Foram 271 mil veículos elétricos vendidos em 2026 no Brasil até aqui, além de uma frota de mais de 815 mil eletrificados em circulação, segundo a ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), considerando dados desde 2022.
Os números mostram o espaço cada vez maior dos veículos eletrificados no mercado e evidenciam uma nova demanda: a oferta de pontos de recarga em locais onde os veículos permanecem estacionados por mais tempo, como condomínios residenciais e empreendimentos comerciais.
Investimento tende a se acelerar
Na avaliação de Rogério Robles, gerente comercial da Lity, investir em infraestrutura de recarga deve fazer parte de uma decisão estratégica dos empreendimentos.
“Para as empresas, é um caminho para oferecer mais conveniência a colaboradores, visitantes e frotas corporativas, além de reforçar o compromisso com a agenda ESG, o que aumenta a percepção de valor do mercado sobre o negócio”, afirma.
Condomínios também se beneficiam
No caso dos condomínios, além da conveniência para os moradores, a presença de carregadores pode influenciar a percepção de valor dos imóveis.
Segundo Frederico Zornig, CEO da Quantiz Pricing Solutions, esse efeito tende a ser mais relevante atualmente em empreendimentos de médio e alto padrão, onde é maior a probabilidade de o comprador já possuir ou planejar adquirir um veículo elétrico.
“Um empreendimento que já entrega essa infraestrutura pronta está, na prática, vendendo um benefício que poderia ser uma despesa futura certa, e isso entra na equação de valor do cliente”, explica.
Zornig afirma que esse benefício pode ser mensurado na precificação, estimando quanto o consumidor estaria disposto a pagar pela infraestrutura de recarga, assim como ocorre com outros atributos do imóvel, como metragem, número de vagas, localização, segurança e áreas de lazer.
O executivo ressalta, no entanto, que o impacto não é igual para todos os consumidores. Na venda, a tendência é de maior relevância para compradores que já possuem ou planejam adquirir um veículo elétrico. Na locação, a presença do carregador pode funcionar principalmente como uma conveniência.
“Para potenciais inquilinos que já tenham um carro elétrico, pode ser o fator que faça ele ou ela optar por apartamento que tenha essa opção”, afirma.
Tendência é de ampliação na demanda
Com o avanço da eletrificação, Zornig avalia ainda que a infraestrutura de recarga poderá deixar de ser apenas um diferencial e se tornar um requisito para determinados compradores.
“A recarga pode virar critério de elegibilidade para quem adotou ou pretende comprar um elétrico e não um ‘algo a mais’, mas um ‘sem isso eu nem considero o imóvel’, à medida que a frota elétrica crescer”, afirma.
O que avaliar antes de investir?
A instalação de carregadores, porém, exige planejamento. Segundo Robles, é necessário avaliar a capacidade elétrica do empreendimento, o perfil de utilização dos usuários, a possibilidade de expansão da infraestrutura, a segurança dos equipamentos e a gestão da operação.
A demanda atual também não deve ser o único parâmetro. Mesmo com poucos veículos eletrificados no local, o projeto pode ser preparado para receber novos pontos de recarga no futuro.
Sistemas de gestão também permitem monitorar os equipamentos, controlar acessos e individualizar a cobrança pelo consumo de energia.
“Instalar um ponto de recarga vai muito além da compra de equipamentos. É importante pensar na capacidade elétrica do empreendimento, no perfil de utilização e na possibilidade de expansão futura. Um bom planejamento evita custos desnecessários e garante que a infraestrutura acompanhe o crescimento da demanda”, destaca Robles.
