Projeto de eletropostos para elétricos é barrado em Sorocaba

Projeto de eletropostos para elétricos é barrado em Sorocaba
Texto exigia que concessionárias de elétricos instalassem dez pontos de recarga em locais públicos da cidade. (Foto: Magnific)

O projeto que tornava obrigatória a instalação de pontos de recarga para carros elétricos em comércios, estacionamentos e condomínios de Sorocaba (SP) foi rejeitado em primeira votação pela Câmara Municipal. A decisão ocorreu na sessão de terça-feira (27), segundo despacho da Câmara. De acordo com o andamento registrado no sistema, o Projeto de Lei nº 93/2026, do vereador Cícero João (PSB), aguarda nova inclusão na pauta.

Protocolada em março, a proposta valia para carros 100% elétricos e híbridos plug-in, que podem ser recarregados na tomada.

Quem teria de instalar carregadores

Pelo texto, a obrigação atingiria 11 tipos de estabelecimento:

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  • Postos de combustível;
  • Estacionamentos privados;
  • Sentros comerciais e atacadistas;
  • Supermercados de 1.000 a 6.500 m² de área construída;
  • Hipermercados com mais de 6.500 m²;
  • Shopping centers;
  • Hotéis com estacionamento próprio;
  • Condomínios residenciais;
  • Edifícios residenciais e comerciais;
  • Hospitais particulares;
  • Fábricas e indústrias.

Novos empreendimentos teriam de prever os pontos de recarga já no projeto. Os que já existem teriam até 24 meses para se adaptar. A quantidade mínima de vagas com carregador seria definida em um anexo da lei. A regra não valeria para empreendimentos de programas habitacionais públicos ou subsidiados.

A instalação teria de seguir a norma técnica ABNT NBR 17019/2022, com medição individual da energia. Em condomínios e locais com várias unidades, os pontos poderiam ser compartilhados, desde que cada usuário pagasse pelo próprio consumo.

10 pontos públicos por concessionária

O projeto também atribuía uma obrigação às concessionárias e revendedoras de carros elétricos e híbridos plug-in. Cada uma teria de pagar e instalar dez pontos de recarga em locais públicos escolhidos pela prefeitura, de preferência estacionamentos públicos, áreas de grande circulação e regiões estratégicas para a mobilidade elétrica. As empresas que já atuam na cidade teriam 12 meses para instalar metade dos pontos e mais 12 meses para o restante.

Notificação e multa

Quem descumprisse a lei seria notificado pela prefeitura e teria 90 dias para se regularizar. Depois disso, a multa seria de R$ 500 por ponto não instalado, aplicada novamente a cada 180 dias e corrigida anualmente pela inflação (IPCA). A prefeitura teria até seis meses para regulamentar a lei.

Argumentos a favor e contra

Na justificativa do projeto, Cícero João afirma que a infraestrutura de recarga ainda é limitada e concentrada em regiões centrais, o que desestimula o uso de carros elétricos fora das grandes capitais. Segundo ele, exigir pontos em empreendimentos de médio e grande porte criaria uma rede espalhada pela cidade. O vereador cita ainda que São Paulo, Salvador e Rio de Janeiro já aprovaram normas semelhantes.

Na sessão, parte dos vereadores criticou o custo de instalação para pequenos comércios, o aumento da burocracia e o risco de o custo de adaptação da rede elétrica de prédios antigos ser repassado aos moradores pela taxa de condomínio, segundo o Jornal Cruzeiro do Sul. Houve também a sugestão de trocar a obrigação por incentivos fiscais para quem instalar carregadores.

O despacho da Câmara não informa o placar da votação.

Pamela Cavalcante
Pamela Cavalcante

Jornalista e criadora de conteúdo, pós-graduada em Política e Relações Internacionais na FAAP. Atuo na produção de textos e conteúdos digitais.