As transportadoras já podem eletrificar suas frotas?

As transportadoras já podem eletrificar suas frotas?
Caminhões elétricos, como o E-Delivery, da Volkswagen, estão aparecendo mais entre as empresas. Foto: Divulgação/VWCO.

A revolução dos veículos 100% elétricos de passeio já faz parte do nosso cotidiano. Desde 2022, as vendas crescem rapidamente, e o consumidor brasileiro passou a reconhecer no carro elétrico uma combinação de tecnologia e economia.

Para termos uma referência, nos primeiros seis meses de 2026, foi emplacado o mesmo volume de veículos elétricos que em todo o ano de 2025. Isso ajuda a explicar por que se tornou comum vê-los pelas ruas ou conhecer alguém que adquiriu um.

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Há alguns anos, o carro elétrico estava cercado de dúvidas, preconceitos e receios. Parte dessas preocupações vinha do desconhecimento. Outras revelaram desafios concretos, como a disponibilidade de recarga pública e recarga em condomínios.

É nesse contexto que, em 2026, precisamos falar dos veículos comerciais 100% elétricos: vans, furgões, ônibus e caminhões. Eles já estão disponíveis no mercado há alguns anos, mas ainda não alcançaram a popularização dos modelos de passeio.

A pergunta, portanto, é pertinente: as transportadoras já deveriam investir na eletrificação de frotas? E para quais aplicações? Na minha visão, a resposta passa por três aspectos-chave.

 

Já temos veículos comerciais elétricos preparados para o transporte?

Sim. Mesmo com algumas limitações, principalmente de autonomia e custo de aquisição elevado, no Brasil já existe uma oferta de marcas e modelos capazes de atender a diferentes aplicações nas principais categorias de veículos comerciais leves e pesados. O trabalho consiste em escolher a configuração e o modelo adequados à operação logística.

Caminhão elétrico da DHL é todo na cor amarela, com marca DHL destacada em vermelho
Caminhão elétrico da DHL contribui para a descarbonização da logística da empresa no Brasil. Foto: Divulgação/DHL.

A infraestrutura de recarga está preparada para frotas elétricas?

Sim. A rede de recarga pública brasileira ainda apresenta lacunas, principalmente para longas viagens rodoviárias. Porém, boa parte das recargas podem ocorrer durante as pausas dos veículos, nas próprias bases operacionais. A questão é entender quanto cada frota depende da infraestrutura pública. Vale destacar que projetos de recarga pública dedicada para veículos pesados já estão em curso pelo país.

Carregador de ônibus elétrico da Nansen
Carregador de ônibus elétrico da Nansen. Foto: Divulgação / Nansen

Para quais operações logísticas a eletrificação já faz sentido?

Operações previsíveis, com altos volumes de transporte, rotas curtas e recorrentes e retorno à base tendem a reunir condições favoráveis à eletrificação. Essa previsibilidade ajuda a dimensionar os veículos e a recarga. Ainda assim, é preciso avaliar distâncias, tempo disponível para carregar, impactos na rotina e investimentos necessários. Altos volumes favorecem o aproveitamento dos veículos e da infraestrutura, desde que haja compatibilidade com a autonomia e as pausas. As operações de lastmile e intra logística são as  com maior potencial hoje. 

Voltando à pergunta inicial: sim, muitas transportadoras já podem eletrificar suas frotas, algumas com poucas adaptações à rotina. O momento depende, sobretudo, das características de cada operação.

O investimento em infraestrutura de recarga, seja ela própria ou pública, é chave para as empresas logísticas estarem bem posicionadas estrategicamente em um futuro elétrico.

Hoje, o desafio está em encaixar as peças desse quebra-cabeça: veículo, operação e recarga. Frotas de veículos pesados e leves têm necessidades distintas na eletrificação. Planejar essa combinação permite avaliar se a economia no dia a dia compensa o investimento inicial e, assim, transformar o potencial de redução de custos e emissões em resultados positivos para o negócio.

Ricardo Ponzoni
Ricardo Ponzoni

Ricardo Ponzoni Dognini Head de Novos Negócios em Eletrificação na Vitesse, São Paulo, Brasil Atua no desenvolvimento de novos negócios voltados à mobilidade elétrica por meio da Vitesse, uma consultoria estratégica sediada em São Paulo. A Vitesse é uma consultoria especializada em transição para novas energias e eletromobilidade.