A RIC Charge planeja ampliar os hubs de recarga para veículos elétricos no RS, com estruturas que incluem carregadores de alta potência, subestações elétricas, áreas de conveniência e sistemas de segurança com inteligência artificial e reconhecimento facial. A empresa gaúcha pretende encerrar 2026 com seis unidades em Porto Alegre e iniciar a expansão para a Região Metropolitana a partir de janeiro de 2027.
Os hubs foram projetados principalmente para atender motoristas de aplicativos, oferecendo, além da recarga, espaços para descanso, alimentação e serviços de apoio. A empresa afirma que cerca de 98% de seus clientes atuais são profissionais que trabalham com mobilidade. O investimento médio está na casa de R$ 1 milhão por hub.
A infraestrutura de carregamento contará com equipamentos inteligentes capazes de atender oito veículos simultaneamente, com potência total que pode chegar a 300 kW, segundo a companhia.

Empresa já tem cerca de mil motoristas cadastrados
A empresa iniciou sua operação no segmento de eletromobilidade após uma trajetória no setor de energia solar. Em oito meses de atividade, a RIC Charge cadastrou aproximadamente mil motoristas de aplicativos.
Para Ionathan Cunha, CEO da RIC Charge, a falta de estrutura de apoio durante a recarga é uma das principais necessidades identificadas entre os motoristas.
“Existe uma dor muito grande: o pessoal que roda não tem serviço de apoio. Não tem um lugar onde esquentar uma comida, passar uma água no carro, aspirar o carro, descansar ou assistir televisão”, explica.
A proposta dos hubs é aproveitar o período em que o veículo permanece conectado para oferecer alternativas de conveniência. A empresa também prevê a criação de um clube voltado a motoristas de aplicativos, com benefícios na própria rede.
Operação começou em Porto Alegre
A primeira unidade da RIC Charge foi inaugurada em novembro de 2025, na Avenida Cairú, em Porto Alegre. Durante aproximadamente seis meses, Cunha acompanhou diretamente o funcionamento do local, participando de atividades de manutenção, reposição de produtos, limpeza e atendimento aos usuários.
A experiência foi utilizada para ajustar o modelo que será replicado nas próximas unidades.
“Eu parei tudo que eu estava fazendo e fiquei lá dentro da operação. Então eu, desde reposição do mercadinho, limpeza, os problemas que dá, escutando o usuário, entendendo”, relata o CEO.
Segundo a empresa, cada hub terá capacidade operacional estimada em até 240 atendimentos por dia. A utilização atual está em aproximadamente 100 atendimentos diários por unidade.
Tempo de recarga
De acordo com ele, os motoristas de aplicativos normalmente recebem entre 60 kW e 70 kW durante o carregamento. O tempo médio de permanência nos hubs fica em torno de 40 minutos, embora varie conforme a capacidade da bateria, o estado de carga e a potência efetivamente entregue pelo carregador.
Em veículos com baterias menores, a empresa estima que uma recarga de aproximadamente 15% a 80% possa ser realizada em cerca de 30 minutos. Já uma bateria praticamente descarregada pode demandar aproximadamente uma hora.
Investimento inclui infraestrutura elétrica e conveniência
O investimento médio de R$ 1 milhão por unidade considera a instalação da infraestrutura elétrica, os equipamentos de recarga, pavimentação, cobertura, área de conveniência, projetos e demais custos de implantação.
O modelo de financiamento combina recursos próprios da empresa com aportes de um fundo profissional em determinadas unidades.
Equipamentos desenvolvidos na China
A RIC Charge começou a desenvolver a solução de carregamento após um período de estudos sobre o mercado de eletromobilidade. Cunha afirma que viajou à China há cerca de dois anos e meio para conhecer fabricantes e trabalhar no desenvolvimento dos equipamentos utilizados nos hubs.

Plano de expansão em 2027
A partir de janeiro, o plano é avançar para a Região Metropolitana, com Novo Hamburgo como um dos primeiros destinos.
O planejamento inclui ainda cidades como Gravataí, Cachoeirinha, Canoas, Viamão e Alvorada. A empresa trabalha com a possibilidade de inaugurar aproximadamente uma unidade a cada 45 dias durante a próxima fase de expansão.
“A gente quer cercar Porto Alegre. Em qualquer lugar que o motorista estiver, ele consegue ter uma unidade nossa, uma base para que ele possa parar”, explica o CEO da RIC Charge.
A distribuição dos motoristas cadastrados também é considerada na escolha das localidades. Segundo a empresa, já existem usuários da rede em municípios da Região Metropolitana, incluindo Novo Hamburgo e Canoas.
Automação e segurança fazem parte do projeto
Os hubs terão sistemas de automação voltados ao controle de acesso e ao monitoramento das unidades. Entre os recursos previstos estão câmeras com inteligência artificial, reconhecimento facial e mecanismos capazes de identificar movimentações e emitir alertas.
O acesso fora dos horários convencionais será realizado mediante cadastro e reconhecimento facial. A proposta é viabilizar uma operação 24 horas por dia com uma estrutura enxuta e recursos de controle e segurança.
A empresa pretende manter um padrão de serviços entre os diferentes endereços.
“Todos os nossos hubs vão oferecer os mesmos serviços. Se o cliente entrar na unidade 01, 02, ou 03, vai ser tudo padrão”, afirma Cunha.
