a lógica tradicional de mercado: quanto menor a disponibilidade de um produto diante de uma demanda crescente, maior tende a ser sua sustentação de preço.

BYD Dolphin GS 180
BYD Dolphin tem giro rápido no mercado de seminovos. Foto: Divulgação/BYD

Mais oferta pode equilibrar o mercado

Apesar da valorização observada neste momento, a expectativa é de que o mercado passe por ajustes nos próximos anos. De acordo com Groch, a própria demanda aquecida tende a estimular o aumento da oferta de veículos elétricos seminovos.

“Evidentemente, com tanta demanda, é natural aumentar a oferta desses veículos no futuro, e isso tende a ajustar os preços no mercado. Ela pode vir tanto de carros usados que já estão no mercado e serão trocados por veículos novos quanto pela agressividade dos fabricantes para aumentar a participação dos elétricos no mercado de veículos novos”, explicou.

A expectativa do setor é que os milhares de veículos elétricos vendidos nos últimos anos, especialmente por marcas como BYD e GWM, comecem gradualmente a abastecer o mercado de usados, ampliando as opções disponíveis para os consumidores.

Ora 03
Elétricos devem passar a ocupar maior espaço no mercado de usados. Foto: Divulgação / GWM

Petróleo pode influenciar demanda por elétricos

Outro fator que pode influenciar o comportamento do mercado nos próximos meses é o cenário geopolítico internacional. Segundo Groch, as tensões no Oriente Médio e a recente alta dos preços do petróleo podem contribuir para ampliar o interesse por veículos eletrificados.

“Há fatores que podem esquentar ainda mais essa demanda. A guerra no Oriente Médio é um fator de grande peso. O barril de petróleo estava em torno de US$ 65 ao final de 2025 e agora está na região dos US$ 100”, destacou.

Embora o Brasil produza grande parte dos combustíveis consumidos internamente, oscilações nos preços internacionais do petróleo costumam impactar os custos do setor de transportes e influenciar as decisões de compra dos consumidores.

Nesse contexto, os veículos elétricos passam a ser vistos não apenas como uma alternativa de menor emissão, mas também como uma opção para reduzir a exposição às variações dos combustíveis fósseis.

Os dados da Indicata sugerem que essa percepção já começa a se refletir no mercado de seminovos. E, pela primeira vez, não apenas na velocidade de revenda, mas também nos preços.

Ler o Anterior

Capital paulista atualiza referência de ônibus elétricos para subsídios

Mais Popular

Overview de Privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.