O Brasil já possui mais de 300 mil bicicletas elétricas em circulação. É o que aponta uma estimativa da Associação Brasileira do Setor de Bicicletas (Aliança Bike), que considera dados do mercado até 2025.
Para a entidade, fatores como facilidade de uso em trajetos curtos, preços acessíveis em relação a carros e motos e a diversidade de modelos impulsionam o salto no uso da mobilidade elétrica de duas rodas. Em cidades de grande porte, onde o tráfego costuma ser intenso, as e-bikes despontam como alternativa de locomoção para trajetos cotidianos na casa dos 10 km.
Além disso, vale destacar que, segundo a Aliança, as empresas passaram a incorporar a produção de bicicletas elétricas e os autopropelidos.
“Notamos que, no decorrer dos últimos anos, muitas empresas que antes eram dedicadas apenas à produção e montagem de bicicletas convencionais passaram a incorporar em sua linha de produtos as bicicletas elétricas e os autopropelidos, seja nos modelos de bicicletas assistidas de mountain bike urbanas, seja nos modelos de autopropelidos – que acabam sendo caracterizados no mercado como scooters elétricas”, explica Luiz Saldanha, Diretor Executivo da Aliança Bike.

Desafios para e-bikes envolvem segurança no uso
Para a Aliança, é importante conferir sustentabilidade ao mercado de bicicletas elétricas à medida em que ele cresce. Para isso, são apontadas medidas para garantir a segurança do usuário, de modo a coexistirem com outros meios de locomoção. De acordo com a associação, poucos municípios regulamentam o uso de veículos elétricos levíssimos.
“Isso envolve o aprimoramento da regulamentação e da fiscalização, mas também investimentos em infraestrutura viária que permitam a circulação segura e integrada, acompanhados de políticas de redução de velocidades e de conscientização de todos os usuários das vias”, completa Saldanha.
Delivery ganha impulso com a eletrificação sobre duas rodas
Uma outra aplicação importante para a mobilidade elétrica de duas rodas é para delivery e demais serviços de entrega. Para os trabalhadores deste segmento, o atrativo é financeiro, pois envolve o baixo custo na manutenção e na recarga.
Segundo a Aliança Bike, São Paulo e Rio de Janeiro já têm iniciativas públicas e privadas para facilitar a logística dos entregadores que optarem por modelos elétricos voltados ao trabalho.

Semelhanças e diferenças com o setor automotivo
A entidade aponta ainda que há semelhanças entre o setor eletrificado de bicicletas, ciclomotores e autopropelidos com o automotivo. Nesse contexto, é possível analisar que há a necessidade de ampliação da infraestrutura de recarga para que o crescimento da frota acelere cada vez mais, sobretudo pensando em trajetos intermunicipais. No entanto, a produção nacional não segue o mesmo caminho dos veículos de quatro rodas.
“Existe uma alta tributação para importação de peças e componentes, assim como há uma ausência do incentivo para produção nacional – como ocorre no setor automotivo – o que dificulta o fortalecimento e o crescimento das empresas que atuam no Brasil”, finaliza o executivo.
