Os carros elétricos usados abaixo de R$ 170 mil são os que têm a menor desvalorização no mercado de seminovos, entre todos os tipos de veículos: apenas 7,9% de depreciação em média em relação ao preço de um novo.
A constatação é de um estudo recém-lançado pela Bright Consulting, que comparou veículos zero-quilômetro vendidos em julho de 2025 com seus preços atuais no mercado de usados, considerando valores deflacionados.
Se uma das principais barreiras para a massificação da eletrificação no Brasil é o mito da desvalorização na revenda, o estudo mostra que o mercado já não trata todos os eletrificados da mesma forma, como há alguns anos.
De acordo com o estudo, a depreciação age de maneiras diferentes entre as diversas faixas de preços dos modelos e suas tecnologias de propulsão, incluindo os veículos movidos a combustão interna (ICE, na sigla em inglês), híbridos convencionais (HEV), híbridos plug-in (PHEV) e totalmente elétricos (BEV), conforme a tabela abaixo.

Para a Bright Consulting, o destaque do mercado brasileiro de seminovos atual está nos veículos elétricos de entrada. “Enquanto os automóveis a combustão de até R$ 170 mil perderam, em média, 13,4% de seu valor real, os elétricos dessa faixa apresentaram desvalorização de apenas 7,9%, praticamente metade da observada nos veículos convencionais”, descreve o texto, assinado pelo especialista de produtos da consultoria, Bruno Fracasso.
“Esse resultado indica que parte das incertezas que cercavam a tecnologia vem sendo superada. A confiança dos consumidores aumentou, a infraestrutura de recarga evoluiu, as garantias das baterias se tornaram mais robustas e o custo total de propriedade (TCO) passou a ser mais bem compreendido pelo mercado. Além disso, a oferta de elétricos usados ainda permanece relativamente limitada, ajudando a sustentar seus preços de revenda”, segue o documento.

Desvalorização maior entre carros premium
O cenário da depreciação é diferente em carros com faixas superiores de preço. Entre R$ 250 mil e R$ 350 mil, os híbridos plug-in (PHEVs) registram a maior desvalorização do estudo, atingindo 22,2%, enquanto os elétricos chegam a 20,5%. Já acima de R$ 350 mil, os BEVs apresentam perda de 21,2%, o que reflete, segundo a consultoria, um comportamento típico do segmento premium.
“Essa dinâmica é consequência da velocidade com que esse mercado evolui. Os veículos de maior valor agregado sofrem diretamente os efeitos da renovação tecnológica, do lançamento de novas gerações com autonomias maiores e sistemas eletrônicos mais sofisticados, além das sucessivas reduções de preços promovidas pelas próprias montadoras, especialmente pelas marcas chinesas. Quando um veículo novo passa a oferecer mais tecnologia por um preço semelhante — ou até inferior — ao praticado anteriormente, a pressão sobre os preços dos usados torna-se inevitável”, diz a nota.
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Concorrência agita o mercado de automóveis
Outro fator apontado pela Bright Consulting como determinante para a agitação no mercado automotivo é a maior concorrência, especialmente com a expansão das marcas chinesas no Brasil, o que ampliou consideravelmente a oferta de veículos aos consumidores. Para a consultoria, ao mesmo tempo em que o movimento beneficia o consumidor final dos carros novos, acaba por tornar o mercado secundário mais seletivo, diferenciando os modelos que conseguem preservar valor daqueles que sofrem maior pressão competitiva.
“A principal conclusão do estudo é que o mercado brasileiro de usados entrou em uma nova etapa de maturidade. Os eletrificados deixaram de ser avaliados como um grupo homogêneo. Hoje, o comportamento do valor residual depende cada vez mais do posicionamento do produto, da faixa de preço, da velocidade de atualização tecnológica e da estratégia comercial de cada fabricante”, finaliza o documento.

