Países emergentes avançam na eletromobilidade. Foto: Rubens Morelli/Canal VE
O Brasil pode receber aproximadamente US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões) em investimentos em infraestrutura de recarga pública até 2035. A análise é da C40 Cities, rede que engloba as principais cidades do mundo, feita em parceria com a Corporação Financeira Internacional (IFC). O estudo estima que o país pode ter até 86 mil pontos públicos de carregamento até o fim do período analisado, mediante um investimento estimado em US$ 980 milhões (R$ 4,99 bilhões).
Segundo o relatório divulgado, a eletromobilidade seguirá em forte expansão na próxima década, o que implicaria na necessidade de mais eletropostos nas cidades – o que pode ser viabilizado dependendo de tendências de mercado, investimentos, marcos regulatórios e iniciativas do poder público em âmbito municipal e nacional.

Análise leva mais países emergentes em conta
O estudo abrange mais 3 países emergentes além do Brasil: Índia, México e Colômbia. Nesses casos, a estimativa de investimentos para a rede de recarga feita pelo relatório é de US$ 1,9 bilhão (R$ 9,67 bilhões) na Índia, US$ 760 milhões (R$ 3,87 bilhões) no México e US$ 184 milhões (R$ 936 milhões) na Colômbia.
A análise indica que o investimento até 2035 dará retorno financeiro nas quatro localidades observadas, desde que as metas de adoção de veículos plug-in sejam cumpridas. Na pesquisa feita pela C40 Cities com a IFC, foi constatado que os carregadores rápidos, de corrente contínua (DC) possuem as maiores margens de lucro.
O preço cobrado pela energia, as taxas de uso da infraestrutura e os custos de acesso à rede são as principais variáveis apontadas na conta da viabilidade financeira. Para que a equação se feche, o relatório ressalta a importância de marcos regulatórios mais claros, mais transparência quanto a infraestrutura, plataformas de recarga interoperáveis – como aplicativos de pagamento integrados em um só – e investimentos conjuntos entre os setores público e privado.
“A adoção de veículos elétricos está se acelerando rapidamente nos mercados emergentes, mas a manutenção desse ritmo dependerá da capacidade da infraestrutura de recarga de acompanhar essa expansão. Expandir redes de recarga confiáveis e acessíveis é essencial não apenas para a confiança do consumidor, mas também para atrair investimentos privados e apoiar o crescimento econômico a longo prazo”, disse Veronica Nyhan Jones, Gerente Global de Parcerias Climáticas e Especialização Intersetorial da IFC.

Brasil ainda tem concentração da rede
No caso brasileiro, é evidente o avanço acelerado de veículos elétricos e híbridos, assim como o crescimento no número de eletropostos. A Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), mostra, em sua atualização mais recente, de fevereiro de 2026, que o país já ultrapassou 21 mil estações públicas de recarga.
A C40 Cities e a IFC, contudo, apontam grande concentração desses carregadores no Sudeste e no Sul, em razão de aspectos como tratamento fiscal fragmentado de pontos de recarga atrelados a outros serviços, ausência de regulamentações unificadas para recarga de veículos pesados, restrições de capacidade da rede na distribuição e a falta de um banco de dados nacional centralizado para isso.
A pesquisa afirma ainda destaca o investimento viabilizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) para a expansão da infraestrutura de recarga nos últimos anos.

Projeto no Rio é exemplo de planejamento integrado
A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, tem o plano de instalar mais 15 centros de recarga rápida até 2028, em uma ação orientada por projetos-piloto, utilizando o marco regulatório Sandbox.Rio e a parceria C40 Laneshift. Com isso, há uma adaptação nos esforços de diferentes setores para a expansão dos investimentos em eletropostos.
“As cidades já estão liderando a transição para a mobilidade elétrica, transformando a ambição em ações práticas, desde a eletrificação das frotas de transporte público até a criação de espaços, parcerias e estruturas de planejamento para a implantação de infraestrutura de recarga”, afirma Mark Watts, Diretor Executivo da C40 Cities.
“Mas, se levarmos a sério a expansão do transporte limpo globalmente, principalmente em economias emergentes, também precisamos ampliar o investimento. Expandir o acesso ao financiamento para infraestrutura de recarga de veículos elétricos será essencial para garantir que as cidades possam avançar mais rapidamente, atrair capital privado e oferecer ar mais limpo, menores emissões e sistemas de mobilidade mais equitativos para milhões de pessoas”, conclui.

Estudante de jornalismo na PUC-Campinas. Atuou como redator, repórter, social media e assessor de imprensa na área de esportes. Estagiário no Canal VE.