Projeto em São Paulo prevê energia solar para recarga de ônibus elétricos

Projeto em São Paulo prevê energia solar para recarga de ônibus elétricos
Ônibus elétricos são mais sustentáveis. Foto: Sergio Barzaghi/Prefeitura de São Paulo

Um projeto de lei em tramitação na Câmara Municipal de São Paulo (SP) prevê o uso de energia solar para ajudar a abastecer a frota de ônibus elétricos da cidade.

A proposta incentiva a instalação de usinas solares em garagens e terminais de ônibus, com o objetivo de fornecer energia para a recarga dos veículos e reduzir os custos operacionais das empresas de transporte, por meio do programa “Energia e Mobilidade SP”.

O projeto de Lei nº 1.112/2025 recebeu parecer favorável à legalidade da Comissão de Constituição, Justiça e Legislação Participativa e foi publicado no Diário Oficial da Cidade de São Paulo, desta quinta-feira (20).

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O objetivo da medida é fazer com que as empresas de transporte possam ampliar a participação de fontes renováveis na energia utilizada para recarregar os ônibus elétricos.

Outra ação prevista é a possibilidade de concessionárias e permissionárias do transporte coletivo implantarem usinas solares em áreas públicas. Para isso, o projeto prevê chamamento público e contratos de concessão de uso ou direito de superfície.

As empresas de transporte também poderão celebrar contratos de compra e venda de energia elétrica, conhecidos como PPAs. Estes contratos permitem estabelecer condições para o fornecimento de energia e deverão seguir a regulamentação da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) e a legislação federal.

O projeto estabelece ainda possíveis contrapartidas para as empresas beneficiadas. Entre elas estão a manutenção de um percentual mínimo de veículos elétricos em circulação, a comprovação de que parte ou a totalidade da energia utilizada vem de fontes renováveis e a apresentação de relatórios anuais sobre eficiência energética e redução de custos operacionais.

Painéis fotovoltaicos para geração de energia solar estão posicionados ao lado de rodovia, com veículo branco passando ao fundo
Energia solar pode ser grande aliada da mobilidade elétrica. Foto: Envato/Elements.

Ampliar energia fotovoltaica é prioridade

As medidas para o transporte público fazem parte de uma política mais ampla de incentivo à energia solar fotovoltaica no município. O objetivo é estimular a utilização, o desenvolvimento e a expansão da GD (geração distribuída) solar em São Paulo (SP).
Entre as finalidades previstas estão o incentivo à instalação de sistemas de micro e minigeração distribuída, a redução das emissões de gases de efeito estufa, a capacitação profissional e a geração de empregos verdes.

A política também busca estimular a inovação tecnológica e científica no setor, ampliar o acesso à energia e incentivar projetos de eficiência energética nos órgãos e entidades da administração municipal.

O texto ainda prevê o incentivo à criação de usinas solares em áreas públicas, comunitárias e de maior potencial de geração. Também estão entre as diretrizes o apoio a empresas e startups ligadas às energias renováveis, o financiamento ou apoio a pesquisas e inovação tecnológica e a atração de investimentos nacionais e internacionais em soluções de descarbonização.

São Paulo libera R$ 251,6 milhões para novos ônibus elétricos
São Paulo tem a maior frota elétrica de ônibus do Brasil. Foto: Divulgação/Leon Rodrigues/Prefeitura SP.

Incentivo fiscal previsto originalmente foi retirado

O projeto original previa a redução de até 20% na alíquota do Imposto Sobre Serviços (ISS) para empresas estabelecidas em São Paulo que atuam na elaboração de projetos, execução de obras, instalação de componentes e manutenção de sistemas de energia solar fotovoltaica.

A Comissão de Constituição, Justiça e Legislação Participativa, porém, retirou esse benefício fiscal do substitutivo apresentado junto ao parecer. O poder executivo municipal também havia se manifestado de forma desfavorável ao projeto.

Entre os argumentos apresentados estão o risco de renúncia de receita sem compensação, a existência de incentivos já concedidos em outras esferas de governo, possíveis inconsistências na definição dos beneficiários e os impactos sobre o sistema tributário municipal durante a implementação da reforma tributária.
Proposta segue mesmo com as ponderações
Apesar dos pontos contrários, a Comissão de Constituição, Justiça e Legislação Participativa entendeu que a proposta pode continuar tramitando sob o ponto de vista jurídico, desde que sem os dispositivos relacionados à redução do ISS.

O parecer ainda determina a realização de pelo menos duas audiências públicas durante a tramitação, por se tratar de uma proposta de política ambiental e com potencial impacto tributário.

São Paulo é a cidade mais eletrificada do país. Foto: JFDiorio/SECOM

Projeto ainda não está em vigor

Com o parecer favorável à legalidade, o projeto segue para análise das demais comissões da Câmara Municipal. A proposta ainda precisa avançar na tramitação legislativa e ser aprovada antes de eventualmente entrar em vigor.

Gustavo Cabral
Gustavo Cabral

Estudante de jornalismo na PUC-Campinas. Atuou como redator, repórter, social media e assessor de imprensa na área de esportes. Estagiário no Canal VE.